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Pelo menos 80 lojas não vão mais abrir as portas em Rio Preto

Pelo menos 80 lojas não vão mais abrir as portas em função das perdas com a pandemia de coronavírus; são mil demissões segundo a Acirp; na cidade houve o fechamento de 215 empresas


Luiz Golin, empresário
Luiz Golin, empresário - Arquivo pessoal

Pelo menos 80 lojas instaladas nos shopping centers de Rio Preto não abrem mais as portas quando os centros de compras estiverem autorizados a funcionar. A estimativa é da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) e está ligada à proibição de funcionamento dos shopping centers não apenas de Rio Preto, mas do Brasil, como medida para conter a disseminação do coronavírus. O encerramento dessas empresas vai representar a perda de aproximadamente mil empregos.

Segundo o presidente da Acirp, Kelvin Kaiser, a maior parte das empresas que informou a impossibilidade de voltar a operar são de porte pequeno, com entre seis e dez funcionários cada. Uma delas seria a do Starbucks do Riopreto Shopping, como apurou o Diário. Sobre números similares relativos ao do Calçadão, a entidade não tem, mas encomendou um levantamento. Dados da Prefeitura de Rio Preto mostram que houve 215 encerramentos entre os dias 24 março e 14 de maio deste ano, contra 325 em igual período de 2019.

"A estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma queda de 7% a 10% no País e por aqui deve ficar igual", afirmou.

Isso porque Rio Preto é uma cidade cuja economia é baseada em serviços e comércio - principais setores afetados pela proibição de atuar, conforme determina decreto estadual. "A cidade não é industrial, setor que foi menos afetado, que já pode manter a produção, ainda que reduzida".

Rio Preto conta com cinco shopping centers: Cidade Norte, Iguatemi, Praça Shopping, Plaza Avenida, Riopreto Shopping. Exceto o Praça, os outros centros de compras não quiseram informar o número de lojas fechadas, responderam apenas que estão atuando no apoio aos seus lojistas de forma que divulguem canais alternativos de atendimento, como delivery ou drive thru. Em documento enviado à Prefeitura, o grupo - que se uniu com Acirp para buscar alternativas ao setor - ressalta a importância da participação dos shopping centers na economia local. São 750 lojistas, 30 mil funcionários diretos e indiretos e faturamento anual de R$ 1,1 bilhão.

No Praça Shopping, dez lojas já encerraram as atividades definitivamente e hoje o centro de compras conta com 54 unidades. Com o fechamento das empresas, 29 empregos foram encerrados. "Desde o dia 23 de março o empreendimento deixou de faturar algo em torno de R$ 30 milhões entre todas as suas lojas", afirmou Marcos Fernandes - superintendente do Praça Shopping. O próprio empreendimento tem 32 colaboradores diretos e indiretos, dos quais 15 estão com contratos suspensos e os demais em regime especial de trabalho.

Flexibilização

A Acirp vem mantendo diálogo com o poder público municipal desde o início da pandemia na tentativa de criar planos que permitam a flexibilização de diferentes tipos de comércios da cidade - de maneira segura e alinhada aos números da saúde, ressalta Kelvin.

Sobre os shopping centers, foi apresentado em abril um plano que prevê regras de segurança para o momento da reabertura. Entre as medidas previstas no documento estão limitar entradas e saídas dos locais; portas de entrada abertas e disponibilização de álcool em gel; obrigatoriedade de uso de máscaras pelos clientes; higienização das lojas várias vezes ao dia; redução de mesas nas praças de alimentação, etc. "Estamos vendo um desespero generalizado, muita gente abrindo de qualquer jeito porque não está conseguindo levar dinheiro para casa". Por conta disso é que a entidade pede que haja uma maior flexibilização. "A economia não pode esperar, o equilíbrio é muito importante, sempre respeitando os números da saúde", afirmou.

Temor

Dono de quatro restaurantes em Rio Preto - todos em shopping centers - o empresário Luiz Golin, da Batata Dipz, afirma que a cada dia aumenta a chance de fechar uma de suas unidades na cidade. Dono de 16 empresas no Estado, já fechou três definitivamente, na Grande São Paulo. Por aqui, houve oito demissões e os outros 21 funcionários tiveram o contrato suspenso. "Nosso produto - a batata - perde a qualidade muito rapidamente depois de pronta, por isso o delivery não funciona."

Segundo ele, são muitos os problemas que afetam o setor. Um deles são os próprios centros de compra - que não tem aberto mão das taxas de condomínio e fundos de promoção. Deixam essa conta ainda mais negativa os impostos estaduais e municipais, como ICMS, IPTU e ISS e a energia elétrica, custos que não tiveram nenhum tipo de bonificação ou adiamento.

Golin afirma ainda que a dificuldade para conseguir crédito também tem piorado a situação. Isso porque o que foi apresentado pelo governo - linhas operadas pelos bancos - tem condições ruins, como altas taxas de juros e prazo curto. Segundo ele, um crédito obtido junto ao Desenvolve SP há 45 dias ainda não foi liberado. "Sempre foi uma empresa saudável. Já gastei mais de R$ 1 milhão e não foi investimento. É um dinheiro que foi embora. Estou disposto a me endividar para manter o negócio porque acredito nele, mas os bancos não têm agilidade."

Guilherme Baffi 20/5/2020

O delivery ajuda, mas não salva. Razão essa pela qual grande parte de bares e restaurantes de Rio Preto não tem conseguido manter as equipes de funcionários, dois meses depois do início da pandemia de coronavírus. Muita gente também já pensa em fechar as portas se a situação não mudar rapidamente. Levantamento feito pelo Diário com cerca de 30 estabelecimentos do tipo mostra que foram aproximadamente 140 demissões, sem contar os trabalhadores com contratos suspensos ou jornada reduzida.

O que se ouve entre o pessoal do setor de alimentação é que a situação está bastante crítica e que - embora a possibilidade de vender por delivery seja uma alternativa para diminuir os prejuízos, não é suficiente para manter o negócio saudável. Ainda não há dados concretos sobre fechamento de empresas, mas os rumores persistem no ar. A empresária Malu Pontes, do restaurante tailandês Khea Thai afirma que não há certeza de que volte a operar. "O que vai definir é quanto tempo ainda vai ficar fechado".

Por enquanto, segundo ela, o caixa aguenta mais 30 dias de restaurante com as portas fechadas. Para piorar, não houve negociação no valor do aluguel do prédio. "É uma dor muito grande ver tudo fechado, tem muito estoque que estamos doando para ex-funcionários e colegas", disse. Na empresa, houve seis demissões e a maior perda foi ter que demitir a chef Milene Dellatore. "Ela era a identidade do restaurante por sua vivência na Tailândia e a principal colaboradora do meu quadro de funcionários".

O empresário Eleandro Veronez, do restaurante japonês Haruchi, afirma que precisou demitir oito funcionários fixos e dispensar outros três extras. Com o fechamento da empresa, o faturamento registrou queda entre 60% e 70%. "Antes eu não trabalhava com entrega, só no salão, então tive que me adaptar. No fim de semana o movimento é maior, mas já observo que o pessoal está começando a ficar sem dinheiro", disse.

Fechado

Entre os estabelecimentos que já fecharam na cidade está O Rei do Pão de Queijo da avenida Alberto Andaló, conforme o Diário já noticiara anteriormente. Foram 60 demissões, afirmou o empresário Cícero dos Reis Silva. "Servíamos café colonial, self service de almoço para comer na loja, lanches, sopa. A maior demanda era por consumo no local. Ao fechar, acabou a venda". Ele afirma que houve um processo judicial durante o período em que locaram o prédio, nos anos de 2017 e 2018, mas depois de acordo com o proprietário e pagamento dos valores atrasados, a ação foi extinta e essa não foi a razão para o fechamento. Hoje, a empresa concentra as vendas na unidade da avenida Bady Bassitt. "Vamos ver o que está por vir, mas já se espera mais desemprego e maior retração na economia", disse. (LM)