VENDAS PARADAS

Vendas de veículos novos despencaram em Rio Preto

Com o fechamento das lojas, concessionárias de veículos de Rio Preto registram queda entre 70% e 80% nas vendas desde o início da pandemia de coronavírus; pelo menos 50 trabalhadores foram demitidos


André Luiz Silva, gerente da JS Marella: facilidades no pagamento dos veículos para tentar incrementar as vendas
André Luiz Silva, gerente da JS Marella: facilidades no pagamento dos veículos para tentar incrementar as vendas - Guilherme Baffi 18/5/2020

Com a proibição de funcionamento, as concessionárias de veículos de Rio Preto registraram queda nas vendas de até 70% desde o início da pandemia de coronavírus, no fim de março. A redução do faturamento implicou em redução de jornada, suspensão de contrato e até demissões de funcionários. É que com o atendimento apenas online as estruturas precisaram ser enxutas.

No Brasil, o temor com a situação econômica causada pela pandemia e a redução drástica nas vendas de carros novos fez com que a Fenabrave, a federação que reúne concessionários de todo o País, estimasse o fechamento de 30% das empresas do ramo no País. Isso significaria o fechamenton definitivo de cerca de 2,2 mil lojas até o fim de maio. Em Rio Preto, as concessionárias ouvidas pela reportagem confirmam queda nas vendas, mas negam que haja problemas de tal ordem.

Em apenas quatro concessionárias de veículos da cidade foram registradas ao menos 50 demissões. A maior parte delas na Euromotors, 18, como apurou o Diário. A empresa informou que não queria participar da reportagem.

Na Javep, segundo o supervisor de vendas Matheus Gonçalves da Silva, as vendas tiveram queda entre 70 e 80%. "A negociação online é mais complicada. Não tem test drive."

Na empresa, cerca de 15 pessoas foram demitidas e entre 20 e 30 tiveram o contrato suspenso neste período. "Observamos que quem tem comprado são pessoas que precisam mesmo ou aproveitando para fazer bons negócios." Na concessionária, o tíquete médio dos veículos está entre R$ 65 mil e 70 mil.

Segundo André Luiz Silva, gerente comercial de carro zero da JS Marella, a empresa tem atuado fortemente no contato com clientes pelas redes sociais. Ainda assim, as vendas tiveram queda de 70% e as demissões chegaram a nove pessoas. "O clima fica tenso quando mexe no bolso, mas temos tentando manter a motivação dos funcionários", disse, afirmando que também houve redução da jornada de trabalho em 25%.

Segundo ele, a produção na indústria voltou há uma semana, em cerca de 30% da capacidade e, um dos incetivos é voltado aos profissionais de saúde. Quem é da área está ganhando três anos de revisão gratuita. E, para ajudar a própria empresa, a montadora estendeu o prazo em 60 dias para que seja feito o pagamento dos carros que estão no estoque.

De acordo com Leandro Castro, gerente da Alpínia, a empresa também atua com a promoção para o pessoal da saúde e, como a JS Marella, coloca o pagamento da primeira parcela da mensalidade - para quem pagou 50% de entrada no carro zero - para 2021. "Estamos mantendo contato por e-mail, Whatsapp e SMS com os clientes. Estamos buscando diferentes formas e apresentando as promoções", disse.

Por enquanto, segundo ele, não houve registros de demissões, apenas de redução da jornada. Foram encerrados os contratos apenas de quem ainda estava em experiência. "Mas está difícil segurar todo mundo."

Segundo Castro, antigamente as vendas eram de quatro a cinco carros por dia. Hoje, é fechada uma a cada três e o principal público que tem comprado são os produtores rurais. "Estamos fazendo reuniões por skype com os vendedores para mantê-los animados. Não está sendo fácil, mas não queremos que se sintam perdidos."

Na Faria Veículos, de acordo com o gerente de vendas Ricardo Carolo, as vendas tiveram retração da ordem de 80% pós-pandemia. A consequência foi a demissão de oito pessoas até agora, mas não sem antes tentar as outras alternativas como férias coletivas e banco de horas. "Cinco gerentes estão com redução de jornada e também tivemos suspensão de contrato." São cerca de 50 contratos suspensos.

Segundo Carolo, a situação tem ficado insustentável e o ideal era que houvesse uma abertura gradual, com critérios, das empresas para evitar demissões, até porque as concessionárias de veículos não são locais em que se costuma aglomerar pessoas. "Nossa empresa não tem prolemas financeiros, mas aquelas que dependem de capital de giro não vão suportar", afirmou.

Justiça

Na sexta-feira passada, 15, O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou pedido de liminar apresentado pela concessionária Javep de Rio Preto, que ingressara com mandado de segurança contra determinações do governador João Doria (PSDB) e do prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), pedindo a reabertura da empresa ao público. A concessionária havia pedido a reabertura de todas as suas agências - Jaú, Marília, Rio Preto e São Carlos - para retomada de suas atividades de venda de veículos novos e usados.

(colaboraram Agência Estado e Rodrigo Lima)