MERCADO

Indústrias de aparelhos de ginástica fazem venda direta

Aumento na procura chegou a 50% durante distanciamento


Janaína França é frequentadora de academia e comprou kit para malhar em 
casa durante 
a pandemia
Janaína França é frequentadora de academia e comprou kit para malhar em casa durante a pandemia - Arquivo pessoal

Enquanto não podem frequentar academias em função das restrições impostas pela pandemia de coronavírus, os praticantes de atividades físicas estão procurando alternativas para manter a saúde em dia. E como também não é adequado usar as ruas, uma das saídas encontradas foi começar a comprar os equipamentos para treinar dentro de casa mesmo. A consequência desse movimento novo foi um incremento nas vendas de fábricas especializadas.

Em Rio Preto, em quatro fábricas de equipamentos e aparelhos para academia, foi necessário mudar o público-alvo das vendas para conseguir diminuir o impacto financeiro causado pelo fechamento dos serviços não essenciais, no caso as academias. Todas estão trabalhando com a venda direta para o consumidor final, ou seja, os principais clientes agora mudaram de donos de academias para as pessoas que as frequentam. Embora essa comercialização não garanta o faturamento normal - do período anterior à Covid-19, pelo menos é uma renda que continua entrando.

Três dessas fábricas, a Maxxi Corpus, a Race Gym e a Brasil Fitness Equipamentos, já realizavam esse tipo de comercialização direta, mas todas afirmaram que a procura aumentou em mais de 50% agora com a pandemia, visto que muitas pessoas não conseguem abandonar a rotina dos exercícios físicos. É difícil se adaptar apenas com os objetos de casa, portanto, comprar os itens para o treino individual dentro do ambiente domiciliar foi a melhor forma que muitos encontraram para manter a rotina.

Os produtos mais procurados neste momento pelos atletas que querem manter a qualidade de vida e fazer exercícios em casa são barras, anilhas, tornozeleiras, halteres, esteira e bicicleta ergométrica.

Caso o consumidor queira investir em diferentes itens, compensa procurar pelos kits prontos. Um kit com colchonete, wall ball, abmat, jump rope e bag sai por R$ 450,00 na Maxxi Corpus. Já na Fusion Fitness, o kit completo com três pares de caneleiras profissionais de um, dois e três quilogramas, 4 anilhas injetadas de um, dois e quatro quilogramas, 2 anilhas injetadas de dez quilogramas, 1 colchonete, 1 jump, 2 barras de 45 e uma de 50 centímetros sai por R$ 1.199,00.

Se a pessoa optar pelos produtos separados, os preços dos halteres, das anilhas e dos dumbells nas quatro empresas variam entre R$ 6,50 e R$ 12 por quilograma. Já a barra de 1,80 metro custa aproximadamente R$ 200,00 e a esteira profissional R$ 5 mil.

A indústria Race Gym começou a desenvolver alguns itens voltados para o treino doméstico que até então não tinham em linha. "Desenvolvemos um equipamento que se chama 'Mono Cross Over', que é multifuncional. Além disso, temos um 'Crossmith' e um flexor/ extensor em desenvolvimento. Os preços desses produtos variam de R$ 850 a R$ 2,3 mil", explica Marcelo Montalvão, dono da empresa.

A fábrica de equipamentos Fusion Life Fitness não trabalhava com a venda direta para os alunos e precisou se adaptar ainda mais, encontrando uma nova saída. "Como os proprietários das academias não estavam comprando, tivemos a ideia de atender os alunos. E foi isso que deu uma alavancada para nós. Mesmo assim, o faturamento não é igual ao anterior - estamos perdendo cerca de 70%", explica o gerente administrativo da empresa, Renato de Andrade Baltazar.

Nas quatro empresas de equipamentos, as vendas estão sendo realizadas por telefone, pelas redes sociais e pelos sites. A Fusion Life Fitness e a Maxxi Corpus estão entregando na residência. Já na Race Gym, a pessoa busca diretamente na loja. A Brasil Fitness entrega para outras cidades com a cobrança de frete, mas, em Rio Preto, o cliente também busca na loja.

Adaptação

Janaína França, 47 anos, estava acostumada a frequentar a academia todos os dias. Com a pandemia, precisou mudar seus hábitos, inclusive esse. Já na segunda semana de isolamento não aguentou ficar parada e foi atrás de alguns itens para continuar com os treinos em casa. Ela comprou duas caneleiras de nove quilogramas cada, uma corda, elásticos de tração e colchonete.

Ela conta que nada se compara com realizar as atividades físicas dentro da academia, mas que está conseguindo manter pelo menos uma rotina de exercícios parecida com a anterior. "Pretendo manter os equipamentos aqui em casa mesmo depois que acabar a pandemia para utilizar na época em que a academia fica fechada, como nos finais de ano, feriados e domingos."

(colaborou Ingrid Bicker)