LEVANTAMENTO

Isolamento 'custa' R$ 20 bi por semana

Secretaria projeta queda de 4,7% da economia, devido aos efeitos da pandemia


Impactos na economia: estudo indica que efeitos da quarentena não se dão somente para o período em que vigora, mas tem efeitos para os trimestres e anos posteriores
Impactos na economia: estudo indica que efeitos da quarentena não se dão somente para o período em que vigora, mas tem efeitos para os trimestres e anos posteriores - Edvaldo Santos/Arquivo

Um estudo da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, divulgado nesta quarta-feira, 13, estimou que o custo do isolamento social para a economia do País é de R$ 20 bilhões por semana.

Segundo o documento, os custos imediatos foram estimados a partir de um levantamento detalhado de informações para os 128 produtos da Tabela de Recursos e Usos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O isolamento social é defendido por autoridades sanitárias, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS), como forma de evitar propagação veloz da Covid-19 e o colapso do sistema hospitalar.

O estudo do Ministério da Economia afirma que os impactos econômicos podem ser decompostos em três pontos: impacto imediato diante das restrições à produção e ao consumo; duração do período de recuperação; e impacto sobre a trajetória de longo prazo da economia.

No caso do efeito sobre a trajetória de longo prazo da economia, o documento alerta que as projeções podem ser muito piores caso a paralisação dure por um período maior do que até 31 de maio.

A SPE destaca que os efeitos da quarentena não se dão somente para o período em que vigora, mas tem efeitos para os trimestres e anos posteriores.

Atualmente, a previsão é de reduções estruturais no nível do PIB de longo prazo de 5%, em comparação com o cenário de nenhum impacto no longo prazo, o que diminuiria o PIB semanalmente em quase R$ 5 bilhões no segundo semestre e em R$ 7,5 bilhões em 2021, considerando o cenário de retomada cíclica até o segundo trimestre do ano que vem.

Em caso de queda de 10% do PIB de longo prazo, as reduções semanais do PIB seriam de R$ 10 bilhões e R$ 14,1 bilhões para o segundo semestre de 2020 e para todo ano de 2021, respectivamente.

"Mais uma vez é necessário destacar que se considerou como hipótese base o caso de fim do período de isolamento social em 31 de maio de 2020. Caso o isolamento seja estendido os resultados seriam muito piores, e quanto maior a extensão do isolamento mais lenta deve ser a recuperação e pior a trajetória de longo-prazo, diante do aumento do impacto no endividamento da economia, e da falência de empresas e destruição de empregos", diz a nota da SPE.

'Pibinho'

A própria Secretaria de Política Econômica projeta queda de 4,7% da economia neste ano, devido aos efeitos da pandemia da Covid-19. Em janeiro, o Ministério da Economia previa crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Em março, início da crise gerada pelo coronavírus, a previsão era de estabilidade (0,02%). Estes números também foram divulgados nesta quarta, 13, no Boletim MacroFiscal.

"Provavelmente, a retração do PIB neste ano será a maior de nossa história. Não obstante, é fato que o efeito dessa doença aflige a grande maioria dos países. Conforme as projeções dos analistas econômicos, a queda na atividade será uma das maiores para muitos países desenvolvidos e emergentes no período pós-guerra. Desta maneira, a paralisação das atividades, deterioração do emprego e a piora no cenário internacional promoveram redução na projeção do crescimento brasileiro de 2020 para -4,7%, que anteriormente era de 0,0% - valor presente na Grade de Parâmetros de março de 2020", disse a publicação.

Para 2021, a previsão é que o PIB cresça 3,2%, ante a previsão anterior de 3,3%. Em 2022, a expectativa é de expansão de 2,6% e, em 2023 e 2024, 2,5% em cada ano.