RECESSÃO TAMBÉM POR LÁ

Taxa de desemprego real nos Estados Unidos já chega a 25%


A profunda recessão que os Estados Unidos enfrentam por causa da pandemia de coronavírus já levou a taxa de desemprego do país para perto de 25%, semelhante à registrada na Grande Depressão dos anos 1930. A afirmação é do professor Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em abril, tal indicador saltou para 14,7%, mas ele destaca que há mais 5% de pessoas desempregadas que as estatísticas oficiais apontam que "não estão trabalhando por outros motivos" e mais 5% que estão em desalento por causa da crise e, portanto, não buscam vagas no mercado.

O professor crê que a queda do PIB dos EUA neste ano será aguda, de 5,9%, como prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele destaca que o país ainda está longe de adotar medidas eficientes para combater a doença, como um aumento substancial de testes e rastreamento de pessoas contaminadas pelo novo vírus e também que é necessário a descoberta e administração de uma vacina. Para 2021, ele aponta que poderá ser registrado um crescimento de 2% do PIB, mas será uma marca baixa e insuficiente para reduzir a taxa de desemprego.

Para Eichengreen, o fator essencial para recuperação da economia dos EUA, alguns anos à frente, será a descoberta de uma vacina contra o coronavírus. Porém, está "cauteloso" de que tal vacina estará à disposição do público entre 12 e 18 meses, como apontam autoridades do governo. "Eu interpreto os comentários do Dr. Fauci (Anthoni, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alergias) da mesma forma que avalio as estimativas do FMI de que os EUA vão contrair 5,9% neste ano, pois são previsões no melhor cenário. O surgimento da vacina pode demorar metade do que Fauci prevê, mas também poderá nunca ocorrer."