PESQUISA IBGE

Com pandemia, setor de serviços tem queda recorde

Queda em função da pandemia superou até a marca na greve dos caminhoneiros


Pressões negativas mais intensas foram das empresas do ramo de alojamento e alimentação (-33,7%) e das empresas de transporte aéreo (-27,5%)
Pressões negativas mais intensas foram das empresas do ramo de alojamento e alimentação (-33,7%) e das empresas de transporte aéreo (-27,5%) - Visit Britain/Divulgação

Com o fechamento obrigatório de estabelecimentos de serviços não essenciais a partir da segunda metade de março em decorrência das medidas de isolamento para conter o avanço do coronavírus, o volume de serviços prestados no País teve queda recorde de 6,9% em março ante fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 12.

A queda foi a mais acentuada da série histórica iniciada em janeiro de 2011, superando até a taxa de -4,8% de maio de 2018, durante a greve dos caminhoneiros. A avaliação do IBGE é de que haverá piora nos meses de abril e maio, justamente porque o impacto da pandemia só foi sentido nos últimos dias de março. Passada a crise, a recuperação deve ser lenta, com menos empresas sobreviventes e menos demanda por conta do desemprego.

"Quando essa pandemia terminar, talvez nem todos os estabelecimentos consigam reabrir, vai depender da capacidade de conseguir se manter e também do impacto futuro do tamanho do desemprego. As pessoas que perderem emprego também não vão conseguir voltar ao ritmo de consumo que existia no pré-pandemia", previu Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE. "Quando o isolamento social tiver algum tipo de relaxamento, o ritmo de retomada será muito lento."

O pesquisador do IBGE menciona que os indicadores antecedentes já sinalizam quão profundo pode ser o impacto da Covid-19 na economia a partir de abril, mas pondera que, em algum momento, a base de comparação será tão baixa que esses efeitos de queda podem cessar.

Em março, o volume de serviços prestados recuou para o menor patamar da série histórica, iniciada em 2011. Todas as cinco atividades registraram perdas. Os destaques foram o tombo recorde de 31,2% nos serviços prestados às famílias e a queda de 9,0% nos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, a segunda perda mais intensa já registrada, atrás apenas da redução de 9,5% vista em maio de 2018 em função da greve dos caminhoneiros.

As pressões negativas mais intensas nesses segmentos foram das empresas do ramo de alojamento e alimentação (-33,7%) e das empresas de transporte aéreo (-27,5%) e transporte terrestre (-10,6%).

De fevereiro para março, os serviços profissionais, administrativos e complementares caíram 3,6%, a atividade de informação e comunicação encolheu 1,1%, e o setor de outros serviços diminuiu 1,6%.

Houve recuos nos serviços em 24 das 27 unidades da Federação, com destaque para São Paulo (-6,2%), Rio de Janeiro (-9,2%), Rio Grande do Sul (-11,0%), Distrito Federal (-10,9%) e Paraná (-5,4%). Os únicos impactos regionais positivos foram do Amazonas (1,9%), Rondônia (3,1%) e Maranhão (1,1%).

"Os resultados se referem aos últimos dez dias do mês de março. Isso significa claramente que se a gente tem um mês de abril todo paralisado e mais empresas podem ter sido afetados em maio, os efeitos tendem a ser mais intensos que foram nesses primeiros dias", lembrou Lobo.

Questionado sobre serviços prestados às famílias que passaram a ser considerados essenciais por decreto presidencial, como salão de beleza e academia de ginástica, Lobo explicou que eles não têm peso significativo no volume de serviços prestados no País, embora sejam intensivos em mão de obra.

"Não que não tenha havido perda de receita, houve sim. Mas serviços como cabeleireiro, academia, lavanderia têm um peso muito menor dentro da pesquisa de serviços", explicou.