CRISE

Exportações devem cair 12%, indica CNI

Já o Itaú Unibanco piorou projeção para o PIB: de queda de 2,5% para contração de 4,5%


Projeção é que as importações alcancem US$ 169 bilhões, ante US$ 192 bilhões projetado anteriormente
Projeção é que as importações alcancem US$ 169 bilhões, ante US$ 192 bilhões projetado anteriormente - Secretaria de Infraestrutura e Logística

A pandemia do novo coronavírus deve resultar em uma queda de US$ 25 bilhões nas exportações brasileiras em 2020. De acordo com projeção feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil venderá ao exterior US$ 205 bilhões, ante expectativa de US$ 230 bilhões feita no fim de 2019.

A estimativa para o saldo comercial passou de US$ 38 bilhões para US$ 36 bilhões. A projeção é que as importações alcancem US$ 169 bilhões, ante US$ 192 bilhões projetado anteriormente.

No Informe Conjuntural divulgado nesta segunda-feira, 11, a confederação espera ainda uma piora significativa no déficit primário brasileiro. A projeção passou de -1,30% para -9,47%. A expectativa para o resultado nominal foi de déficit de 6,40% para rombo de 15%. Com isso, aumentou a previsão para a relação dívida pública bruta/PIB, de 79,3% para 93,2%.

A entidade avalia que o governo precisa manter a busca pela redução da dívida e o equilíbrio fiscal para aumentar a confiança no País e atrair investimentos. "Para sair da crise de forma sustentada, o País precisa, mais do que nunca, eliminar o custo Brasil, com uma reforma tributária que crie um sistema mais eficiente e menos complicado", completa o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Previsão Itaú

Em meio à pandemia de coronavírus, o Itaú Unibanco piorou a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil este ano, de queda de 2,5% para contração de 4,5%, conforme relatório divulgado também nesta segunda, 11. Para 2021, a estimativa de crescimento também foi revisada para baixo.

Por trimestre, o Itaú espera queda de 2,1% do PIB no período de janeiro a março e contração de 10,6% no segundo trimestre, seguido de altas de 10,1% no terceiro trimestre e de 0,70% no último quarto do ano, considerando as comparações na margem, com ajuste sazonal. As projeções para a taxa de desemprego, por sua vez, foram elevadas: de 12,6% para 14% no fim de 2020 e de 12% para 13,7% no fim de 2021.

"A mudança foi causada por crescimento global mais baixo; propagação do vírus no Brasil ainda intensa e persistente; e expectativa de deterioração do cenário fiscal no Brasil, que gera condições financeiras menos estimulativas e reduz a capacidade da economia de retomar o crescimento depois que a epidemia passa", explica o banco.

O Itaú Unibanco também piorou significativamente as projeções fiscais no âmbito da crise provocada pelo novo vírus na revisão de cenário divulgada nesta segunda. O banco estima que deve haver aumento de gastos sociais no ano que vem, os quais devem ser parcialmente financiados pelo aumento de carga tributária.

O banco passou a prever déficit primário este ano de 10,2% do PIB, ou R$ 735 bilhões. Antes, a projeção era deficitária em R$ 590 bilhões, ou 8% do PIB. Para 2021, a expectativa de déficit foi elevada de R$ 70 bilhões (0,8% do PIB) para R$ 175 bilhões (2,2% do PIB).