SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
COLUNA DO DIÁRIO

Preso, Milton Ribeiro, que já rezou com Edinho e é amigo de Cabrera, vive seu ocaso político

Liderança importante da Igreja Presbiteriana Independente e membro do Conselho Deliberativo da Universidade Mackenzie, o ex-ministro da Educação de fato encarnava (e encarna) boa parte da pauta de costumes do bolsonarismo

Maria Elena Covre, Vinícius Marques e Marco Antonio dos Santos
Publicado em 23/06/2022 às 00:55Atualizado em 23/06/2022 às 14:27
Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação (Luis Fortes/MEC)

Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação (Luis Fortes/MEC)

Quando esteve em Rio Preto em agosto de 2021 para inaugurar o Instituto Federal, Milton Ribeiro era uma das estrelas do governo Jair Bolsonaro (PL). Liderança importante da Igreja Presbiteriana Independente e membro do Conselho Deliberativo da Universidade Mackenzie, o ex-ministro da Educação de fato encarnava (e encarna) boa parte da pauta de costumes do bolsonarismo.

Próximo de Antônio Cabrera, com quem sempre atuou nas instâncias superiores da Presbiteriana e do Mackenzie, o então ministro atropelou o prefeito Edinho Araújo (MDB) ao dar ao empresário rio-pretense o crédito da conquista que o trazia a Rio Preto naquele dia. Disse que o amigo pessoal foi fundamental para sensibilizar o governo no sentido de priorizar a obra.

Após a claque política deixar o local, Milton Ribeiro foi recebido por Edinho, outro fiel histórico da Igreja Presbiteriana Independente, com um almoço num espaço de acesso restrito do Instituto Federal. Lá, o então ministro puxou uma oração antes de comer, momento compartilhado com o prefeito e os poucos convidados.

Nesta quarta, 22, preso pela Polícia Federal por suposta criação de um esquema de pastores que pediam propinas a prefeitos para liberar verbas da Educação, Milton Ribeiro sentiu na pele como a linha que divide o céu e o inferno é tênue na política. E os “encantamentos” são fugazes.

O prefeito Edinho Araújo (MDB), por exemplo, quis distância do BO, que de fato não é dele. Questionado pelo Diário sobre o caso, o emedebista teve amnésia repentina do momento de fé professado com o ex-ministro: “Nem o conheço, não tenho detalhes”. E tratou de elogiar a PF: “Que as instituições cumpram seu dever e aqueles que fizeram o mal feito, que paguem pelo mal feito.”

NOTAS

REPÚDIO À BRUTALIDADE A diretoria e a Comissão de Mulheres da OAB de Rio Preto fizeram eco a manifestações da entidade na esfera estadual em repúdio às agressões físicas sofridas pela procuradora-geral da Prefeitura de Registro, Gabriela Samadello Monteiro de Barros (foto), desferidas pelo procurador Demétrius Oliveira de Macedo, ambos advogados e “colegas” de trabalho. Na manifestação pública, a entidade se disse “consternada com relação aos brutais atos de violência perpetrados”. “À vítima, toda a nossa solidariedade e sororidade. Mais uma vez, e sempre, reafirmamos o compromisso da nossa entidade de classe com a prevenção, o combate e o enfrentamento de todas as formas de violência que vitimizam milhares de mulheres a cada dia no nosso País”, diz trecho da nota de repúdio às absurdas cenas que, infelizmente, estão longe de ser fato isolado.

Sem sinal

Procurado pela Coluna para comentar a prisão do ex-ministro e amigo pessoal, Cabrera não se manifestou. Respondeu que está na Croácia e lá o sinal da internet é ruim. Bem relacionado com Bolsonaro, Cabrera foi apontado como um dos nomes que afiançaram a indicação de Milton Ribeiro para a Educação. Este, em seu depoimento à PF sobre o caso que o levou à cadeia, disse que atendeu os pastores pivôs do escândalo por orientação do presidente da República.

Sei de nada

A Coluna também procurou a direção local do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal e que abriga o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para avaliar possíveis impactos na campanha: “A orientação é que o assunto não tem absolutamente nada a ver com o Republicanos, portanto não faz nenhum sentido comentar”, respondeu a assessoria. Outro que não quis “advogar” sobre o caso foi o deputado federal Luiz Carlos Motta (PL).

Pouco estrago

Em avaliação de bastidores, no entanto, representantes ou apoiadores do bolsonarismo em Rio Preto não veem na prisão de Milton Ribeiro potencial para tirar votos de Bolsonaro dentro ou fora de igrejas evangélicas. Mas avaliam que o caso atrapalha o discurso dos candidatos do entorno bolsonarista de que são apoiados por um governo que não protagonizou escândalos de corrupção.

Positivou

Aliás, o deputado federal Luiz Carlos Motta testou positivo para Covid-19 nesta terça-feira, 21, em Brasília. Mas, segundo sua assessoria, o parlamentar “decidiu voltar a Rio Preto onde continuará trabalhando de forma remota” durante o isolamento compulsório.

Edinho coach

Durante a posse de agentes municipais de saúde na manhã desta quarta, 22, o prefeito Edinho Araújo (MDB) encarnou o coach motivacional. Em meio a um animado discurso, perguntou quem ama Rio Preto, pediu salva de palmas “para todos e todas” que estavam assumindo os postos de trabalho e citou as agruras vividas pelos servidores públicos.

Lamentou

Como não podia deixar de ser, o prefeito falou do espancamento físico e moral sofrido pela procuradora-geral da Prefeitura de Registro, Gabriela Samadello Monteiro de Barros, protagonizado pelo colega de trabalho Demétrius Oliveira Macedo, na segunda-feira, 20. “A moça era chefe do agressor, aquilo pode acontecer em qualquer ambiente”, disse ele.

Trevo

E segue o festival de anúncios de obras pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB), que tenta a reeleição. O tucano autorizou a construção de novo trevo de acesso na SP 425 - Rodovia Assis Chateaubriand, em Olímpia. O edital para a contratação do serviço foi publicado nesta quarta, 22, com previsão de investimento de R$ 38,5 milhões. O deputado federal Geninho Zuliani (União Brasil), claro, já está em campo buscando faturar os “créditos”.

REPÚDIO À BRUTALIDADE A diretoria e a Comissão de Mulheres da OAB de Rio Preto fizeram eco a manifestações da entidade na esfera estadual em repúdio às agressões físicas sofridas pela procuradora-geral da Prefeitura de Registro, Gabriela Samadello Monteiro de Barros (foto), desferidas pelo procurador Demétrius Oliveira de Macedo, ambos advogados e “colegas” de trabalho. Na manifestação pública, a entidade se disse “consternada com relação aos brutais atos de violência perpetrados”. “À vítima, toda a nossa solidariedade e sororidade. Mais uma vez, e sempre, reafirmamos o compromisso da nossa entidade de classe com a prevenção, o combate e o enfrentamento de todas as formas de violência que vitimizam milhares de mulheres a cada dia no nosso País”, diz trecho da nota de repúdio às absurdas cenas que, infelizmente, estão longe de ser fato isolado.

 
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