SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 14 DE AGOSTO DE 2022
COLUNA DO DIÁRIO

Estratégia dos CACs para eleger deputados, senadores e governadores passa pela região de Rio Preto

Grupo armado que já supera o contingente de policiais militares em todos os Estados quer eleger representantes nas eleições de 2022

Maria Elena Covre com Vinícius Marques
Publicado em 29/07/2022 às 00:15Atualizado em 29/07/2022 às 12:19
O presidente Jair Bolsonaro, que apoia os CACs (Divulgação/Presidência da República)

O presidente Jair Bolsonaro, que apoia os CACs (Divulgação/Presidência da República)

A estratégia dos CACs (colecionadores de armas, atiradores e caçadores) de eleger representantes na Câmara Federal, no Senado, nas Assembleias Legislativas e em governos estaduais nas eleições deste ano passa pela região de Rio Preto.

A “contribuição local” para “empoderar politicamente” o maior grupo armado do Brasil (1 milhão de integrantes), que já supera o contingente de policiais militares em todos os Estados (406 mil), ocorre por meio de candidatura e também por meio da mobilização de donos de clubes de tiro ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).

Até o momento, são ao menos 34 nomes ligados à Associação Proarmas na disputa a deputado federal no Brasil e 23 aspirantes a legislativos estaduais. O vereador Samurai Caçador, advogado, palestrante sobre o tema e presidente da Câmara de Monte Azul, é um dos “estandartes” (termo usado por ele) que vai às urnas por uma cadeira como deputado estadual.

Organizados, eles estruturam suas dobradas por áreas geográficas. Em Rio Preto, Caçador faz parceria com o deputado federal Coronel Tadeu. No entorno de seu domicílio eleitoral, a dobrada é com Eduardo Bolsonaro.

“O objetivo de fazer bancadas nas esferas políticas é garantir segurança jurídica que assegure a prática do esporte. A gente quer leis que assegurem as atividades dos CACs, independentemente do governo de plantão, ou seja, que vire uma política de Estado e não deste ou daquele governante”, declarou.

NOTAS

Clubes 1

Além da candidatura de Samurai Caçador, que tem feito em média duas palestras sobre o tema por semana, cujo título é “Caçador Legal”, outro núcleo forte ligado aos CACs na região está em Catanduva, liderado pelo empresário Ricardo Rebelato, dono de clubes de tiro no município e em cidades do entorno, aspirante a político e também ligado a Eduardo Bolsonaro. A maior parte das candidaturas no Estado ligadas ao discurso armamentista tem feito uma espécie de passagem obrigatória pelos domínios dele.

Clubes 2

Os CACs são vistos como o subterfúgio que o atual governo federal encontrou para armar a população. De 2019 para cá, o volume de pessoas que tiveram licença para uso de armas sob a justificativa de pertencer ao grupo saltou 300% no Brasil, passando de 300 mil para quase um milhão.

Guerra 1

Marcadas para o mesmo dia (neste sábado, dia 30), mesmo horário (10h) e na mesma cidade (São Paulo-Capital), as convenções que vão oficializar Rodrigo Garcia (PSDB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes estão provocando verdadeiras “operações de guerra” junto às bases partidárias com objetivo de mobilizar apoiadores anônimos e ilustres. É queda-de-braço por demonstração de força.

Guerra 2

Só em Rio Preto, o diretório municipal do Republicanos já tinha na tarde desta quinta-feira, 28, um ônibus grande fechado e 17 pessoas na fila de espera, além de 20 carros particulares que irão, segundo a organização, lotados para o Expo Center Norte, onde o evento em torno do ex-ministro vai ocorrer.

Guerra 3

A convenção em torno do governador Rodrigo Garcia será no Ginásio do Ibirapuera e também agita a cidade. O prefeito Edinho Araújo (MDB) confirmou presença, assim como uma leva de deputados que estão no palanque do tucano, entre os quais os deputados estaduais Carlão Pignatari (PSDB) e Itamar Borges (MDB) e os federais Geninho Zuliani (União Brasil), Luiz Carlos Motta (PL) e Fausto Pinato (PP).

Ausente

O deputado federal Eleuses Paiva (PSD), um dos interlocutores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos) junto a lideranças médicas, não participou do encontro do presidente com representantes do Conselho Federal de Medicina, nesta quarta, 27. Hospitalizada no Sírio Libanês, em São Paulo, a mulher dele deixou a UTI nesta quinta, 28. Ele adiou todos os compromissos para acompanhá-la.

Críticas

Por aqui, a reunião de Bolsonaro com a classe médica no Conselho Federal de Medicina provocou duras críticas de alguns médicos nas redes sociais, caso do virologista Maurício Lacerda. Isso porque o presidente foi aplaudido de pé depois de um discurso no qual defendeu tratamentos sem comprovação científica para a Covid, disse que não se vacinou contra a doença, atacou o STF e voltou a colocar a urna eletrônica em xeque.

PÃO COM PÃO

Costela política de Rodrigo Garcia (PSDB), e também “aparentado” do governador, o deputado federal Geninho Zuliani (União Brasil), na foto, decidiu dar corda à onda de especulações e chutes de que é cotado como um dos possíveis vices na chapa do tucano à reeleição. Ele sabe que não acrescenta nada ao aliado em termos de voto, uma vez que ambos são cria da mesmíssima bolha política, ou seja, vão oferecer ao eleitorado paulista um sanduíche de pão com pão, na opinião dos realistas. Já os escolados nas incoerências do mundo político não duvidam de mais nada. “É uma opção totalmente despropositada, mas nesse meio nada é impossível”, afirma interlocutor que observa as estratégias de dentro do vestiário. Ao fim e ao cabo, se rende holofotes, vale apostar na plantação, como manda a cartilha do bom marqueteiro político.

 
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