SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
COLUNA DO DIÁRIO

Empreiteira propõe assumir o loteamento Auferville, em Rio Preto

Emais Urbanismo, de Edson Tarraf, quer concluir o Auferville, imbróglio que se arrasta há 20 anos

Maria Elena Covre e Vinícius Marques
Publicado em 23/04/2022 às 20:33Atualizado em 24/04/2022 às 10:09
Entrada do loteamento Auferville 3, perto da Vila Azul (Guilherme Baffi 24/7/2019)

Entrada do loteamento Auferville 3, perto da Vila Azul (Guilherme Baffi 24/7/2019)

Um dos maiores imbróglios do setor imobiliário de Rio Preto, que se arrasta por mais de 20 anos, e cuja responsabilidade recai também sobre o poder público municipal, o Empreendimento Auferville ganha um novo personagem na tentativa de dar, enfim, uma solução às milhares de vítimas que buscam reparação por meio da Justiça.

Na seara dos empresários locais com maior poder de fogo no meio, Edson Tarraf, dono da Emais Urbanismo, entrou na complexa equação, que envolve ainda o Ministério Público e o Grupo Aufer, responsável pelo fatídico e gigantesco loteamento, aprovado no ano 2000, ainda na gestão Liberato Caboclo, com participação do ex-presidente da Câmara Eduardo Piacenti, falecido em 2018.

Questionada pela Coluna, a assessoria de imprensa da Emais Urbanismo afirmou que “a empresa apresentou no processo de Recuperação Judicial proposto pelo Grupo Aufer, deferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proposta de conclusão das fases do Empreendimento Auferville”.

No entanto, ainda segundo a assessoria de imprensa, “a viabilidade da proposta depende de esforços do próprio Grupo Aufer, da Prefeitura de Rio Preto e da homologação do plano proposto em assembleia de credores”.

Considerada pela Justiça como corresponsável, com o Grupo Auffer, pela reparação às vítimas, a Prefeitura de Rio Preto tem urgência numa solução que agrade ao MP, que tem pressionado por ações concretas neste sentido.

NOTAS

Separação...

O médico e executivo rio-pretense Pedro Batista Filho deixou o posto de CEO da Prevent Sênior, onde fez carreira meteórica como gestor. A saída dele ocorre na sequência de CPIs no Senado Federal, Assembleia Legislativa de São Paulo e Câmara Municipal de São Paulo, que investigaram supostas práticas irregulares da Prevent Sênior em relação à Covid-19, como fraude em causa de morte de pacientes e uso de medicamento considerado ineficaz nos pacientes.

… amigável

Segundo um amigo pessoal de Pedro Batista Filho, a saída dele da gestora de saúde, que tem planos inclusive de instalar serviços em Rio Preto, não se deve à crise gerada pelas investigações. “Pelo que sei, ele recebeu uma proposta irrecusável. Já estava sendo sondado. Mas, pelo que sei também, foi uma saída totalmente amigável. Nada a ver com o problema que enfrentaram”, disse a fonte à Coluna.

Deu ruim 1

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) desceu a tinta em contrato da Prefeitura de Rio Preto, assinado em dezembro de 2013 no valor de R$ 15,8 milhões, com a Constroeste. Celebrado na gestão Valdomiro Lopes (PSB), o contrato, que previa “preservação do meio ambiente e a prevenção de doenças epidemiológicas e pragas urbanas”, foi prorrogado até 2017 e teve seis aditivos, incluindo um de redução dos serviços previstos, em 2016.

Deu ruim 2

Eis que na última terça-feira, 19, a Segunda Câmara do TCE julgou irregular a concorrência, o contrato e, por tabela, todos os aditivos concedidos pelo município. Além disso, determinou multa de R$ 6,3 mil (equivalente a 200 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo - Ufesp) ao ex-secretário de Meio Ambiente Clinger Gagliardi, que homologou a licitação.

Deu ruim 3

Segundo a decisão do TCE, o edital não divulgou “informações essenciais”, como a frequência de realização dos serviços e detalhes sobre a roçada manual/mecanizada, nem a estimativa da quantidade de resíduos a serem destinados à central de reciclagem. Para o TCE, a falta dessas informações “prejudica a formulação das propostas”. A decisão também afirma que “não é aceitável” a justificativa de que “pouco importava às licitantes saberem qual o quantitativo mensal estimado desses resíduos”.

Sabonete

Fechado com Luiz Carlos Motta (PL), de quem sua mulher é assessora nomeada na Câmara Federal, o vereador Bruno Moura (PSDB) insiste em dizer que não tem ainda decisão sobre apoios nas eleições deste ano. O fato é que, na corrida a deputado estadual, ele criou expectativas em muitos dos políticos em campanha e não sabe agora como anunciar o escolhido e se justificar com os “preteridos”. Um deles, inclusive, teria longa lista de “ajuda” ao Projeto Maquininha, ao qual o tucano é umbilicalmente ligado.

Nem horta

No pente fino do governo Edinho Araújo (MDB) em relação a leis aprovadas pela Câmara, mesmo após veto do Executivo, não tem passado nem horta. O município entrou na Justiça com Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra iniciativa do vereador Renato Pupo (PSDB) que institui o programa de hortas comunitárias a ser implementado pela Prefeitura. Edinho argumentou “intromissão do Legislativo” e convenceu. O TJ suspendeu a vigência até o julgamento do mérito.

EQUILIBRISTA O deputado federal Geninho Zuliani (foto), do União Brasil, preferiu se equilibrar na tênue linha que divide posições apaixonadas, favoráveis ou contrárias, à condenação de Daniel Silveira pelo STF. “Como parlamentar, sei que o STF exerce a função de guardião da Constituição Federal. E não se pode deixar de cumprir as suas decisões finais, sob pena de causar uma rebelião que viola os preceitos do Estado Democrático de Direito”, afirmou ele. Sobre o indulto concedido por Bolsonaro, o exercício de ficar no muro foi ainda mais evidente. “Como já existe discussão no Supremo Tribunal Federal, aguardaremos o pronunciamento daquela Corte. A Câmara dos Deputados está defendendo a prerrogativa dos deputados quando interpôs recurso no STF para questionar se, no caso de condenação criminal, haverá ou não a perda imediata do mandato”, declarou. (Câmara dos Deputados)

 
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