SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 22 DE MAIO DE 2022
COLUNA DO DIÁRIO

Desafios do novo diretor do Deinter-5 vão além do assalto ao shopping e roubo de Rolex

Quando a emoção dos últimos fatos passar, José Luiz Ramos terá diante de si uma corporação com déficit de delegados, escrivães e investigadores

Maria Elena Covre e Vinícius Marques
Publicado em 15/01/2022 às 20:29Atualizado em 16/01/2022 às 08:16
Delegado José Luiz Ramos Cavalcanti assumirá o Deinter-5, em Rio Preto (Divulgação)

Delegado José Luiz Ramos Cavalcanti assumirá o Deinter-5, em Rio Preto (Divulgação)

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COLUNA DO DIÁRIO

Desafios do novo diretor do Deinter-5 vão além do assalto ao shopping e roubo de Rolex

Quando a emoção dos últimos fatos passar, José Luiz Ramos terá diante de si uma corporação com déficit de delegados, escrivães e investigadores

Maria Elena Covre e Vinícius Marques
Publicado em 15/01/2022 às 20:29Atualizado em 16/01/2022 às 08:16

Delegado José Luiz Ramos Cavalcanti assumirá o Deinter-5, em Rio Preto (Divulgação)

De tédio o veterano delegado José Luiz Ramos Cavalcanti não morre. Ele que, salvo reviravoltas de última hora, deixa nos próximos dias a Delegacia Seccional de Barretos para responder pelo Deinter-5, em Rio Preto, chega ao cargo no calor dos midiáticos e assustadores acontecimentos desta sexta-feira, 14, que, por ora, dividem com a Covid a atenção da população.

Criminosos armados entraram num dos mais requintados shoppings da cidade, lotado numa sexta-feira à noite, roubaram uma joalheria e provocaram pânico.

Seis horas antes, em plena luz do dia, uma empresária havia sido rendida por dois homens armados quando caminhava até um restaurante no bairro Redentora. Ela levou coronhadas na cabeça e chutes no corpo até conseguir tirar dos punhos o relógio Rolex que os ladrões queriam. Nos dois casos, aquele tipo de abuso em que a bandidagem sapateia na cara da sociedade.

Os dois fatos não são regra em Rio Preto, mas, ainda assim, fomentam cobranças em relação à segurança pública, responsabilidade do Estado, e cuja pressão recai nas forças policiais próximas do cidadão: as polícias Civil e Militar.

Quando a emoção dos últimos fatos passar, José Luiz Ramos terá diante de si uma corporação com déficit de delegados, escrivães e investigadores, além de uma estrutura física constantemente colocada em xeque e de cobranças por perdas salariais da categoria. Isso num universo de 96 municípios que estarão sob sua responsabilidade.

NOTAS

OSSOS DO OFÍCIO De plantão, o promotor de Justiça Sérgio Clementino levou um susto quando foi acordado às 4 horas deste sábado, 15, para dar parecer no pedido de prisão de suspeitos do assalto ao Shopping Iguatemi, que foi decretada pelo juiz Tiago Octaviani logo em seguida. “Há 30 anos fazendo plantão nunca tinha acordado de madrugada para algo do gênero. É uma situação diferente, foge do cotidiano”, disse o promotor, que rasgou elogios às forças policiais de Rio Preto. "Nossa polícia sempre apresenta bons resultados. Neste caso, na madrugada já tinha duas pessoas presas.”

Falta gente

A Delegacia Seccional de Rio Preto deveria atuar com 626 policiais, mas conta com apenas 339, de acordo com os últimos dados de 2021 informados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

De quebra

De quebra, o novo titular do Deinter-5 terá de “elevar o moral e alinhar o discurso” da corporação, cujos desencantos com as dificuldades diárias e salários defasados são expostos sem medo. O que, inclusive, foi um dos fatores que levaram à derrubada de João Pedro Arruda do cargo em que ele se equilibrou por 11 anos.

Quem dá mais

Com o fim do mistério entre os policiais civis sobre quem substituiria João Pedro Arruda, as especulações, agora, se dão no mundo político: tem gente rastreando a vida do novo titular do Deinter na expectativa de descobrir, pelo seu DNA profissional, quem é o pai da criança, ou seja, quem o indicou para o cargo. Por sair de Barretos, as apostas são mais altas para o deputado federal Geninho Zuliani (DEM). Mas há controvérsias...

Marcou posição

O prefeito de Rio Preto em exercício, Orlando Bolçone (DEM), se posicionou logo cedo, neste sábado, 15, sobre o rumoroso assalto ao Shopping Iguatemi, solidarizando-se com clientes, lojistas e funcionários. “Infelizmente, a violência atinge e ameaça a população. E precisa ser combatida sem trégua. Graças ao trabalho competente e ágil dos policiais civis, militares e da Guarda Civil Municipal de Rio Preto, os criminosos foram presos e não houve vítimas”, afirmou.

Ajuda aí

Antes da manifestação sobre o assalto, Bolçone visitou o presidente do Serviço Social São Judas e coordenador diocesano de pastoral, padre Luiz Caputo. Entre vários assuntos discutidos, o prefeito em exercício pediu a ajuda dos padres ligados à Diocese de Rio Preto na conscientização da população sobre importância da vacina contra a Covid.

Perigo 1

Não foi só força de expressão quando o prefeito licenciado Edinho Araújo (MDB) falou na sexta-feira, 14, que o coronavírus está cada vez mais próximo de todos. Há dezenas de funcionários da Prefeitura, que trabalham na sede do Executivo, afastados pela doença ou por suspeita. Apenas na Procuradoria-Geral do Município são 14, entre procuradores e assessores. O titular da pasta, Luís Roberto Thiesi, acabou de voltar de férias e ficou impressionado com o desfalque que encontrou.

Perigo 2

Outras pastas, como a de Comunicação, também estão com funcionários afastados. Fala-se na Prefeitura em adotar novamente o modelo de trabalho remoto. Decisão que ficará a cargo nos próximos dias de Bolçone, prefeito em exercício.

 
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