SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2022
ARTIGO

Uma incerteza depois da outra

Celso Ming
Publicado em 04/12/2021 às 21:58Atualizado em 04/12/2021 às 22:21
Celso Ming

Celso Ming

Seção exclusiva para assinantes. Assine para ter acesso ilimitado.

Já sou cadastrado.

Quero ter acesso ilimitado.

ARTIGO

Uma incerteza depois da outra

Celso Ming
Publicado em 04/12/2021 às 21:58Atualizado em 04/12/2021 às 22:21

Celso Ming

O ser humano nasce e já se sente ameaçado. A emoção primordial é o medo, como já identificara Thomas Hobbes, no século 17.

Uma das principais fontes do medo são as incertezas - é o diabo que está por perto, mas é invisível. "No escuro, some a confiança (sublata lucerna nulla est fides)", advertia o poeta Catullo, no século 1 antes de Cristo.

A economia brasileira vive hoje um quadro especialmente carregado de incertezas, que turva o horizonte e põe as pessoas na defensiva. E quando prevalece a defensiva, as mesmas incertezas parecem ainda maiores.

A incerteza mais recente é a nova cepa do coronavírus, a variante Ômicron. Suspeita-se de que seja altamente transmissível, que ataca até mesmo os totalmente vacinados. Mas ainda há dúvidas sobre seu grau de letalidade e se as atuais vacinas serão capazes de combatê-la.

Daí seguem-se outras incertezas: até que ponto será preciso exigir o distanciamento social, o recesso de empresas e o quanto a atividade econômica voltará a ser paralisada?

Outras incertezas já estavam no radar. Até agora não foram normalizados os fluxos de mercadorias em escala global. Grande número de indústrias não consegue produzir porque insumos e peças não chegam às linhas de montagem. Com base nisso, muitos países fixaram políticas protecionistas.

A inflação continua corroendo o poder aquisitivo no mundo todo, especialmente no Brasil. Os bancos centrais já começaram a puxar pelos juros e deverão aprofundar essa política - o que contribuirá para frear o consumo e a produção. Mas, pelo menos na área do petróleo, já se vê recuo acentuado nos preços. Se essa tendência se confirmar e vier a ser reforçada, boa parte da inflação de custos pode regredir, inclusive no Brasil. Mas esta também não constitui uma certeza. Apenas uma tensão a mais, digamos assim.

E voltando ao Brasil, não há nenhuma segurança de que as reformas sejam votadas num ano eleitoral. O rombo das contas públicas tende a se alargar. É possível que auxílios emergenciais reduzam os estragos no consumo produzidos pelo desemprego e pela perda de renda, mas não a ponto de viabilizar forte avanço do setor produtivo. O agronegócio pode descolar-se do quadro recessivo, mas a indústria tende a continuar prostrada e pressionada com aumento de preços e falta de insumos.

O debate eleitoral e, mais do que isso, o jogo político miúdo podem espalhar mais neblina na paisagem. A Pesquisa Focus prevê avanço do PIB em 2022 de apenas 0,58%. O gráfico mostra como as expectativas para o PIB e para o IPCA (inflação) foram se deteriorando com o aumento das incertezas políticas e fiscais.

 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por