SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2022
ARTIGO

Paradeira do PIB

Celso Ming
Publicado em 03/12/2021 às 22:12Atualizado em 03/12/2021 às 22:22
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Paradeira do PIB

Celso Ming
Publicado em 03/12/2021 às 22:12Atualizado em 03/12/2021 às 22:22

Celso Ming

O rato roeu o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em V, que o ministro Paulo Guedes tanto parecia acreditar.

A foto da atividade econômica do terceiro trimestre revelada pelas Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de queda de 0,1% em relação à do trimestre anterior. No acumulado em 12 meses, é avanço de apenas 3,9%.

Se o termo correto para qualificar a atividade econômica é estagnação, então, junto com essa inflação que vai para dois dígitos por ano, a economia está no campo da estagflação, como reza o jargão dos economistas.

Alguns fatores agravaram o quadro em relação ao anteriormente esperado: a persistência da pandemia; a crise hídrica que derrubou as safras do período e produziu alta dos preços da energia elétrica; a disparada dos preços do petróleo que se seguiu à retomada da economia global; a perda de poder aquisitivo pela inflação e pelo desemprego; e, mais que tudo, a desorganização das contas públicas, que envolveu a política econômica numa onda de desconfiança e conteve os investimentos.

O presidente Bolsonaro só pensa naquilo (reeleição), desistiu de estimular as reformas, não consegue aprovar nem mesmo mudanças cosméticas do Imposto de Renda e não cuidou de promover acordos comerciais para criar mercado para a indústria - que segue estagnada.

Desta vez, até mesmo o agro levou um baque: queda de 8,0% em relação ao trimestre anterior. Esse mergulho tem a ver com o período de seca que atingiu as plantações. O tom levemente positivo foi mostrado pelo setor de serviços, que avançou 1,1%. Mas, atenção, convém não fazer olho grande nesse particular. Os serviços cresceram sobre uma base fortemente deprimida, porque foi o setor mais atingido pela pandemia. E, mais, é uma das áreas em que a inflação tem feito grandes estragos.

Para não ficar apenas com a imagem de retrovisor, convém olhar para o que vem vindo aí, o que não desperta entusiasmos fora do círculo do ministro.

É possível que o ano termine com um crescimento algo abaixo dos 5%, apenas aparentemente alto. Ele foi contado a partir da derrubada de 2020. O tamanho do PIB hoje não ultrapassou o de antes da pandemia.

Para 2022, as perspectivas não são lá essas coisas. Grandes instituições, consultorias e empresas já fecharam seus planos com o breque puxado. A Pesquisa Focus, do Banco Central, que ausculta as expectativas dos mais importantes centros de planejamento e negócios, prevê um PIB flagelado pelas incertezas, de avanço de apenas 0,58%.

A variante Ômicron e a falta de entusiasmo também não ajudam. O Brasil continua maior que o buraco, mas isso é pouco para quem precisa tirar o atraso e resgatar a população da miséria e do desemprego.

 
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