SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 16 DE OUTUBRO DE 2021
ARTIGO

Não à inflação!

Naqueles tempos, a incompetência dos responsáveis pela elaboração e implementação das políticas econômicas só contribuía para criar um cenário marcado por sucessivas crises econômicas internas

Ademar Pereira dos Reis Filho
Publicado em 20/09/2021 às 22:13Atualizado em 21/09/2021 às 00:24
Ademar Pereira dos Reis Filho

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Não à inflação!

Naqueles tempos, a incompetência dos responsáveis pela elaboração e implementação das políticas econômicas só contribuía para criar um cenário marcado por sucessivas crises econômicas internas

Ademar Pereira dos Reis Filho
Publicado em 20/09/2021 às 22:13Atualizado em 21/09/2021 às 00:24

Ademar Pereira dos Reis Filho

No início deste semestre, mais precisamente no dia 1º de julho, o Plano Real completou 27 anos. Infelizmente, desde que a pandemia começou, tem sido difícil para uma parcela significativa de brasileiros encontrar algum motivo para comemorar. Nesta parcela, incluem-se os mais de 14 milhões que continuam desempregados e outros tantos milhões de brasileiros e brasileiras que, dia após dia, ficam mais expostos à vulnerabilidade e à exclusão social, seja em razão das consequências provocadas pelo baixo crescimento econômico, seja pela ineficácia das políticas públicas que deveriam combater a miséria e a pobreza por aqui.

Além destes, é claro, deve-se mencionar os familiares das mais de 590 mil pessoas que perderam a vida em decorrência de complicações provocadas pela Covid-19. Apesar da falta de “clima” para lembrar e comemorar o aniversário de um plano econômico, não há como esquecer, ou melhor, não se deve esquecer como são cruéis os efeitos provocados pela inflação.

Toda a geração de brasileiros que nasceu a partir da década de 1990, não tem muita noção de como a inflação pode ser devastadora para um país. Só para se ter uma ideia, de dezembro de 1979 a junho de 1994 (mês anterior a implantação do Real), a inflação acumulada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA/IBGE, chegou a inimagináveis 13.342.346.717.617,70%. Isso mesmo! Em quinze anos, a inflação acumulada superou os 13,3 trilhões por cento. Nesse período, o país teve 13 ministros da Fazenda, 5 moedas (Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro e Cruzeiro Real) e nove zeros foram retirados da moeda. No caso específico da inflação, conceitualmente falando, ela é “um aumento contínuo e generalizado de preços”. E é este tipo de comportamento dos preços que vem ocorrendo, de forma preocupante, nos últimos meses. Junto com este comportamento, vem a drástica redução do poder aquisitivo das famílias de baixa renda.

O período da tragédia econômica, anteriormente descrito, começou em dezembro de 1979, quando a inflação mensal ficou pouco acima de 6%. Em 1993, a inflação anaul acumulada superou a insana marca de 2.700%.

Neste ano de 2021, até o mês de agosto, a inflação acumulada nos últimos doze meses está acima de 10% em várias das regiões metropolitanas do Brasil. Não há, portanto, como não ligar o sinal de alerta, nem como não recordar os difíceis tempos de inflação fora do controle.

Naqueles tempos, a incompetência dos responsáveis pela elaboração e implementação das políticas econômicas só contribuía para criar um cenário marcado por sucessivas crises econômicas internas que, rapidamente, provocavam desvalorização monetária e impactavam diretamente no aumento da inflação. Eram tempos de inflação inercial, hiperinflação, emissão de moeda sem lastro, indexação alucinada, maxidesvalorização e, o que é pior, de uma profunda demonstração, por parte dos governantes, de falta de respeito ao povo brasileiro.

Depois de 27 anos, a conta da incompetência política e da falta de repertório intelectual, para lidar com a crise econômica, não pode mais ser simplesmente transferida para a parcela da população que continua na luta, apesar do luto, e que persiste, apesar do fantasma da vulnerabilidade social estar sempre à espreita. As gerações que sobreviveram à incompetência política, antes do Plano Real, bem como, as gerações que nasceram depois dele, não merecem passar por tudo aquilo que aconteceu até 30 de junho de 1994, outra vez.

Ademar Pereira dos Reis Filho, Docente da Fatec de São José do Rio Preto

 
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