SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2022
ARTIGO

2022: ano do biocentenário

Brasil prepara mais uma contribuição decisiva para a inevitável substituição dos combustíveis fósseis. A indústria automotiva e a academia abrem caminho para que o etanol seja novamente protagonista

Jacyr Costa Filho
Publicado em 12/01/2022 às 00:57Atualizado em 12/01/2022 às 01:13
Jacyr Costa Filho

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2022: ano do biocentenário

Brasil prepara mais uma contribuição decisiva para a inevitável substituição dos combustíveis fósseis. A indústria automotiva e a academia abrem caminho para que o etanol seja novamente protagonista

Jacyr Costa Filho
Publicado em 12/01/2022 às 00:57Atualizado em 12/01/2022 às 01:13

Jacyr Costa Filho

Este ano, vamos ser lembrados com frequência das grandes realizações ao longo de nossos primeiros 200 anos como nação independente e também, por ser um ano eleitoral, dos inúmeros e importantes desafios que ainda precisamos superar. É uma ótima oportunidade para resgatarmos um sucesso marcante e genuinamente brasileiro no campo energético, que agora será a base de uma verdadeira revolução, fundamental para a transição energética já em andamento no setor de transportes.

Os mais jovens não presenciaram as duas crises globais do petróleo a partir da década de 70, quando a produção petrolífera do país era ínfima e a maior parte do que era consumido era importada. Sob risco de quebra financeira e paralisação da vida nacional, a resposta brasileira foi o Proálcool, viabilizado pela criatividade, empenho e engajamento do setor sucroenergético que ampliou fortemente a produção do etanol, da indústria automotiva que introduziu o então ‘carro a álcool’, do governo, que demonstrou raro entrosamento para agilizar medidas essenciais no curto prazo, e do consumidor brasileiro, que adotou o combustível verde e amarelo com entusiasmo. No auge, a frota brasileira de veículos leves ‘movidos a álcool’ chegou perto de 90% dos automóveis em circulação no país.

Agora, a ameaça é global e o Brasil prepara mais uma contribuição decisiva para a inevitável substituição dos combustíveis fósseis na mobilidade. A indústria automotiva e a academia abrem caminho para que o etanol seja novamente protagonista, agora para enfrentarmos as mudanças climáticas. Estuda-se na Unicamp, sob a supervisão do renomado pesquisador Gonçalo Pereira, o desenvolvimento em parceria com a Volkswagen de células combustíveis para a eletrificação de veículos, usando-se o etanol para carregar suas baterias.

É um cenário que se repete e cresce nos laboratórios, nas linhas de montagem e no agronegócio, com o biocombustível brasileiro como base sólida na busca de maior eficiência energética e, ao mesmo tempo, redução das emissões de GEEs. Caminha-se, assim, para uma nova declaração de independência, desta vez de cunho energético, liberando gradativamente o país da dependência por petróleo e gás natural, hoje responsáveis por 44,9% de nossa matriz energética.

É uma movimentação presente em mais de 60 países, com destaque para o crescimento do uso do etanol em dois gigantes – Índia e China. O exemplo mais recente é a Nova Zelândia, onde o uso de biocombustíveis em carros e caminhões será obrigatório a partir de 1º de abril de 2023. A ministra de Energia e Recursos, Megan Woods, projeta a mitigação de cerca de um milhão de toneladas de CO2 nos primeiros três anos.

Em 2022, portanto, ao celebramos o bicentenário da Independência, devemos nos lembrar também do pioneirismo brasileiro pela Revolução Verde, sucesso muito antes da crise climática se tornar preocupação mundial.

Jacyr Costa Filho, Presidente do Cosag - Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e sócio da Consultoria Agroadvice.

 
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