Produção chilena 'Fuego Rojo' estreia nesta quinta no Anfiteatro da Represa
Espetáculo chileno de circo-teatro inspirado na trilogia ‘Memórias do Fogo’, do escritor Eduardo Galeano, tem sessão nesta quinta, 28, às 19h, no Anfiteatro da Represa

Quem ainda não assistiu a nenhum espetáculo no Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT) tem uma ótima opção. Trata-se da produção chilena “Fuego Rojo”, que tem como inspiração a trilogia “Memórias do Fogo”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. A peça será encenada nesta quinta-feira, 28, às 19h, no Anfiteatro Nelson Castro, no Parque da Represa, e também no sábado, 30, às 19h, na ECO Santo Antônio. A entrada é gratuita nas duas apresentações.
“Fuego Rojo” é uma produção do Colectivo La Patogallina, um dos grupos que são referência de teatro de rua no Chile. Com quase três décadas de trajetória, marcada por produções que exploram inúmeras linguagens artísticas, o coletivo chileno fará a estreia brasileira de “Fuego Rojo” no FIT 2022. No palco, o grupo recorre ao teatro físico, à manipulação de objetos, ao circo contemporâneo e à música para a construção de passagens oníricas para fazer a adaptação teatral de “Memórias do Fogo”.
Os atores Francisca Arce, Ursula Campos, Francisca Artaza, Valentina Weingart, Alex Carreño, Matias Burgos e Juan Ferino integram o elenco da produção de Santiago, no Chile. A ideia original e dramaturgia são assinadas pela dupla Martin Erazo e Leandro Mendoza. No espetáculo, um funeral se transforma em festa pagã e um caixão se torna um portal por onde sopram as vozes de Atahualpa e Jemanya. Os ritos do Yawar e das almas são desenhados em uma ópera rústica que se apresenta como uma miragem diante do público.
Tema atual em pauta
O festival prima pela experimentação de linguagem e difunde, especialmente, trabalhos que trazem elaborações estéticas rigorosas para os temas mais urgentes do tempo em que se inserem. Um bom exemplo desta característica é a escolha do espetáculo “Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui”, produção que reflete sobre mortes violentas da juventude negra no Brasil.
Trazendo para o centro da cena o genocídio da juventude negra no país a partir de relatos verídicos de mães de vítimas de violência policial, a produção, com texto de Marcia Santos, que integra o elenco, e direção de Édio Nunes, ainda tem entradas disponíveis nesta quinta, 28, e sexta-feira, 29, às 21h, no Teatro Paulo Moura. Os ingressos, que custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), podem ser comprados nas unidades do Sesc e na bilheteria do Graneleiro no Complexo Swift.
“Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui” cruza as histórias coletadas com a vida da personagem-título, nascida no início do século 19, mãe do advogado abolicionista e jornalista Luiz Gama, vendido como escravo pelo próprio pai. A peça é estruturada em monólogos que, distribuídos entre quatro atrizes, buscam formar uma narrativa única, apresentando situações como a chegada da notícia de um filho assassinado, o interrogatório policial, o reconhecimento do corpo no lML, a abordagem policial nas comunidades pobres, traumas e doenças provenientes das perdas violentas, além de sentimentos como revolta, culpa e solidão.
Ao mesmo tempo em que coloca Mahin como uma voz ancestral que, conhecendo a dor da ausência de um filho, surge para acalentar suas semelhantes, o trabalho coloca em perspectiva a questão das perdas sociais representadas pela morte desses jovens, ao traçar um paralelo com a bem-sucedida trajetória de Gama. Isso porque provoca reflexões sobre qual poderia ter sido o curso de vida pessoal e social de cada vítima de morte violenta.
“Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui” é uma produção da Quintal das Artes - Cultura e Entretenimento, no Rio de Janeiro. A idealização e produção é de Cyda Moreno. Completam a equipe artística Jorge Maya (direção musical), Wanderlei Gomes (figurinos e adereços), Regina Café (percussão), as atrizes Márcia do Valle e Taís Alves e o ator Jonathan Fontella.
Leitura dramática
O FIT 2022 recebe a 3ª edição do Projeto de Internacionalização de Dramaturgias, uma iniciativa do Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil. A atividade constrói uma parceria com os Países Baixos, envolvendo artistas brasileiros de diferentes regiões do Brasil na tradução de obras holandesas, que ganharam publicação em livro.
O lançamento da “Coleção da Dramaturgia Holandesa”, publicada pela Editora Cobogó, será realizado nesta quinta-feira, 28, às 21h, no teatro de bolso da Casa de Cultura. Na oportunidade, será realizada a leitura dramática de uma das obras holandesas que ganharam tradução em língua portuguesa: “Ressaca de palavras” (Spraakwater), texto de Frank Siera e tradução de Cris Larin. A leitura dramática será feita por três artistas: Alexandre Melinsky, Bha Prince e Vanessa Cornélio.
Programação
“Edifício Cristal” (Cia Incomode-te, de Porto Alegre/RS)
- Hoje, 9h às 12h e 14h às 17h, na Biblioteca Municipal (Gratuito)
“Vermelhinhos” (Hecatombe, de Rio Preto)
- Hoje, às 15h e 19h, no Teatro do Sesi (Gratuito)
“Virado à Paulista” (Cênica, de Rio Preto)
- Hoje, às 16h30, na Represa Municipal - AME (Gratuito)
“Fuego Rojo” Colectivo La Patogallina, de Santiago/Chile)
- Hoje, às 19h, no Anfiteatro Nelson Castro (Represa Municipal) (Gratuito)
“Alegria de Náufragos” (Grupo Ser Tão Teatro, de João Pessoa/PB)
- Hoje, às 19h, no Teatro Municipal Nelson Castro (Esgotado)
“Luiza Mahin ...Eu Continuo Aqui” (Quintal das Artes, do Rio de Janeiro/RJ
- Hoje, às 21h, no Teatro Municipal Paulo Moura (Ingressos disponíveis)
Leitura Dramática e Lançamento da Coleção Holandesa - Ressaca de Palavras (Frank Siera, Katwijk/Holanda, Cris Larin/Rio de Janeiro/RJ)
- Hoje, às 21h, na Casa de Cultura Dinorath do Valle (Gratuito)
Programação diversa
- Hoje, das 22h às 3h, no Graneleiro – Swift (Gratuito)
Informações: www.fitriopreto.com.br/2022