Projeto do #EmCasaComSesc apresenta 'Medeia Negra'

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Projeto do #EmCasaComSesc apresenta 'Medeia Negra'

Desde maio, o projeto apresenta uma nova transmissão ao vivo, direto da casa do artista


'Medeia Negra
'Medeia Negra"', com Márcia Limma, foi apresentado no ano passado, no Teatro Humberto Sinibaldi Neto, pelo FIT Rio Preto - Adeloyá Magnoni /Divulgação

O Sesc São Paulo promove, desde maio, a série Teatro #EmCasaComSesc, com a transmissão de diferentes trabalhos cênicos, direto da casa dos artistas, sempre às segundas, quartas, sextas e domingos, às 21h30. Há mais de três meses no ar, a série já apresentou 61 espetáculos. Nesta semana, o projeto exibe ao público os espetáculos "Medeia Negra",protagonizado por Márcia Limma, "Um dia a Menos", atuação de Ana Beatriz Nogueira e "Ele Precisa Começar", com Felipe Rocha. As sessões são exibidas no www.instagram.com/sescaovivo/  e youtube.com/sescsp.

Partindo de uma leitura própria do mito de Medeia e da invisibilização da voz feminina, "Medeia Negra", com a atriz Márcia Limma, nesta quarta-feira, 2, traz o patriarcado como uma metáfora das mortes que as mulheres negras são obrigadas a carregar. A peça, que está há dois anos em cartaz, traz a interculturalidade e referências afro diaspóricas, por meio de arquétipos das divindades como Nanã, Iansã, Exu e Omolu. No tempo passado, presente e futuro, a personagem desconstrói o mito para convocar as mulheres à retomada do poder. A ancestralidade e a evocação aos cânticos negros de libertação disparam um embate entre público e personagem, a partir das reflexões levantadas.

O solo de Márcia Limma, nona montagem do Grupo Vilavox, começou no interior do estado da Bahia, em 2018, passando por diversas cidades brasileiras e chegando até a Alemanha, além de ter sido apresentado no FIT - Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto. A direção é de Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (RS), com dramaturgia de Márcio Marciano e Daniel Arcades. Márcia Limma é atriz, cantora e performer, e nasceu no bairro de Pituaçu, em Salvador (BA). Filha de uma empregada doméstica, conheceu o mundo levada pelo teatro, seu ofício e paixão.

Comemorando 35 anos de carreira, a atriz Ana Beatriz Nogueira apresenta o solo "Um Dia a Menos", que será apresentado na sexta-feira, 4. Adaptação do conto homônimo de Clarice Lispector (1920-1977), com direção de Leonardo Netto, a peça acompanha a história de Margarida, uma mulher às vezes engraçada, às vezes patética, que traz uma humanidade à flor da pele. A personagem vive só, desde que sua mãe morreu, na mesma casa onde nasceu e cresceu.

Na história, ela cumpre seus rituais diários, esquenta sua comida, almoça, torce para que o telefone toque, e vai buscando o que fazer até a hora do jantar, quando finalmente anoitece e pronto, um dia a menos. Até que, esgotada pela repetição infinita, Margarida tem um rompante inesperado. Em tom intimista e com economia de recursos, Ana Beatriz Nogueira utiliza apenas uma poltrona, uma mesa de apoio e um telefone para chegar ao essencial do teatro: o ator e a ideia central contida no texto. Classificação: 14 anos.

Já domingo, 6, Felipe Rocha, do grupo Foguetes Maravilha, recebe o público para a apresentação de "Ele Precisa Começar", primeiro texto escrito pelo ator. A peça conta a história de um homem de 35 anos, fechado em um quarto de hotel, numa segunda-feira de folga, que se dispõe a começar a escrever uma narrativa ficcional. Como não tem nada planejado, escolhe a si mesmo e ao seu quarto de hotel como ponto de partida para sua história. A partilha com os espectadores do processo de criação da escrita desse texto se mistura às situações que o autor enfrenta ao ver-se abduzido pelos universos e personagens que cria. A direção do espetáculo é do próprio ator, em parceria com Alex Cassal, e a classificação é 12 anos.