Rio-pretense lança livro sobre Flavio La Selva, o fundador da Gaviões da Fiel

LITERATURA

Rio-pretense lança livro sobre Flavio La Selva, o fundador da Gaviões da Fiel

Durval de Noronha Goyos Júnior, em parceria com Wanda La Selva, lançou o livro em Portugal, na Feira do Livro de Lisboa, na Festa do Avante e na Embaixada de Cuba


Advogado, professor, jornalista e escritor, Durval de Noronha Goyos Jr. resgata história de Flávio La Selva
Advogado, professor, jornalista e escritor, Durval de Noronha Goyos Jr. resgata história de Flávio La Selva - Arquivo Pessoal

O rio-pretense Durval de Noronha Goyos Júnior é um escritor eclético. Além das obras acadêmicas, com temas do universo do direito, relações internacionais, lexicografia, história e economia, nos últimos anos, o autor já lançou obras como "A Campanha da Força Expedicionária Brasileira pela Libertação da Itália", em 2013; "Introdução à Revolução Cultural na República Popular da China: aspectos econômicos, sociais e políticos", em 2016; "Shanghai Lilly", com o heterônimo António Paixão, em 2017; e "A História da Literatura Erótica e Meus Contos Malditos", também com o heterônimo António Paixão, em 2018.

Na sequência, o escritor apresentou "Os Monges Guerreiros de Goyos e a Ordem do Hospital em Portugal", obra que se esgotou em cinco meses, devido a sua aceitação em Portugal, e "A Constituição de Cuba de 2019 à luz do direito comparado", que foi lançado em São Paulo, na Casa de Portugal, antes do isolamento social devido à pandemia. Agora, o escritor, que também é advogado, professor e jornalista, lança a obra "O Escudeiro de São Jorge - Flavio La Selva e a Gaviões da Fiel", publicado pela Observador Legal Editora.

Trata-se da biografia de Flávio La Selva, que foi fundador da torcida organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel. Na última quinta-feira, 10, o rio-pretense lançou o livro em Portugal, na Feira do Livro de Lisboa, na Festa do Avante e, na sexta-feira, 11, na Embaixada de Cuba. O escritor afirma que decidiu escrever a obra porque a Gaviões da Fiel é a única torcida que tem um time: o Corinthians. Normalmente, são os times que têm torcidas. Acompanho a Gaviões desde a sua fundação, em 1969, por ser amigo de Flavio La Selva, de saudosa memória, também acadêmico de direito na ocasião, que foi o seu inspirador."

"O Escudeiro de São Jorge" foi escrito em parceria com Wanda La Selva, que é irmã de Flávio La Selva, mas muitos anos mais jovem. "Ela pediu minha ajuda. Não pude recusar e escrevi o livro. Levei um ano, trabalhando à noite e nos finais de semana. Tudo pela Gaviões e pelo Corinthians. Wanda fez entrevistas e me forneceu os ricos arquivos pessoais de Flavio La Selva." A obra foi produzida antes da pandemia do coronavírus nas cidades de São Paulo e Lisboa. "Normalmente, minha produtividade é maior em Lisboa, onde minha vida é mais tranquila, apesar de ter um escritório há 31 anos. Apesar disso, prefiro trabalhar na minha biblioteca pessoal, em casa, o que me permite escrever às 5h da madrugada e também à noite, se assim o desejar."

Foi Durval quem escolheu o título "O Escudeiro de São Jorge - Flavio L Selva e a Gaviões da Fiel". "Flavio La Selva foi uma pessoa extraordinária. Advogado e teólogo. Era muito ligado à Igreja Católica e ao Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Participou da Juventude Estudantil Católica e da Juventude Universitária Católica (JUC). Flavio assumiu uma posição de patrocínio do humanismo, de defesa das liberdades democráticas e do restabelecimento da democracia, que era a posição da Igreja. Ao mesmo tempo, Flavio posicionou-se contra a ditadura de Wadih Helou no Corinthians. Posteriormente, Flavio La Selva foi inspirador da democracia corintiana e teve um papel de destaque nas campanhas pela Anistia e Diretas Já. Todos estes episódios são descritos minuciosamente na obra."

O rio-pretense conta que Flavio La Selva veio de uma família de italianos de Polignano a Mare, na Puglia. O livro conta a história da imigração italiana e é contextualizado na história do Brasil e dos bairros italianos de São Paulo, como o Brás e a Mooca. "A história do Corinthians é tratada em paralelo com a da Gaviões, das Copas do Mundo e dos movimentos sociais e políticos. A vida das famílias, na época, é descrita em detalhes que compreendem até mesmo a gastronomia." 

O livro não é indicado apenas para corinthianos e pode ser comprado por R$ 45 no Mercado Livre. "A obra traz uma visão histórica da imigração italiana, dos bairros italianos de São Paulo, e da luta pela democracia no Brasil. Trata com muito respeito de todos os rivais, porque esta era a posição de Flavio La Selva, homenageado por todas as torcidas. Trata também do desenvolvimento da escola de samba Gaviões da Fiel e o crescimento do carnaval paulistano. Até mesmo São José do Rio Preto aparece, como frequentemente em minhas obras, sempre sob a melhor luz."

Orgulho

Durval de Noronha Goyos Júnior é o sócio número 36.677 da Gaviões. Depois de escrever o livro, ele se tornou ainda mais fã do time e da torcida organizada. "Sempre fui um sócio entusiasta da Gaviões da Fiel e a considero uma extraordinária força humanística no processo civilizatório brasileiro. Frequento a quadra Flavio La Selva, onde costumo levar amigos e clientes brasileiros e estrangeiros para a feijoada e roda de samba dos sábados. Todos se encantam. Até mesmo notórios palmeirenses são meus convidados e tratados com muita atenção. Ressalto o exemplar comportamento de todos."

O escritor conta que, certa vez, a sua filha Anita levou uma amiga sua, que é professora de música na Universidade de Cambridge e toca na Filarmônica de Londres. "Ela se interessou pela cuíca, sentou-se na roda de samba, foi acolhida com respeito e foi tratada como 'mana'. Por ocasião da pandemia, colocamos nossa cozinha para trabalhar na produção de quentinhas, às centenas, que foram e são até hoje distribuídas para as populações carentes. Mesmo em Rio Preto, somos pioneiros em ações sociais na Vila Itália. Tenho orgulho em pertencer à Gaviões da Fiel, uma entidade humanística e ética."

Torcedor, o escritor pretende ir assistir ao vivo um jogo do Corinthians após o surto do novo coronavírus. "Sempre que possível, frequento nosso estádio, em Itaquera. Levo parentes e amigos. Fazemos uma festa. O Corinthians é o time do povo e a Gaviões é a festa popular brasileira, em todas suas dimensões, incluindo o futebol, o carnaval, o samba, a feijoada e a melhor caipirinha de que se tem notícias."

No momento, o rio-pretense está em Portugal, onde tem uma casa e o escritório. "Minhas ligações com o país são muito sólidas e meu amor pelas terras lusitanas é grande. No momento, estou a lançar o meu livro sobre a Constituição de Cuba de 2019 na Academia e nas diversas feiras de livros, além de ambientes diplomáticos. Em seguida, lançarei em Portugal minha obra sobre a Gaviões nos seus núcleos de Lisboa e Porto."