Do audiovisual ao artesanato, Alexandre Estevanato se reinventa

CRIATIVIDADE

Do audiovisual ao artesanato, Alexandre Estevanato se reinventa

Diretor de cinema cria peças criativas e personalizadas, como a poltrona Herbie, inspirada no filme 'Se Meu Fusca Falasse', feita com tambor de ferro


Alexandre Estevanato montou uma oficina na sua casa para fazer as peças
Alexandre Estevanato montou uma oficina na sua casa para fazer as peças - Arquivo pessoal

A pandemia da Covid-19 tem sido um desafio sob diversas esferas em todo o mundo. Os profissionais que trabalham com cultura e arte, assim como tantos outros de diferentes áreas, estão precisando se reinventar para viver com tranquilidade. Um deles é o diretor de cinema Alexandre Estevanato, responsável pelo curta-metragem "Depois do Medo - As pessoas estão parando de respirar", que reúne 40 vídeos de pessoas que mostraram seu cotidiano durante o período de isolamento social e foi lançado em maio nas redes sociais da Estevacine - produtora de Estevanato.

Incomodado com a situação da pandemia e com a falta de expectativas do fim do surto, o diretor de cinema não parou por aí e decidiu colocar em prática um outro projeto. Estevanato passou a produzir e vender peças artesanais decorativas. Trata-se de bancos personalizados, puffs infantis e adultos, barzinhos de tambores, rústicos ou sofisticados, com luzes de led e tampo de vidro ou madeira, ao gosto do cliente. "Tem uma bomba de combustível retrô que é um charme, e a poltrona Herbie, então, está fazendo o maior sucesso."

Estevanato conta que decidiu investir neste projeto depois que a pandemia começou a deixá-lo assustado, principalmente quando o assunto era a economia do país. "Embora eu seja professor universitário e meu salário não sofreu nenhuma alteração com isso, minha outra atividade, que é produtor audiovisual, sofreu uma queda brusca. De tanto ouvir que as pessoas estavam se reinventando durante a pandemia, isso reverberou em mim de uma forma muito positiva."

Estevanato conta que há alguns anos chegou a produzir alguns puffs infantis. "Desta vez, eu comprei equipamentos e ferramentas novas, consegui fornecedores de matéria prima, como tambores, tintas, adesivos e estofados, e resolvi profissionalizar a coisa. E não é que deu muito certo?" Estevanato conta que, desde que iniciou a produção há cerca de três meses, já vendeu aproximadamente 40 peças para Rio Preto, Marília, sua cidade natal, e até Porto Alegre.

Os temas das peças artesanais são escolhidas pelos próprios clientes. "Faço de acordo com os pedidos, mas também vou criando modelos novos e, às vezes, invisto e faço por conta própria, mas não duram muito, logo aparecem compradores." As peças são feitas por encomendas. "Costumo atender rápido e com qualidade, do jeitinho que gosto de ser atendido." As peças podem ser conferidas no Instagram (@facotudofacinho).

O diretor de cinema conta que se inspirou no conceito e estilo faça você mesmo, ou DIY - Do It Yourself, em inglês - como é geralmente conhecido. "Sempre fui assim. Há muitos anos passeando num shopping vi uma bomba de combustível/armário, ao perguntar o preço, levei um susto e decidi que faria uma daquelas e foi o que fiz. Minhas inspirações são pessoas que também se reinventam em momentos de crises. Muito se fala que é insano continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. Então, fui lá e fiz diferente, e conclusão, resultados diferentes."

Sétima arte

Paralelo a este trabalho, está tocando outro projeto. "Fui contemplado com o Prêmio Nelson Seixas deste ano com um projeto de circulação online de meus dois últimos trabalhos, o documentário 'Os Superidosos' e o curta 'Aperto'. As ações vão até novembro. Até tenho planos de iniciar uma nova produção de um curta-metragem, mas não nas mesmas condições de projetos anteriores, sem patrocínios, sem dinheiro."

Segundo o diretor de cinema, é bastante frustrante depois de tanto tempo produzindo curtas, ainda encontrar um cenário em que a falta de reconhecimento por parte de possíveis patrocinadores é tão grande. "Então, se eu conseguir o dinheiro necessário para a produção, farei, se não, sigo com a produção de meus produtos artesanais, que tem me trazido muito prazer."