SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 25 DE JULHO DE 2021
LITERATURA

O 'real ficcional' de Tarzan no novo romance de José Luís Rey

Em seu segundo romance lançado durante o período de pandemia, José Luís Rey constrói uma ficção a partir de fatos reais relacionados ao vendedor Tarzan, que morou em Rio Preto nos anos 1950

Harlen FelixPublicado em 24/10/2020 às 18:48Atualizado há 06/06/2021 às 18:28
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Em seu segundo romance lançado durante o período de pandemia, José Luís Rey constrói uma ficção a partir de fatos reais relacionados ao vendedor Tarzan, que morou em Rio Preto nos anos 1950 (Guilherme Baffi)

Apesar de ficcional, a escrita literária do jornalista José Luís Rey, de Rio Preto, bebe na fonte da realidade. Fatos e situações do cotidiano rio-pretense ganham novos contornos com a intervenção literária do escritor, que acaba de lançar um excelente exemplar dessa simbiose entre ficção e realidade, o romance "Samambaias de Plástico: a Laia dos Desconvidados", publicado por meio da plataforma Kindle Direct Publishing (KDP), da Amazon.

Em seu novo romance, o segundo que lança no período da pandemia da covid-19, o autor parte de um personagem real que viveu na Rio Preto dos anos 1950, o vendedor de materiais elétricos Tarzan, apelido conquistado devido à semelhança com o ator Johnny Weissmuller (1904-1984), que imortalizou o personagem dos livros de Edgar Rice Burroughs (1875-1950) no cinema.

"Nos anos 1990, eu publiquei uma crônica no Diário das Região falando sobre esse vendedor, que viajava pela região de Rio Preto vendendo materiais elétricos. Ele acabou sumindo da cidade, sendo encontrado em São Paulo muito tempo depois", conta. "O romance acabou nascendo dessa crônica. Acabei criando uma ficção para rechear esse período entre sua partida de Rio Preto e a ida para São Paulo", acrescenta o autor, que escreveu todo o romance durante esse período de distanciamento social.

Aliás, a pandemia tem sido uma fase bastante prolífica para Rey, que já havia lançado, no mês de julho, o romance "A Seiva da Madrágora: crônica de uma conspiração caipira", também à venda no site da Amazon. "Estou vivenciando um impulsionamento pandêmico [risos]", brinca.

Na história contada em seu segundo livro, Rey ambientou os fatos na década de 1960, debruçando-se sobre a trajetória de Tarzan na "selva de pedra" da capital paulista.

Para o autor, "Samambaias de Plástico" fala de injustiça e desigualdade. "Fala de amor, tanto quanto seja possível falar do assunto entre as pessoas às quais pouco resta de autoestima, autorrespeito e auto-tudo", pontua ele.

É curioso observar que os dois romances lançados por Rey durante essa pandemia desenvolvem suas narrativas por meio do deslocamento geográfico de seus personagens. Enquanto "Samambaias de Plástico" segue os passos de Tarzan rumo a São Paulo, "A Seiva da Madrágora", a publicação anterior, narra a trajetória de seu protagonista, Francisco Caçabriga, da zona rural para o ambiente urbano dos anos 1970.

Prêmio Kindle

Com prefácio assinado pelo jornalista Marival Correa, que integra a equipe do Diário da Região, "Samambaias de Plástico" está concorrendo ao Prêmio Kindle de Literatura, concedido pela Amazon do Brasil em parceria com o Grupo Editorial Record e a TAG Experiências Literárias. O resultado da premiação, que chega à sua quinta edição, será divulgado em janeiro de 2021.

O autor vencedor receberá R$ 40 mil - um prêmio em dinheiro de R$ 20 mil e um adiantamento de R$ 20 mil para o contrato de publicação da versão impressa do livro pelo Grupo Editorial Record em qualquer um de seus selos editoriais. O título vencedor terá ainda uma edição especial distribuída pelo clube de assinatura de livros TAG Experiências Literárias em sua caixa de assinatura literária da TAG Curadoria. Os finalistas terão seus livros adicionados como audiolivros ao Audible.

Para Rey, se dedicar ao ofício da escrita é uma forma de estimular o hábito da leitura entre as pessoas. "Sou apaixonado pelos livros e tento acender essa paixão nas outras pessoas por meio de minhas crônicas e romances. Publico meus textos nas redes sociais, onde sempre recebe um retorno bacana das pessoas", diz.

Na selva da cidade grande, com Tarzan

Neste conto urbano contundente e rascante, José Luís Rey faz uma conexão Rio Preto-São Paulo pra contar as aventuras e desventuras de um personagem de codinome bastante peculiar. Tarzan não é um apelido aleatório, mas a senha pela qual se compreende o motivo do protagonista carregar a mesma alcunha do personagem central dos romances de Edgar Rice Burroughs, imortalizado nas telas por Johnny Weissmuller. Este Tarzan surgido da lavra de Rey mergulhará na selva da cidade grande, compelido por um duro golpe do destino.

"Samambaias de Plástico - a laia dos desconvidados" lança luz sobre aquilo que normalmente os grandes centros urbanos escamoteiam. É a gente das marquises, errantes que fazem de cada dia um ringue de luta pela sobrevivência cotidiana. São os desconvidados, à margem das reais oportunidades.

Em sua jornada, Tarzan se redescobre, se reinventa para dar sentido a uma nova vida presa entre um passado inquietante e um futuro incerto.

'Samambaias de plástico' é o segundo lançamento de Rey durante a pandemia (Reprodução)
 
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