Projeto promove o protagonismo feminino na capoeira angola

CAPOEIRA ANGOLA

Projeto promove o protagonismo feminino na capoeira angola

Arcca, de Rio Preto, promove o protagonismo feminino na capoeira angola por meio de uma série de ações virtuais do projeto 'Mulher no Gunga'


Paula Castro e Camila Signorini são as idealizadoras do 'Mulher no Gunga'
Paula Castro e Camila Signorini são as idealizadoras do 'Mulher no Gunga' - Priscila Beal/Divulgação

Numa roda de capoeira, o berimbau Gunga é dotado de uma simbologia que lhe confere lugar de destaque. Além de funcionar como balizador do ritmo aplicado ao jogo, serve como um símbolo de poder, pois em posse dele o mestre comanda a roda, escolhendo os participantes e o ritmo para a ocasião. E esse objeto referencial da capoeira é cada vez mais empunhado por mulheres, historicamente silenciadas nessa manifestação da cultura popular brasileira herdada dos povos africanos.

Em Rio Preto, o protagonismo feminino na capoeira angola é a bandeira do projeto "Mulher no Gunga", realizado pela Arcca (Associação Refúgio Cultural Capoeira Angola) a partir de fomento obtido no Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura. Ajustado aos tempos de pandemia, o projeto envolve uma série de atividades virtuais semanais, que seguem até novembro no site www.mulhernogunga.com.br. Além disso, estão sendo promovidos encontros com mestras e contramestras de capoeira angola na plataforma Google Meet. 

"O projeto foi pensado para envolver as mulheres da capoeira angola, promover o protagonismo feminino em uma manifestação que ainda é muito dominada pelos homens. Queremos acolher as mulheres, mostrar a elas que seu lugar também é na roda de capoeira, e também assumindo o berimbau Gunga", destaca Paula Castro, idealizadora do "Mulher no Gunga" ao lado de Camila Signorini. A Arcca foi fundada pelo contramestre Eddy Angoleiro.

Ela ressalta que há atividades voltadas especificamente para mulheres, mas o projeto não quer segregar, e, sim, unir todos os gêneros e idades em torno da capoeira angola. Para o público feminino, são oferecidas aulas semanas de ioga às segundas, às 20h, e promovidos encontros de capoeira angola às quartas, no mesmo horário. Às quintas, às 8h, são feitas sessões de capoeira para a terceira idade (homens e mulheres) e aos sábados, às 15h, capoeira para as crianças e, às 16h, roda de samba para toda a família.

Em setembro, o "Mulher no Gunga" promoveu um bate-papo on-line com a contramestra Brisa do Mar, do Movimento Mulheres do Mar, da Ilha de Iparica, na Bahia. O próximo encontro será nos dias 23 e 24 deste mês, com a mestra Cristina Mocambo de Aruanda, do Rio de Janeiro. Nos dias 20 e 21 de novembro, a troca de experiências será com Mestra Janja, do Grupo Nzinga, de São Paulo.

Samba de roda

A Arcca também desenvolve o projeto "Samba de Roda na Varanda do Cazuá", projeto contemplado pelo Prêmio Nelson Seixas que previa a realização de rodas de sambas em várias instituições de Rio Preto, mas precisou ser ajustado ao virtual devido à pandemia da covid-19. "Das instituições que iríamos realizar as rodas de samba, apenas duas puderam nos receber com os devido cuidados sanitários para a realização de uma roda de samba virtual: o Lar Nossa Senhora de Fátima e o Maquininha do Futuro", conta Paula.

A roda de samba virtual do Lar Nossa Senhora de Fátima rolou no sábado, 9, e a do Maquininha do Futuro, será no dia 14 de novembro, às 17h30, com transmissão pelo Youtube e retransmissão no Facebook da Arcca. "As rodas são abertas a todos os internautas, mas foram pensadas para o pública de cada instituição", explica.

Além disso, a programação do projeto envolveu duas lives realizadas no Youtube e Facebook em que os integrantes da Arcca compartilharam experiências e informações sobre sua já tradicional roda de samba.