Quadrinista de Rio Preto apresenta seus super-heróis brasileiro em HQ

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Quadrinista de Rio Preto apresenta seus super-heróis brasileiro em HQ

Escritor, quadrinista e professor Angelo Júnior, de Rio Preto, reúne seu heroico time de personagens na novela gráfica 'O Fim do Mundo Começa pelo Brasil'


O escritor e quadrinista Angelo Júnior entre suas publicações
O escritor e quadrinista Angelo Júnior entre suas publicações - Maria Gilcilene Pinheiro/Divulgação

Capitão Bandeirante, Ultromas, Maciço e Trio Verde e Amarelo. Esses são alguns dos super-heróis genuinamente brasileiros criados pelo escritor, ilustrador e professor Angelo Júnior, de Rio Preto. Autor de mais de 30 publicações, entre quadrinhos e livros de contos e de ilustrações, ele reúne todo seu heroico time em uma única história pela primeira vez em "O Fim do Mundo Começa pelo Brasil", novela gráfica que já está à venda na plataforma Clube de Autores.

Angelo é um apaixonado pelo universo dos quadrinhos. Formado em Desenho pela Escola Panamericana de Artes, em São Paulo, além de Letras pela Unorp, em Rio Preto, ele passa boa parte de seu tempo no estúdio montado em sua casa, onde, além de botar ideias no papel, mantém uma cobiçada coleção de gibis de diferentes países. "Hoje atuo como professor de Língua Portuguesa, mas sempre fui ilustrador", diz ele, que levou sua paixão também para a escola, sendo responsável por um curso eletivo de histórias em quadrinhos na grade do ensino médio da rede pública estadual.

Após um período longe do traço, Angelo retomou suas criações em 2017, quando lançou "Nossos Heróis", um álbum repleto de super-heróis brasileiros. "Criei uma série de criaturas, aladas ou não, dotadas de poderes estratosféricos. As histórias que já lancei no Clube de Autores trazem os super-heróis em aventuras individuais. Neste trabalho, eles estão todos juntos. Todos juntos para tentarem salvar o Brasil, o mundo. Mas, os supervilões também estão juntos. Perversos, devastadores, cruéis, sanguinários... A luta será épica. Porém, temos a nosso favor aqueles que realmente amam o nosso País", comenta.

A inspiração para voltar a criar super-heróis veio de Mike Deodato, desenhista paraibano que atuou por mais de duas décadas na equipe da Marvel. Os dois chegaram a trocar figurinhas, e Deodato ainda gravou um vídeo para os alunos do curso de Angelo. "O trabalho dele é incrível, inspirador em todos os sentidos. Isso me fez querer voltar a criar quadrinhos de super-heróis."

Cenário regional

"O Fim do Mundo Começa pelo Brasil" é repleto de referências, o que inclui Rio Preto e sua icônica Represa, que, na novela gráfica, é invadida por um monstro em forma de dinossauro. "A história se passa em vários lugares do Brasil. Tem São Paulo, Rio, Nordeste. Tem até a famosa esquina da Ipiranga com a São João, e com o Caetano Veloso cantarolando a letra de 'Sampa'.

Outro lugar a da região que serve de cenário para as aventuras é Potirendaba, cidade natal de Angelo. "Retrato a igreja da Praça da Matriz e recorre a nomes de familiares para batizar alguns personagens", conta o quadrinista, que está com 55 anos.

Angelo define "O Fim do Mundo Começa pelo Brasil" como uma história fechada, mas reconhece que no universo dos super-heróis tudo é possível. "Fiz uma história fechada, mas não descarto a possibilidade dela ter desdobramentos no futuro, com novas publicações. Estou criando a todo momento, então histórias para contar tenho muitas", destaca.

Capitão Bandeirante

Bartolomeu Anchieta da Nóbrega é um repórter de TV, que está sempre nas ruas fazendo as suas matérias. É apaixonado por São Paulo, cidade onde nasceu. Num dia de 25 de janeiro, em meio a uma tempestade assustadora, recebe uma carga misteriosa em forma de raios do céu. E acaba se transformando no Capitão Bandeirante, defensor da cidade que tanto ama. Toda vez que é necessário o seu auxílio, Bartolomeu, de forma incógnita, ergue os braços aos céus e evoca todo o mistério, proferindo: 'São Paulo de Piratininga!' Seu maior inimigo é Basura, criminoso que vive nos esgotos da capital paulista.

Ultromas

O personagem é uma homenagem aos seriados japoneses do período de 1960 a 1980. Seu nome é a junção de Ultraman ou Ultraseven com Fantomas (desenho animado). Alberto Yamada é um brasileiro de olhos puxados, descendente de avós japoneses, morador do famoso bairro da Liberdade (São Paulo). Fã de seriados japoneses. Em uma noite em seu quarto, acorda com uma voz fantasmagórica dizendo: "Toda vez que houver uma situação de perigo para a raça humana, levante o braço aos céus e você se transformará no Ultromas... E defenderás a Terra de todo mal que possa advir". Seu maior inimigo é Dr. Zé, um cientista frustrado.

Maciço

Patrick cansou de ser humilhado por sua família. Sua mãe falecera muito cedo, e o menino cresceu sendo ridicularizado pelo tios, primos e amigos. Deprimido, rejeitado, tímido resolveu canalizar a sua frustração em algum vício. Tentou as drogas, mas viu que não era um caminho, então, começou a fazer musculação. De forma homérica, intermitente. Anos depois se tornou uma montanha de músculos. A família acredita que ele morreu jovem num acidente terrível. E ele, frustrado com a conduta de seus familiares, resolveu guardar esse segredo, se afastando de vez deles, e se escondendo com uma identidade falsa. O outro mistério em sua vida é saber de onde vem os seus superpoderes. É casado com a belíssima Fanny Magalhães, ex-miss Brasil, hoje jornalista. Maciço é uma glória do Brasil, pelos seus feitos extraordinários, como ajudar um avião com 200 passageiros que despencava para a tragédia. Seu rival é Bronto, um monstro com igual musculatura, porém, com pouca massa cinzenta.

Trio Verde e Amarelo

Representa as três maiores raças brasileiras: Super Amazonas (indígena), Iphê (raça negra) e Azul Celeste (raça branca). Super Amazonas é oriundo de etnias indígenas, sempre lutou contra o mal e defende sua casta dos exploradores de terras índias. É tido como um semi-deus, um espírito encarnado, protetor absoluto da floresta amazônica e dos povos genuinamente brasileiros. Iphê é um nordestino, uma lenda tão grande como Padre Cícero. Até mais, dizem que tem ao seu lado a força de todos os santos, entidades e orixás, herdou o misticismo do pobre e batalhador do sertão agreste. A resistência do sertanejo que peleia na terra castigada pelo sol inclemente. Azul Celeste é da região sul do País, toda vez que usa uma interjeição, se percebe a sua origem: 'Bah, guri!' Muito forte, voa como um avião, tem autonomia para se movimentar pelos céus em todos os sentidos. A origem do seu codinome está ligada à cor da Bandeira Nacional, símbolo da pátria. Eles enfrentam a Liga Nefasta (Homem Dinamite, Violeta Negra, Rapina e Assombração) e Tecnus, o gênio do mal, um verdadeiro cérebro a serviço da destruição.

Anjos do Universo

Liga formada por Arcanjo, Lux, Lampejo, Saturnus e Auriverde. Arcanjo tem poderes de ilusionismo, transforma a realidade em magia, confundindo os seus agressores. Emite raios pelas mãos. Lux é uma garota genial, emite clarões e flashes que cegam os inimigos. E tem a propriedade de lançar raios pelos olhos. Possui uma luz deslumbrante, fantasmagórica. Lampejo é extremamente cerebral, aliás, como a maioria dos descendentes de japoneses, a moça sempre tem estratégias surpreendentes para os obstáculos que se configuram à sua frente. Tem asas especiais, apesar de curtas, lhe dão grande autonomia na movimentação. Saturnus parece um imponente rei, um líder de tantas castas africanas unificadas, um bravo e poderoso guerreiro Zulu que não se enverga ante ao perigo do dominador estrangeiro. Auriverde é um brasileiro e por esse aspecto, está mais ao alcance do hacker Renan Rivera, que é aquele que investiga a origem do grupo defensor da Terra. Auriverde emite raios pelos dedos, possuindo um detalhe peculiar, em cada dedo há um raio de determinada potência, algo sui-generis no universo dos super-heróis.