O adeus de Carlos Breseghello, o rio-pretense que brilhou nas artes

ARTES VISUAIS

O adeus de Carlos Breseghello, o rio-pretense que brilhou nas artes

Com telas e esculturas marcadas por um estudo rigoroso da forma, artista rio-pretense, que morreu aos 61 anos, marcou a arte contemporânea


Com telas e esculturas, Marcos Breseghello desafiava a forma
Com telas e esculturas, Marcos Breseghello desafiava a forma - Reprodução/Facebook

Autor de telas e esculturas marcadas por um estudo rigoroso da forma, o artista visual Carlos Breseghello deixou o mundo no feriado de 7 de setembro, aos 61 anos, depois de lutar contra um câncer de esôfago que havia sido diagnosticado no ano passado. Rio-pretense que teve seu primeiro contato com o universo das artes por meio das aulas de Dinorath do Valle na Casa de Cultura em sua infância, ele terá sua partida relembrada nesta terça-feira, 15, às 19h30, quando será feita sua missa de sétimo dia na Igreja São Francisco de Assis.

Breseghello estava morando em Atibaia com o filho, Luiz Fernando, depois de deixar São Paulo, cidade onde consolidou sua carreira nas artes visuais ao longo de duas décadas. "Ele saiu de Rio Preto as 14 anos, voltando somente para cursar o ensino médio. A gente fez o colegial juntos quando a escola Philadelpho mudou para seu novo prédio. Em 1979, ele foi embora para São Paulo, onde se deu o seu envolvimento efetivo com as artes. Até então, o único contato dele e meu com as artes tinha sido na infância. Era a escolinha de arte, que tinha na Casa de Cultura e a Dinorath do Vale era professora", relembra o irmão do artista, Marco Aurélio Breseghello, que mora com a mãe, Clara Barco, em Rio Preto.

Em São Paulo, Breseghello teve a oportunidade de conhecer Claudio Tozzi, famoso arquiteto, pintor e programador visual, que se tornou seu vizinho depois que ele se casou Elisabete (in memorian) e foi morar na Rua Franco da Rocha, em frente ao prédio da PUC. "A amizade com Claudio Tozzi foi muito influenciadora para o meu irmão. Não demorou muito e ele já estava atuando ao lado de grandes nomes das artes naquela época, como a Tomie Ohtake [1913-2015]", conta. Entre os locais que já abrigaram suas exposições está o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em Rio Preto, duas telas de Breseghello fazem parte do acervo da Pinacoteca Municipal, no Centro Cultural "Daud Jorge Simão". Carlos Bachi, que atua no local, teve a oportunidade de conhecer o artista rio-pretense, com quem teve um encontro pessoalmente e algumas conversas ao telefone. "Sua obra tem certa influencia do Claudio Tozzi, traz muito essa coisa da geometria. No trabalho que ele fazia com as esculturas de metal havia muita leveza. Era um artista muito criterioso, muito obcecado pelos detalhes. E que produziu mesmo doente, até o final de sua vida", comenta.