Coletivos fomentam a formação artística em Rio Preto

CENA LOCAL

Coletivos fomentam a formação artística em Rio Preto

Projetos realizados em Rio Preto têm rendidos frutos, seja na formação de plateia, no encaminhamento profissional ou no estabelecimento de novos artistas e coletivos


Elenco da Cia. Badeiro em ensaio de 'Refugo' antes da pandemia
Elenco da Cia. Badeiro em ensaio de 'Refugo' antes da pandemia - Guilherme Di Curzio/Divulgação

A formação artística e cultural tem ocupado lugar de destaque na pauta de coletivos de Rio Preto  últimos anos. Projetos que buscam sensibilizar a comunidade para as artes, principalmente as novas gerações, têm rendidos frutos, seja na formação de plateia, no encaminhamento profissional ou no estabelecimento de novos artistas e coletivos. E tais ações foram potencializadas em tempos de pandemia, com atividades no ambiente online sendo acessadas não só por rio-pretenses, mas até por pessoas de outros países.

"A participação das pessoas é incrível. Temos atividades que receberam mais de mil visualizações. Tem gente de várias cidades do País e até do exterior. Isso foi um ganho muito positivo para o nosso projeto, que é realizado desde 2015", comenta Fagner Rodrigues, diretor da Cia. Cênica, que realiza, até o dia 24, o Território Cênico 2020, projeto de formação que já rendeu a criação de dois coletivos, um de dança e outro de teatro, além de sensibilizar inúmeras pessoas para o ingresso no ofício artístico.

"É um motivo de muito orgulho pra gente poder contribuir na manutenção da cena artística da cidade, garantir o seu futuro, a sua continuidade. Das nossas atividades formativas, saíram jovens que foram pra faculdade de teatro, novos grupos foram formados, trabalhos artísticos foram criados e circularam por São Paulo. E alguns até ingressaram na própria Cia. Cênica. Isso tudo é fruto de um trabalho contínuo, que vem sendo feito há anos", reforça Rodrigues.

A atividade desta segunda-feira, 7, do Território Cênico, é comandada pelo coletivo de jovens atores e atrizes que nasceu no projeto, a Cia. Beradeiro, que já traz a montagem de "Vereda da Salvação", de Jorge de Andrade, em seu currículo. No Youtube da Cia. Cênica, às 20h, eles farão a leitura dramática de "Refugo", peça escrita por Abi Morgan e que está em processo de montagem, sob direção de Ricardo Matioli.

"Refugo" traz a história de Kojo, criança que, em seu aniversário de 11 anos, vê sua família ser assassinada por guerrilheiros em meio à guerra civil. Aos 14, é mandado a um abrigo para crianças refugiadas, de onde é posto para fora por ser considerado um homem. Após a leitura, que é recomendada para maiores de 14 anos, o grupo falará sobre seu processo de montagem.

Incubadora

Iniciativa da Cia. Apocalíptica voltada à formação artística, o projeto Vivências Apocalípticas chega à sua terceira edição com a proposta de se concretizar como uma incubadora de talentos. Organizada neste ano para o ambiente virtual, a programação tem início nesta segunda, 7, envolvendo minicursos, oficinas e workshops que trarão temáticas como dramaturgia, cenário e figurino, interpretação e direção para vídeos, trilha sonora, coreografia, canto, manipulação de bonecos, produção e gestão cultural.

"A ideia é que as pessoas saiam realmente habilitadas para integrar uma companhia de teatro ou mesmo formarem seu próprio grupo. Para isso, preparamos uma programação que envolve não só a questão da interpretação, mas também a parte técnica e de produção, e ao final desse processo criaremos, juntamente com os participantes e alunos interessados, uma atividade de contação de história para apresentação pública em vídeo, proporcionando uma vivência artística completa”, explica a diretora de produção Fernanda Missiaggia.

Cada atividade do Vivências Apocalípticas será oferecida de forma independente e os interessados em participar poderão se inscrever de graça em uma ou mais. As aulas serão online e ministradas por artistas da própria Apocalíptica e convidados da cena nacional. "Teremos a participação de grandes nomes do meio cultural como a atriz, diretora Tiche Viana, os atores Eduardo Okamoto e Flávio Racy, a contadora de história Kiara Terra e o professor de técnicas vocais e músico Beto Vanella, entre outros", sinaliza Fernanda.

Para participar do Vivências Apocalípticas – Incubadora não precisa ter experiência prévia na área artísticas, mas é necessário ter no mínimo 16 anos e se inscrever previamente pelo site www.ciaapocaliptica.com/incubadora. A terceira edição conta com fomento do Prêmio Nelson Seixas, da Secretaria Municipal de Cultura.