João Liossi canta Belchior em live musical da Cia. Cênica

MÚSICA

João Liossi canta Belchior em live musical da Cia. Cênica

João Liossi volta a reverenciar uma de suas referências musicais em show online nesta quinta, 13, para serenar corações selvagens que têm 'essa pressa de viver'


Para João Liossi, a incerteza da volta é o que mais angustia no momento
Para João Liossi, a incerteza da volta é o que mais angustia no momento - Reprodução

"Ontem [terça, 11], ensaiando as canções, fui tomado a todo instante. É difícil cantar e não se emocionar. É uma música tão sensível, tão bonita, tão atual e forte."

A obra de Belchior (1946-2017) reverbera a todo instante na criação do cantor e compositor João Liossi, de Rio Preto, desde que ele teve oportunidade de mergulhar nas canções do artista cearense para montar o repertório de um show tributo na extinta Casa das Janelas. "Eu já conhecia alguma coisa dele, mas não tão a fundo. Por causa de sua morte, o Bira [Ubirathan do Brasil] me propôs de fazer um tributo a ele. Quando comecei a me aprofundar no seu trabalho, aquilo falou alto dentro de mim, dentro daquilo que eu vinha fazendo na música", relembra ele, que dedica um show inteiro a Belchior na live musical "Praças e Pessoas", transmitida nesta quinta-feira, 13, às 20h, no Youtube da Cia. Cênica. O show online faz parte das atividades do projeto Território Cênico, que neste ano foi totalmente concebido para o ambiente virtual devido à pandemia da covid-19.

Ah, a pandemia! Para Liossi, um momento de altos e baixos criativos alimentado por incertezas. "Tá difícil. Houve uma quebra de expectativa e não existe data pra voltar. Quando você tem um prazo, uma data, acho que fica mais fácil de suportar as coisas. Mas a coisa vem se arrastando, e isso só alimenta a ansiedade. Eu gosto da rua, das pessoas, do encontrar. Isso faz parte de mim. Ficar isolado é complicado", confidencia ele, que concebeu um álbum na (e para a) pandemia: o experimental "Trambique (Canções de Quarentena)", disponível no streaming.

"Esse disco gravei e editei tudo pelo celular. Essa pandemia acabou me forçando a me envolver com essas tecnologias de edição de áudio. Mas fiz algo bem experimental. Gravei até piano, que é coisa que não toco. Logo no começo da pandemia, tive um surto de criação, quis fazer algo, quis por pra fora. Então é um disco sobre esse tempo, esse momento", define Liossi.

Além desse "surto criativo" que é "Trambique", Liossi já realizou duas lives próprias e fez participações em ações virtuais do Centro Cultural Vasco. "É uma outra energia. A preparação para o show é outra. Mas estou muito ansioso para este show do Belchior, tem um sabor diferente para mim."

Realmente, a influência de Belchior na música de Liossi já se estabelece de cara no nome de sua banda, O Coração Selvagem, em referência à "Coração Selvagem" (1977), a mais icônica canção de amor do artista cearense, em que ele, curiosamente, canta "meu coração selvagem tem essa pressa de viver" - e são tantos corações com essa mesma pressa agora.

Formada por Diego Guirado (guitarra), Mateus Mendonça (contrabaixo), Filipe Murbak (bateria) e Lenon Tagliaro (teclado), O Coração Selvagem acompanha Liossi no álbum de estreia de sua carreira, "Antiexílio", que chegou ao streaming no início deste ano. Faixa que dá nome ao álbum, "Antiexílio" tem participação de Fernando Anitelli (O Teatro Mágico).

Em seu tributo virtual, Liossi estará acompanhado do violonista Leandro Valentim, de Mirassol. "Será um show todo dedicado ao Belchior e com um músico que tocou comigo na primeira vez que me apresentei cantando as canções dele, o Leandro. Fazia muito tempo que a gente não tocava junto. Tudo isso emociona."