Orquestras voltam aos palcos, mas sem a plateia

CONCERTOS VIRTUAIS

Orquestras voltam aos palcos, mas sem a plateia

O primeiro concerto da Osesp, neste sábado, 1, vai reunir músicos do Grupos de Metais da orquestra, regidos por Wagner Polistchuk


Grupo de metais da Osesp abre a programação de concertos virtuais da orquestra
Grupo de metais da Osesp abre a programação de concertos virtuais da orquestra - Divulgação
A Osesp volta a partir deste sábado, 1, a fazer apresentações na Sala São Paulo. Não haverá a presença do público: os concertos serão transmitidos ao vivo pela internet. A Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, também inaugura neste sábado, 1, sua série digital; e, no domingo, 2, o Instituto Baccarelli transmite recital direto de sua sede em Heliópolis.
O primeiro concerto da Osesp vai reunir músicos do Grupos de Metais da orquestra, regidos por Wagner Polistchuk. Serão 29 artistas no palco. Nos dias 7 e 8, o número sobe: cinquenta instrumentistas, para apresentar obras de Beethoven. "É o número máximo com o qual estamos trabalhando", diz o diretor executivo da Fundação Osesp, Marcelo Lopes. "Os artistas foram testados para a covid-19 antes dos ensaios e vão seguir regras de distanciamento social sobre o palco."
A Osesp trabalhava até a semana passada com a possibilidade de voltar a receber o público ainda em agosto, mas a decisão da Prefeitura de só reabrir espaços culturais na Fase Verde do Plano São Paulo levou a grupo a refazer os projetos. "Estes primeiros concertos estão servindo como uma experiência. São duas semanas cruciais, até para que os músicos voltem a se sentir seguros ao tocar e ao sair de suas casas. Estamos atentos às determinações das autoridades para ver quais os próximos passos. O maestro titular Thierry Fischer (que mora na Suíça) está pronto para vir a São Paulo e reassumir o grupo, e nossa ideia é que ele possa embarcar já no próximo dia 10."
A volta aos palcos segue um protocolo específico de segurança sanitária, criado com ajuda de cientistas e autoridades. O documento preparado pela Osesp tem mais de setenta páginas, e oferece orientações sobre o modo como os músicos deverão estar posicionados no palco assim como estipula regras para a eventual presença do público.
A Sala Cecília Meireles também criou seu protocolo. Diretor do teatro, João Guilherme Ripper trabalhou pessoalmente na criação de um documento para a Fundação de Artes do Rio de Janeiro (Funarj), da qual a sala faz parte. "Também usamos o Protocolo para Práticas Musicais, preparado pelo recém-criado Fórum Brasileiro de Ópera, Balé e Música de Concerto", ele explica.
"O protocolo estipula, por exemplo, que cada músico deve ficar dois metros distante dos colegas, além de tratar de casos específicos. Os instrumentistas de cordas devem tocar de máscaras. No caso dos metais, como teremos em um dos nossos programas já previstos, há outros cuidados. Os instrumentos pingam por conta da condensação e cada artista terá que colocar uma toalha no chão e depois jogá-la fora pessoalmente. Além, claro, da separação feita por placas de acrílico."
A programação da Sala inclui 29 concertos semanais até dezembro. Ripper conta que tentou manter as séries temáticas anunciadas no começo do ano. "Em setembro, vamos fazer as sonatas para violino e piano de Beethoven; em outubro, um festival Bach; em novembro, as sonatas para piano de Beethoven; e em dezembro, seus últimos quartetos, além da 'Canção da Terra', de Mahler", conta.
No Instituto Baccarelli, músicos da Orquestra Sinfônica Heliópolis apresentam a cada quinze dias um recital de câmara, ou seja, com poucos artistas, direto da grande sala da entidade, na comunidade de Heliópolis; neste domingo, a atração é o Quarteto de Violoncelos. Não há público, e os concertos são transmitidos pelos canais do instituto em redes sociais. "Nossa primeira preocupação, no início da pandemia, foi canalizar nossas forças para ajudar a comunidade, coletando e distribuindo alimentos que pudessem ajudá-los neste momento", explica Edilson Ventureli, diretor executivo do instituto, que também tem oferecido master classes virtuais diariamente.
"O cuidado com o social continua, mas agora também começamos a pensar na retomada do trabalho, de maneira segura, atenta à saúde de todos os envolvidos. Isso é bom para os nossos alunos, uma motivação nesta hora complicada, permite um contato renovado com nosso público e ajuda a mostrar todo o trabalho que estamos realizando neste momento. Também já estamos conversando com o Masp, onde realizamos uma de nossas séries, sobre um possível retorno, em respeito, claro, às questões sanitárias."
Para Ripper, a retomada é fundamental. "Precisamos fazer girar novamente toda uma cadeia de profissionais da música que ficou parada", ele explica. Por conta disso, os concertos servirão para arrecadação de verbas para o Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos do Estado de Rio de Janeiro.