Luama canta o cultivo da beleza em novo disco

'MOLÉCULA AZUL'

Luama canta o cultivo da beleza em novo disco

Cantora natural de Tanabi lança 'Molécula Azul' nas plataformas de streaming e em seu site oficial


A cantora Luama com os músicos que formam o Cósmico Trio
A cantora Luama com os músicos que formam o Cósmico Trio - Walter Antunes/Divulgação

A poesia está na essência do novo álbum da cantora Luama, "Molécula Azul", disponível nas plataformas de streaming e em seu site oficial (luama.com). No novo registro de estúdio, que foi finalizado durante o período de distanciamento social, a cantora, que é natural de Tanabi, estabelece parcerias com os poetas Franz Cecim, Ana Rusche, Walter Antunes e Marcelo Ariel. E ainda apresenta composições musicais para poemas de Álvares de Azevedo e Jall ad-Dn Rumi, além de revelar a sua versão de "Delírio", música gravada originalmente pelo grupo Secos & Molhados.

"Molécula Azul" é o capítulo II do projeto "Fogos na Chuva de Vento de Diamantes", que nasceu em 2016, quando a cantora foi para um estúdio em São Paulo, onde reside, apenas com o seu violão, para gravar músicas que seriam compartilhadas com os instrumentistas da banda que a acompanha, o Luama Cósmico Trio, formado por Ronaldo Gama (baixo elétrico e acústico), Rodney Nascimento (bateria e percussão) e Felippe Pipeta (trompete). "Esse processo de gravação apenas com o violão costuma ser o início de um trabalho, a pré-produção de um álbum. Acontece que eu fiquei três dias no estúdio. O que seria uma tarde se transformou em três dias, e gravei 36 músicas", conta.

Ao verificar que as 36 músicas eram diferentes entre si, Luama começou a criar repertórios para álbuns distintos a partir da combinação delas. O primeiro capítulo, o álbum "O Bárbaro", foi lançado em 2018. "De todas aquelas 36 músicas que surgiram no estúdio, faltam muitas para serem colocadas para o mundo, fora as novas composições que criei neste período", diz.

As canções de "Molécula Azul" foram gravadas em janeiro, em sessões ao vivo no C4 Studio, em São Paulo. Eis que a pandemia da Covid-19 acabou surgindo no caminho, mas a cantora decidiu por não esperar. "Se eu ficar esperando por um momento ideal do mundo, clima, tempo, temperatura adequada, facilidades, eu não vou caminhar, e eu quero caminhar", comenta ela, que chegou a lançar, em abril, o EP "A Flor Que Gira".

As canções

A música que dá nome ao disco tem letra de Walter Antunes, e descreve uma travessia pelos espaços como uma viagem através da beleza, simbolizada por um princípio denominado "molécula azul".

Na parceria com Marcelo Ariel, "Entre A Beleza e A Verdade Prefira A Beleza", a própria morte é objeto de beleza em seu significado simultâneo de verdade e ilusão. Em "Desnutrir A Pedra", canção com poemas de Franz Cecim, faz-se presente o paradoxo da dureza e da beleza no âmago do ofício do poeta.

"Cantiga", um poema de Álvares de Azevedo trazido do século XIX pela compositora, é a versão do mito de Eros e Psiquê por um dos maiores poetas românticos da literatura brasileira. Já "Huracana" é uma parceria com a poeta Ana Rusche, que elabora imagens de profundidade mística a partir de um relacionamento amoroso de aparência comum.

A leitura de Luama para "Delírio", canção gravada originalmente por Secos & Molhados na década de 1970, atualiza a atmosfera de beleza e liberdade encarnada na figura do sujeito da canção.

"Esteja Atento Quando A Lua Estiver Cheia" tem como base a tradução feita por Luama do poema "Search the Darkness", do poeta e místico persa Jall ad-Dn Rumi, século Xill, a partir do texto em inglês.

Segundo Luama, a sonoridade do novo disco é livre de referências diretas e está sintonizada principalmente à atmosfera dos poemas de conteúdo metafísico escolhidos para esse trabalho.