Esculturas em madeira de Fernando Silvério ganham mostra virtual

ARTES VISUAIS

Esculturas em madeira de Fernando Silvério ganham mostra virtual

Esculturas criadas a partir daquilo que a natureza descarta pela ação do tempo dão vida à primeira mostra individual de Fernando Silvério, que tem curadoria de Patrícia Reis Buzzini


Fernando Silvério e Patrícia Reis Buzzini na Mobilia 22, cenário 
das imagens 
da mostra virtual
Fernando Silvério e Patrícia Reis Buzzini na Mobilia 22, cenário das imagens da mostra virtual - Fotos: Johnny Torres

A natureza se revela artista pelas mãos de Fernando Silvério, de Rio Preto, que há dois anos se dedica a lapidar pequenas esculturas que chegam até ele praticamente prontas; pequenos tesouros que ele garimpa quando sai para caminhar ou pedalar pelas estradas rurais da região. Foi assim, como uma epifania, que viu em um pedaço de árvore, um toco rústico, uma obra de arte repleta de significados. E elas são compartilhadas na primeira exposição individual de Silvério, "Recolhimentos", que tem curadoria assinada por Patrícia Reis Buzzini.

Concebida para o espaço virtual, a exposição pode ser conferida nos perfis do artista no Instagram (@f.silverio_art) e no Facebook (@fernando.silverio.54). Além das fotos das peças, que foram produzidas nos ambientes da loja Mobilia 22, a mostra ainda traz um vídeo em que Silvério reflete sobre a sua produção artística juntamente com a curadora e parceiros.

Silvério já atuou em diferentes ramos, mas sentia que faltava um pouco de poesia em sua vida. Há cerca de dois anos, ao ter a iniciativa de fazer um pequeno lago em sua casa, recorreu a um pedaço de aroeira que havia encontrado em suas andanças para dar um toque especial ao paisagismo. "Comecei a dar uma lixada, uma retocada, e achei aquele pedaço de aroeira lindo, uma verdadeira escultura", relembra. Depois disso, passou a recolher esses obras de arte da natureza e ressignificá-las em esculturas.

Em sua produção inicial, Silvério levou algumas de suas peças para a avaliação da artista plástica Tida Ricco, que de imediato identificou valor artístico nelas. Foi então que ela mostrou seu trabalho ao artista plástico e marchand Beto Carrazzone, que colocou as obras nas mostras coletivas que realiza em sua galeria. Não demorou muito para as esculturas serem requisitadas para exposições de arquitetura e design em Rio Preto.

Para Patrícia, que conheceu a obra de Silvério em uma das mostras na galeria de Carrazzone, as criações do rio-pretense "são peças entalhadas pela ação da casualidade, evidenciando imperfeições e ranhuras originais, desenhadas pelo olhar sensível e habilidoso do escultor".

"Ao reutilizar materiais predominantemente orgânicos, idealiza-se muito mais do que um simples ato de consciência ambiental. Compreende-se que recolher também significa resgatar. Algo melhor, quiçá mais significativo e verdadeiro. Pois certo é que a beleza está presente em todos os recantos", destaca.

Segundo a curadora, o nome da mostra. "Recolhimentos", foi pensado para o contexto da pandemia, recorrendo a duplicidade de sentidos que tal palavra carrega. "Não é só recolher o descartado pela ação natural do tempo. Também remete ao momento, com cada pessoa se recolhendo em sua casa, estando mais voltada a si mesma", pontua.

Em seu processo criativo, Silvério conta que respeita a forma de cada peça como ela veio da natureza. "O que faço é dar visibilidade. Trabalho apenas nos detalhes, sendo o mais fiel possível à sua forma natural", diz. "A natureza é a maior artista", enfatiza ele, que tem se dedicado intensamente à produção de esculturas durante esse período de distanciamento social.

Ao serem colocadas no ambiente da Mobilia 22 para a produção das fotos que dão vida à exposição, as esculturas de Silvério revelam como a arte também tem o poder de proporcionar bem-estar e de aconchego ao ambiente doméstico, algo que as pessoas estão buscando ainda mais nesse momento de pandemia. É a natureza se fazendo presente no cotidiano das pessoas de forma equilibrada e fluida.