Fundação Casa em Mirassol homenageia arte educadora infectada pelo coronavírus

SURPRESA

Fundação Casa em Mirassol homenageia arte educadora infectada pelo coronavírus

Internada com a Covid-19, Lariza Longo foi surpreendida por um vídeo que registra exposição com trabalhos concebidos a partir de seus ensinamentos


Detalhe da exposição da Fundação Casa de Mirassol
Detalhe da exposição da Fundação Casa de Mirassol - Reprodução

A arte educadora Lariza Morais Longo, que atua no centro da Fundação Casa em Mirassol, teve de ser afastada do trabalho ao contrair a Covid-19. Internada em um hospital de Rio Preto, ela foi surpreendida por um vídeo produzido pelos jovens internos, que registra uma exposição com trabalhos de artes visuais concebidos a partir de seus ensinamentos.

Utilizando diferentes técnicas de pintura e desenho, os jovens retrataram mulheres africanas e gueixas. A atividade fazia parte da oficina Pintura em Painel, ministrada por Lariza nos três primeiros meses do ano. Como ela ficou impedida de ver o resultado final da oficina, devido à infecção pelo novo coronavírus, a exposição foi a forma encontrada para homenageá-la.

Lariza ensinou os adolescentes em medida socioeducativa a utilizar técnicas mais aprimoradas de desenho e pintura, utilizando lápis de cor, lápis grafite, e tintas, por meio de um exercício de memória fotográfica. 

Além dos desenhos, os jovens também fizeram a pintura de duas geladeiras, que se transformaram em minibibliotecas para abrigar livros do centro mirassolense. Uma delas foi decorada com uma releitura da obra "O Abaporu", da pintora modernista Tarsila do Amaral (1886-1973).

Segundo o jovem André (nome fictício), de 17 anos, a atividade foi muito positiva, pois ressignificou a história das gueixas. "A agente educacional reescreveu a história das gueixas, desmistificando o que eu pensava. Aprendi muitas coisas nesses três meses de atividade, como desenvolver a paciência e a serenidade. Tudo tem seu tempo", destacou.

Outro jovem, João (nome fictício), também de 17 anos, relata os benefícios que atividade proporcionava. "Aprendi técnicas de pintura e durante a atividade eu distraia muito a cabeça. O tempo passava e a medida ficava mais leve", comentou.

De acordo com o diretor do centro socioeducativo, Sérgio Luiz Martins, todos torcem pela plena recuperação da educadora. "O trabalho realizado pela Lariza com os jovens foi extremamente positivo. Torcemos para que ela possa continuar trazendo para eles a oportunidade de se expressarem por meio das artes", concluiu.