Morre Nilce Lodi, a 'dama' da história de Rio Preto

LUTO

Morre Nilce Lodi, a 'dama' da história de Rio Preto

Referencial na preservação e valorização do patrimônio histórico de Rio Preto, a professora e historiadora Nilce Lodi despede-se de sua vida terrena aos 84 anos


A professora e historiadora Nilce Lodi dedicou-se à história 
de Rio Preto ao longo de sua trajetória profissional
A professora e historiadora Nilce Lodi dedicou-se à história de Rio Preto ao longo de sua trajetória profissional - Arquivo

Uma das figuras referenciais na preservação e valorização do patrimônio histórico de Rio Preto, a professora e historiadora Nilce Aparecida Lodi Rizzini morreu, na madrugada de domingo, 26, aos 84 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ela estava internada no Hospital Santa Helena, em Rio Preto, onde havia passado por duas cirurgias.

Responsável pela coluna "Diário História", publicada pelo Diário da Região desde 2006, Nilce Lodi reverenciou a história de Rio Preto ao longo de sua trajetória profissional. "Como ela tinha uma boa comunicação, sempre era chamada para dar palestras em instituições de ensino da cidade. Além disso, publicou vários livros sobre diferentes aspectos da história de Rio Preto, um deles voltado ao público infantil. No período de aniversário da cidade [no mês de março], essa obra é muito requisitada na Biblioteca Municipal", comenta o secretário municipal de Cultura, Pedro Ganga, referindo-se ao livro "São José do Rio Preto: História de Uma Cidade" (2001), que conta com ilustrações de Décio Montagnin.

Nilce Lodi foi cofundadora do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Rio Preto (IHGG), no qual atuou como coordenadora entre 2000 e 2008 e como vice-presente em 2009. Ela ainda participou, em 1975, da instalação do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (Comdephact), sendo responsável pela sua presidência entre 1986 e 2000. O acervo do Comdephact integra atualmente o Arquivo Público Municipal.

"Nilce Lodi teve um papel importante na preservação da memória e da história da cidade. Nos anos 1970 e 80, ela entrevistou dezenas de mulheres e homens que foram lideranças importantes em áreas como cultura e educação. Ela tinha uma preocupação genuína com a história", relembra o jornalista e escritor Lelé Arantes, que, por meio de sua editora, a THS, publicou obras da professora e historiadora rio-pretense.

Arantes ainda destaca que Nilce Lodi morou na mesma casa ao longo de toda a sua vida. Trata-se de um imóvel localizado na Rua Coronel Spinola de Castro, entre as ruas Silva Jardim e Jorge Tibiriçá, ao lado do Sindicato dos Bancários. 

A professora e historiadora teve uma participação intensa na vida social de Rio Preto. Imortal da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura (Arlec), ela foi uma das fundadoras da Sociedade Cultural Ítalo-brasileira "Amici d'Itália", em 1983, e sócia da Rede de Escritoras Brasileiras (Rebra), participando de duas edições da Jornada Internacional de Mulheres Escritoras (2008 e 2009).

"Ela prestou grande colaboração tanto na Amici d'Itália quanto na Arlec. Tivemos a oportunidade de trabalhar juntas nas duas entidades, e ela sempre foi muito participativa e produtiva. Sempre tinha uma alternativa de solução diante de qualquer obstáculo. Na Arlec, tive o privilégio de poder trocar mensagens com ela via e-mail, enquanto ainda podia estar sentada e escrever. Mesmo adoentada, fazia questão de participar e levei a ela algumas publicações da revista literária 'Kapiiuara'. Uma mulher inteligente e elegante no falar que nos fará muita falta", comenta a professora e escritora Rosalie Gallo y Sanchez.

Outra contribuição importante de Nilce Lodi foi para a Igreja Católica em Rio Preto. Ela também se dedicou a registrar a história da Diocese local, que resultaram em publicações como "Retrospectiva Histórica a Igreja Católica na Diocese de São José do Rio Preto". Foi ainda membro da Comissão Diocesana para Bens Culturais.

Nascida em 11 de março de 1936, em Rio Preto, Nilce Lodi formou-se em Pedagogia em 1960, pela Fafi (atual Ibilce/Unesp) e defendeu tese de doutorado em Filosofia pela mesma instituição, em 1968, sendo a sua primeira aluna a contar com uma titulação desse tipo.