SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 16 DE OUTUBRO DE 2021
LITERATURA E CIÊNCIA

Quem foi Cora Coralina, que agora dá nome a um sapinho

Em 2005, a escritora e doceira também batizou uma nova espécie de peixe tropical, o Xenurobrycon coracoralinae

Harlen Felix
Publicado em 08/07/2020 às 10:19Atualizado em 07/06/2021 às 00:32
Cientistas homenagearam Cora Coralina ao batizar nova espécie de anfíbio (Reprodução)

Cientistas homenagearam Cora Coralina ao batizar nova espécie de anfíbio (Reprodução)

Cora Coralina (1889-1981) voltou ao noticiário esta semana quando os pesquisadores batizaram uma nova espécie de anfíbio encontrado em Goiás com o nome da poeta e doceira mais famosa da região.Trata-se de uma espécie minúscula de um anfíbio, que mede entre 1,25cm e 1,53cm, revelada agora por um grupo de pesquisadores das universidade estaduais de Campinas (Unicamp), Paulista (Unesp), no campus Rio Claro, e da Universidade Federal de Uberlândia, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Foi o pesquisador Felipe Andrade quem batizou esse pequeno anfíbio de Pseudopaludicola coracoralinae.O artigo sobre a descoberta foi publicado na semana passada, no European Journal of Taxonomy. Esta é a segunda vez que a poeta goiana é homenageada pela ciência. Em 2005, ela também batizou uma nova espécie de peixe tropical, o Xenurobrycon coracoralinae. 

Quem foi Cora Coralina

Cora Coralina foi o nome que Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, também conhecida como Aninha, adotou quando já era uma aspirante a poeta. Nascida em 20 de agosto de 1889, meses antes da proclamação da República, ela começou a escrever muito cedo, antes dos 15 anos, mas só foi publicar seu primeiro livro, "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais", em 1965 - depois de casar, trocar sua Vila Boa de Goiás natal por São Paulo, criar quatro filhos, enviuvar e vender tecido, doce e livro.

Àquela altura, Cora Coralina já era uma senhora de 75 anos que vivia dos doces que fazia na Cidade de Goiás. Seu nome ficou mais conhecido no Brasil depois de Carlos Drummond de Andrade publicar um texto sobre ela no Jornal do Brasil, em 1980.

A autora publicou ainda "Meu Livro de Cordel" (1976) e "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha" (1983). Publicaria mais um volume, "Estórias da Casa Velha da Ponte", previsto para 1984, mas ela estava cansada. Cora morreu no dia 10 de abril de 1985.

Hoje, sua obra está reunida no catálogo da Global e recentemente, no aniversário de 110 anos de nascimento de Cora, sua filha disse que ainda havia inéditos em seu baú. Cora também inspirou um filme: "Todas as Vidas".

Cora Coralina viveu a vida simples que tanto valorizava e sobre a qual escrevia em seus poemas.

 
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