Série 'Dark' chega ao fim com estreia de 3ª temporada

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Série 'Dark' chega ao fim com estreia de 3ª temporada

Hypada série alemã da Netflix tem seus mistérios revelados na última temporada, que estreia na plataforma de streaming neste sábado, 27,


Atores Louis Hoffman e Lisa Vicari fazem o par romântico da série 'Dark', Jonas e Martha
Atores Louis Hoffman e Lisa Vicari fazem o par romântico da série 'Dark', Jonas e Martha - Netflix/Divulgação

27 de junho é o dia do apocalipse em Winden, a cidade que serve de cenário para "Dark", a série alemã da Netflix que caiu nas graças tanto do público como da crítica, a ponto de ser eleita a melhor de todas as produções originais da plataforma de streaming em recente votação popular feita pelo conceituado site Rotten Tomatoes. E 27 de junho também é a data de estreia da terceira e última temporada da série de ficção científica criada por Baran bo Odar e Jantje Friese. Ou seja, vai ter muita gente dedicando o sábado a "maratonar" "Dark", na busca por desvendar os mistérios de sua instigante trama sobre viagens no tempo.

Para o servidor público Alex Silva Santos, que é apaixonado por filmes e séries, "Dark" é daquelas histórias que conseguem "dar um nó no cérebro" do espectador com seus mistérios. E olha que eles não são poucos, pois a trama acompanha a trajetória de personagens ligados a quatro famílias de Winden com saltos temporais que tornam passado, presente e futuro uma coisa só. "No começo, fiquei meio perdido e precisei fazer anotações para poder entender melhor as ligações temporais que a série propõe. O mais interessante de 'Dark' é que existe uma fantasia em torno dessa mística das viagens no tempo, mas ela é muito palpável, muito realista", comenta.

"Dark" é um dos frutos da "safra oitentista" da Netflix, as produções cujas histórias se passam nos anos 1980 justamente para fisgar o público adulto pelo viés da nostalgia. "Stranger Things" é a obra mais icônica dessa categoria, e cujo roteiro tem até certas semelhanças com "Dark". No entanto, a série alemã consegue ir bem mais fundo em seus mistérios e suas tramas. "No começo, é quase a mesma história: numa pacata cidadezinha do interior, crianças começam a desaparecer por um motivo misterioso. Mas essa semelhança logo se desfaz, dada à complexidade da trama principal e das subsequentes subtramas, que não remetem mais aos anos 1980, mas a outros tempos históricos do passado e do futuro", destaca o roteirista, conteudista e tradutor rio-pretense Daniel Martins, que presta serviço a empresa norte-americana 1021 Creative, analisando filmes e programas de TV com vistas ao mercado brasileiro.

Para Martins, a construção das personagens de "Dark" é muito mais refinada do que a de "Strange Things". "Todos são personagens falhos no sentido mais humano da palavra: ninguém é perfeito, e ninguém é totalmente bom ou ruim. São todas personagens que carregam um trauma muito forte, buscando superá-lo ao mesmo tempo que o esconde de todos os demais. Justamente esse aspecto humano, de serem mais 'gente como a gente', que aproxima talvez o espectador, facilitando a identificação."

Na opinião de Santos, "Dark" não é simplesmente uma série sobre viagens no tempo, mas, acima de tudo, sobre relações humanas, em especial as relações familiares. "A possibilidade de viajar no tempo acaba se tornando uma metáfora sobre o recomeçar. Se eu tivesse a chance de voltar atrás, tomaria a mesma atitude diante de determinada situação traumática? Essa é uma das questões lançadas pela trama da série alemã", diz.

A abordagem inteligente que "Dark" faz em torno das viagens no tempo é fruto de um bem alinhavado roteiro, que, de acordo com Martins, segue uma estrutura de quebra-cabeça que pouco a pouco vai juntando suas peças. "Mas essas peças nunca se encaixam por completo. Quando um mistério é revelado, outro surge, tornando toda a história ainda mais complexa. Sempre falta uma peça. E nós, como espectadores, ficamos loucos tentando solucionar essa história que nunca tem fim", sinaliza.

A produção de séries não é algo forte na indústria cultural alemã. Mas "Dark" consegue se apropriar com primazia de uma tradição que tem origem nos Estados Unidos. "Ainda que feita na Alemanha, nos arredores de Berlim, a narrativa é muito norte-americana: a ambientação numa cidadezinha do interior - quantos filmes e séries dos EUA não são assim? -, a possibilidade de uma catástrofe nuclear, a nostalgia dos anos 1980...", enumera Martins. 

No entanto, o roteirista rio-pretense destaca que a "pegada alemã" que diferencia "Dar" de séries típicas norte-americanas é a forma muito mais racional e hermética de construir tramas e personagens. "Há várias referências à própria filosofia metafísica alemã, em particular ao filósofo mais canônico deles, [Friedrich] Nietzsche. Nesse ponto, ela se diferencia e causa essa sensação de estranhamento. É algo muito próximo de tudo aquilo que a gente já viu, só que de uma maneira muito mais bem elaborada", diz Martins.