Companhia de dança de Rio Preto completa 17 anos de história

LITERALMENTE VIRTUAL

Companhia de dança de Rio Preto completa 17 anos de história

Virtual Companhia de Dança, que completa 17 anos anos de trajetória, prepara espetáculo híbrido que utiliza hologramas no lugar dos intérpretes ao vivo


Dançarino Rafael Abreu protagoniza 'Horácio', solo contemplado no Prêmio Nelson Seixas
Dançarino Rafael Abreu protagoniza 'Horácio', solo contemplado no Prêmio Nelson Seixas - Fotos: Divulgação

Quando a Virtual Cia. de Dança, de Rio Preto, começou a conceber seu novo espetáculo - a terceira parte da trilogia "Diálogos", dedicada ao legado do Les Ballets Russes -, no final do ano passado, o novo coronavírus ainda não havia se tornado um problema mundial. No entanto, havia algo de premonitório nas escolhas criativas que conceituam a produção, intitulada "Terceiro Diálogo - Les Ballets Russes" e com estreia programada para março do próximo ano. Isso porque ela não conta com intérpretes ao vivo, se constituindo em um dispositivo cênico coreográfico atravessado por figurinos manipulados mecanicamente e hologramas de dançarinos.

"Terceiro Diálogo" pode ser considerada a obra mais híbrida da Virtual, que completa 17 anos de história exatamente nesta sexta-feira, 26 - em 2003, neste mesmo dia, a companhia rio-pretense fundada pelo argentino Marcelo Zamora estreava "Pop", o primeiro espetáculo de seu repertório.

Segundo Zamora, a Virtual dialogou com a tecnologia audiovisual logo em sua primeira produção, que envolvia projeções realizadas em tempo real. Os recursos do holograma também já foram explorados em "Diálogos sobre Nijinsky" (2011), a primeira parte da trilogia dedicada à companhia de dança da Rússia. "Esse distanciamento social fortaleceu o discurso de nossa nova produção. Ela é oportuna para o momento", destaca.

O processo de criação acabou sendo interrompido pela pandemia da Covid-19. "Tínhamos uma temporada na Europa programada para julho, e a oportunizaríamos para continuar a criação do novo espetáculo", explica Zamora, que mais uma vez conta com a parceria da bailarina e coreógrafa rio-pretense Andressa Miyazato, radicada na Áustria, além da alemã Claudia Jeschke, bailarina, reconstrutora, historiadora e professora de ciência da dança - em "Terceiro Diálogo", ela é responsável pela dramaturgia.

Além do mecanismo cênico e do material animado digitalmente, "Terceiro Diálogo" usará o registro em vídeo de dançarinos de diferentes etnias para dar vida aos hologramas. A ideia, segundo Zamora, é se valer da mecanização do palco e da manipulação da mídia com foco em diferentes aspectos relacionados ao tempo: mudanças na percepção do espectador por meio da manipulação de estruturas temporais e espaços intermediários como geradores de coreografias digitais sobrepostas nas camadas do dispositivo cênico.

O fundador da Virtual conta que a terceira parte da trilogia "Diálogos" é, na verdade, a origem de todo o projeto artístico da companhia rio-pretense em torno do Les Ballets Russes. "Quando começamos a nossa pesquisa, identificamos que era necessário uma espécie de introdução, já que há duas figuras importantes na história do Les Ballets Russes: o dançarino [Vaslav] Nijinsky, a grande estrela da companhia, e [Serguei] Diághilev, o empresário que criou o seu conceito artístico."

Circulação

A Virtual optou por não realizar atividades via streaming durante esse período de distanciamento social por considerar saturada a sua oferta no momento. A companhia rio-pretense pretende retomar sua agenda presencial em outubro, dando início às comemorações oficiais de seus 17 anos com a circulação de "Horácio", solo protagonizado pelo dançarino Rafael Abreu e concebido em parceria com Samuel Kavalerski. São previstas dez apresentações em espaços de convivência pública de Rio Preto.

O projeto de circulação de "Horácio" foi contemplado pelo fomento do Prêmio Nelson Seixas 2020, da Secretaria Municipal de Cultura.

Também em outubro está programada uma residência artística na cidade com duas artistas do México: Fernanda Razo e María Fernanda Enríquez Valencia. Elas foram selecionadas por meio da parceria com o festival online FEEL - Re Configurando Espacios, promovido, entre março e abril, pelo coletivo mexicano Zona Cero. 

Ainda em outubro, haverá o lançamento do livro "Salto ao Vazio" (Editora Serifa). Com 200 páginas, a publicação trará um retrospecto da Virtual Cia. de Dança, que, ao longo de seus 17 anos, deu vida a nove obras, se apresentou em 11 estados brasileiros e realizou mais de 30 temporadas internacionais.