FUNK

Ellen Bold faz sua estreia com videoclipe de 'Viciosa'

Cantora trans, que é natural de Aparecida do Taboado, escolheu profissionais de Rio Preto para produzir seu primeiro clipe


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Ellen Bold anuncia seu primeiro EP com o videoclipe de 'Viciosa'
Ellen Bold anuncia seu primeiro EP com o videoclipe de 'Viciosa' - Divulgação

Cantoras trans protagonizam um momento pra lá de produtivo na música pop brasileira, ancoradas na projeção de nomes como Pabllo Vittar e Glória Groover, entre tantas outras. E Rio Preto, terra de Linn da Quebrada, projeta mais uma cantora que promete "causar" na cena nacional: Ellen Bold, que faz a sua estreia com o videoclipe da música "Viciosa".

O vídeo, com direito a touro mecânico e participação do modelo Lucas Medalha, foi todo produzido em Rio Preto, com making of na página de Ellen no Youtube.

"Viciosa", o single de estreia, é um funk com pegada eletrônica bem chiclete. E, claro, crava uma marca para a cantora, que é natural de Aparecida do Taboado (MS). "É uma expressão muito divertida usada no universo LGBTQI+. Já tem 'sapequinha', 'danada', 'poderosa' [risos]. Quis criar a minha marca com a 'viciosa'", conta Ellen, que tem 25 anos e se mudou para Rio Preto aos 17, quando fez sua transição de gênero. Por aqui, cursou faculdade de Publicidade e trabalhou como cabeleireira até se mudar para a França, onde realmente encontrou a oportunidade de ter contato com a música.

"Minhas brincadeiras de criança eram sempre montar banda, se apresentar, inventar músicas. Sempre fui apaixonada por esse universo da música, mas nunca tive a oportunidade de realmente me dedicar a isso, estudar, produzir. O que fazia mesmo era colocar algumas letras no papel, mas sem pretensão", conta a cantora, que aguarda a pandemia passar para lançar seu primeiro EP, "Sensação", com quatro faixas produzidas por Bevick, uma delas, "Viciosa".

O videoclipe dirigido por Marcelo Araújo, que também é cantor, e roteirizado por Danilo Anoni, tem uma estética country que remete às origens de Ellen, que, assim como Rio Preto, tem a música sertaneja como referência. A produção e direção de arte é de Guilherme Delamura e a direção de fotografia de Emerso Fernandes.

"A música se tornou uma forma de manifestação para as artistas trans, e nos mais diferentes estilos musicais. A música é um ato político pois nos permite ocupar espaços. Sou uma mulher trans e posso ser cantora, posso ser sexy, posso cantar funk", enfatiza Ellen, que, desde o início do período de distanciamento social, se encontra na casa da família em Aparecida do Taboado, aguardando ansiosa para lançar seu primeiro EP. "Esperei muito para isso. Foram cinco anos tentando dar vida a essa carreira na música. Mas vou ter que esperar mais um pouco, até tudo isso passar."