Idosa de 107 anos, com enfisema pulmonar, se cura da Covid em Cardoso

REGIÃO DE RIO PRETO

Idosa de 107 anos, com enfisema pulmonar, se cura da Covid em Cardoso

Dona Maria Rosária até ganhou uma garrafa de vinho da equipe de saúde que cuidou dela - a idosa toma um pouco todos os dias, no almoço e no jantar


Maria Rosária, 107 anos e com enfisema pulmonar, se curou da Covid-19 sem ficar nenhum dia internada
Maria Rosária, 107 anos e com enfisema pulmonar, se curou da Covid-19 sem ficar nenhum dia internada - Divulgação

Dona Maria Rosária tem 107 anos e tem enfisema pulmonar. O único sintoma de coronavírus que desenvolveu foi uma tosse e um pouco de catarro no pulmão. A moradora de Cardoso não ficou internada nenhum dia e na última segunda-feira, 20, após as duas semanas de quarentena, foi liberada para retornar ao convívio normal com a família - não antes de ganhar uma garrafa de vinho de presente da equipe de saúde que a acompanhou durante todo o tempo. É que a centenária toma um pouquinho todos os dias, durante o almoço e o jantar.

A filha dela, Maria Aparecida Soares, de 78 anos, acionou a equipe de saúde do município porque a tosse da mãe não passava. No dia 10 de julho, as duas foram de ambulância até a unidade desenvolvida pela Saúde de Cardoso especialmente para atender os casos suspeitos e confirmados de coronavírus, onde colheram amostras de fluidos respiratórios de dona Maria Rosária. No dia seguinte, por volta das 18h, quando a filha dela se preparava para assistir a reunião online da igreja, veio a notícia de que o teste era positivo para Covid-19. Maria lembrou de tudo que vem acontecendo pelo mundo - complicações em idosos, velórios sem despedidas. "Naquela hora parece que o chão abriu, uma pessoa de 107 anos com enfisema, o que a gente pode pensar? A gente vê o que acontece. Abri a boca a chorar", lembra. 

Foram dias complicados, de afastamento. A equipe de saúde orientou que ela parasse de dormir pertinho da mãe e passasse a utilizar álcool em gel, máscara e lavar as mãos com frequência. Maria Rosária, que gosta de tomar banho de sol em sua cadeira de rodas - a idosa já não consegue mais ficar em pé sozinha - e de ver as plantas e flores do quintal ficou brava e reclamou, mas teve de se acostumar a ir apenas do quarto para o banheiro por alguns dias. "Minha neta de 17 anos, a Lorena, que me ajudava. Não consigo levantar ela sozinha", conta Maria. A mãe continuou comendo sozinha e sentindo o gosto dos alimentos. 

Danilo Bombarde de Azevedo, enfermeiro da ESF Deolisia Ferreira Borges, foi um dos profissionais que cuidaram de Maria Rosária. "Sábado e domingo a gente foi acompanhando por telefone e durante a semana a gente ia todo dia na casa dela. A gente não sabia como ia ser de um dia para o outro, ela tem enfisema pulmonar, o medo da gente era muito grande. Várias pessoas que não tinham tanta comorbidade estavam falecendo, aqui tem três óbitos", afirma. "É uma gratificação muito grande ver uma senhora dessa idade sair de uma doença tão grave. No dia que demos alta para ela, ela até sorriu", comemora o profissional. 

Maria Rosária foi presenteada com uma garrafa de vinho - ela toma todos os dias, e não perde a chance de pedir um pouquinho de cerveja se vê alguém tomando. "Aquilo para ela foi uma beleza", diz a filha sobre o presente, entregue no momento da alta. "Eu agradeci muito a Deus, primeiro a Deus, depois os médicos. Eles foram muito bonzinhos, pessoas excelentes, muito amorosas com ela", lembra Maria.