SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2022
PROTEÇÃO AOS MACACOS

Força-tarefa vai investigar morte de macacos em Rio Preto

Rio Preto terá força-tarefa para investigar o que tem causado as internações e as mortes de macacos; cinco animais morreram e outros três estão em tratamento com suspeita de intoxicação

Marco Antonio dos Santos
Publicado em 05/08/2022 às 22:21Atualizado em 05/08/2022 às 23:14
Equipe do Zoológico de Rio Preto durante atendimento a um dos macacos resgatados (Marco Antonio dos Santos 4/8/2022)

Equipe do Zoológico de Rio Preto durante atendimento a um dos macacos resgatados (Marco Antonio dos Santos 4/8/2022)

Uma força-tarefa municipal foi criada nesta sexta-feira, 5, para apurar os casos de mortandade e supostos ataques a macacos em Rio Preto. Vão participar deste comitê emergencial representantes da Polícia Ambiental, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, do Centro de Zoonoses, do Zoológico Municipal e da Vigilância Epidemiológica de Rio Preto.

O grupo foi criado porque nesta semana cinco macacos morreram. Quatro deles, todos saguis-de-tufo-preto, foram acolhidos emergencialmente pelo Zoológico, mas não resistiram. Eles foram encontrados no Parque Ecológico Sul, no Vivendas. Um filhote de macaco-prego foi encontrado morto na Mata dos Macacos, entre Rio Preto e Bady Bassitt. E outros três macacos-prego, também da mata, estão em tratamento no zoo.

Há suspeita de que eles tenham sido intoxicados, mas por enquanto não se sabe se isso aconteceu de forma acidental, com ingestão de algum produto, ou foi proposital, provocada por pessoas que acreditam, erroneamente, que os primatas são responsáveis pela transmissão da nova varíola.

Um dos animais socorridos na Mata dos Macacos teve o fêmur fraturado e passou por cirurgia. O animal passa por exames clínicos para avaliar a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica.

Segundo o major Alessandro Daleck, da Polícia Ambiental, um dos participantes da reunião da força-tarefa, a prioridade é descobrir o que teria provocado as mortes e a intoxicação dos animais.

“Exceto o caso do primata que apareceu com lesões, que pode ter sido atacado ou até atropelado, não podemos dizer o que matou os saguis-de-tufos-pretos. Neste momento, não dá para afirmar isso (envenenamento), até que tenhamos um laudo”, diz o oficial. Uma outra possibilidade é que os ataques tenham sido feitos por pessoas envolvidas com o tráfico de animais (biopirataria).

Os corpos dos macacos mortos vão ser analisados pela Unesp de Bauru. O resultado da análise é considerado fundamental para direcionar o trabalho da força-tarefa.

“Enquanto não descobrimos o que aconteceu com os macacos, de forma preventiva, aumentamos o patrulhamento nas regiões de Rio Preto onde os animais foram recolhidos”, diz o major.

Daleck diz que não está descartada a hipótese de que os animais mortos possam ter sido contaminados por alguma doença ainda não diagnosticada.

Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Katia Penteado, uma das providências imediatas adotadas pela Prefeitura é fazer a limpeza das proximidades da Mata dos Macacos. “Vamos fazer a limpeza constante, porque lá não é um espaço só de visitação, é um espaço de passagem para sítios de Rio Preto e Bady Bassitt. O que se percebe é um acúmulo muito grande de lixo domiciliar. Isso é um superproblema”, diz a secretária.

“A gente quer fazer um trabalho bem intensivo com os ciclistas e pedestres que passam pelo local e orientar as pessoas que fazem as visitas aos macacos. Vamos fazer mudança das placas”, afirma a secretária.

Conforme Andreia Negri, coordenadora de Vigilância em Saúde de Rio Preto, a doença não é transmitida do contato entre humanos e macacos, mas sim entre humanos infectados pela doença.

Hospitais da região serão referência

Três hospitais de Rio Preto vão ser referência no tratamento de casos graves da varíola do macacos (Monkeypox). A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde ao Diário. Hospital da Criança e Maternidade (HCM), Hospital de Base e o Hospital Estadual João Paulo 2° funcionarão como unidades de referência no tratamento de casos graves da doença.

Também integrará a rede a unidade do Instituto Adolfo Lutz de Rio Preto, que ajudará na identificação do vírus, por meio de exames laboratoriais. Segundo a Saúde, o Lutz fará toda a vigilância genômica dos casos no Estado, acompanhando o comportamento da doença com a análise do vírus em circulação em São Paulo.

“Este conjunto de ações desenvolvidas pelas equipes das duas Secretarias de Estado (Saúde e Ciência) é fundamental para o enfrentamento da doença em São Paulo. São diretrizes importantes e que auxiliam toda a rede de saúde e a população, evitando agravamentos pela doença e a ampliação da transmissão em São Paulo”, disse o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Além dos três hospitais de Rio Preto, o plano de enfrentamento da doença inclui outros 90 unidades do Estado. Ao todo, as 645 cidades de São Paulo já contabilizam 1.404 casos confirmados da Monkeypox, sendo que quatro são no Noroeste Paulista: três em Rio Preto e um em Bady Bassitt.

Nesta sexta-feira, dia 5, a Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou o terceiro caso da nova varíola na cidade. Trata-se de um homem de 39 anos, que tem histórico de viagem para São Paulo e está sendo monitorado pela Vigilância Epidemiológica. Segundo a pasta, os sintomas começaram no dia 27 de julho e o resultado positivo para a doença saiu na quinta-feira, 4 de agosto.

Os outros dois casos - dois homens, de 33 e 34 anos, residentes de Rio Preto -, foram confirmados pela Secretaria no início da semana. De acordo com a pasta, o paciente de 33 anos começou a apresentar os sintomas dia 23 de julho. O outro homem teve início dos sintomas no dia 26 de julho.

Em Bady Bassitt, o paciente é do sexo masculino, de 33 anos, chegou a passar por tratamento no Hospital de Base, mas já recebeu alta. Segundo a prefeitura, ele apresentou os primeiros sintomas da doença após ter retornado de uma viagem à Argentina.

Apesar de ser chamada de varíola dos macacos, não há participação de macacos na transmissão para humanos. A nova varíola é transmitida por contato próximo ou íntimo como uma pessoa infectada ou por contato com objetos, tecidos e superfícies que foram utilizadas na pele de pessoas infectadas, como alicates de unha, por exemplo.

Tire suas dúvidas

Prevenção contra a Monkeypox:

Evitar contato íntimo ou sexual com pessoas que tenham lesões na pele;

Evitar beijar, abraçar ou fazer sexo com alguém com a doença;

Higienização das mãos com água e sabão e uso de álcool gel;

Não compartilhar roupas de cama, toalhas, talheres, copos, objetos pessoais ou brinquedos sexuais;

Uso de máscaras, protegendo contra gotículas e saliva, entre casos confirmados e contactantes.

Sintomas da nova varíola (Monkeypox)

O principal sintoma é o aparecimento de lesões parecidas com espinhas ou bolhas, que podem surgir no rosto, dentro da boca ou em outras partes do corpo, como mãos, pés, peito, genitais ou ânus;

Caroço no pescoço, axila e virilhas;

Febre;

Dor de cabeça;

Calafrios;

Cansaço;

Dores musculares.

Graus

Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, classificam grau de risco de exposição ao vírus de algumas atividades

Grau de exposição alto: contato desprotegido entre a pele ou mucosas de uma pessoa e a pele, lesões ou fluidos corporais de um paciente com diagnóstico positivo; compartilhamento ou contato desprotegido com materiais contaminados, como toalhas, lençóis e roupas.

Grau de exposição intermediário: ficar a menos de 1,8 metro por 3 horas ou mais de um paciente com a doença, sem máscara; ou contato entre as mangas, outras partes da roupa, e as lesões de pele do paciente, usando luvas, mas sem avental

Grau de exposição baixo/incerto: entrar no quarto do paciente sem usar proteção para os olhos em uma ou mais ocasiões, independentemente da duração da exposição

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria de Saúde de Rio Preto, Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e reportagem

Macaco-prego levado ao Zoológico pela Polícia Ambiental (Marco Antonio dos Santos 4/8/2022)

 
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