Conheça exemplos de pessoas que ajudam a mudar a cara de Rio Preto

REVITALIZAÇÃO

Conheça exemplos de pessoas que ajudam a mudar a cara de Rio Preto

Exemplos de pessoas que investem o próprio tempo e dinheiro para embelezar a cidade se espalham por Rio Preto; são ações como revitalização de espaços públicos ou mesmo plantio de árvores que ajudam a mudar a cara da cidade


Julio Lahos  no jardim que criou próximo a sua casa, no Cidade Jardim
Julio Lahos no jardim que criou próximo a sua casa, no Cidade Jardim - Johnny Torres 30/6/2020

O aposentado Júlio Lahos, 60 anos, estava cansado de sair na calçada todos os dias e deparar com o mato alto no terreno que fica na rua da casa onde ele mora, no bairro Cidade Jardim, em Rio Preto. O local é um espaço público que estava incomodando os vizinhos, principalmente devido ao surgimento de animais peçonhentos.

Desde o início do ano, ele iniciou um projeto de revitalização do local por conta própria. "Primeiro, plantei a muda e uma árvore que minha neta ganhou na escolinha. Depois fui plantando mais", conta o aposentado, que decidiu pelo plantio, já que o terreno não está debaixo da rede elétrica.

Com um balde de água nas mãos, ele percorria cerca de 100 metros para aguar as mudas de jabuticabeira, mangueira, limoeira, pitangueira, abacateira e pitangueira. Para melhorar a aparência do espaço, ele tirou dinheiro do próprio bolso para o serviço de roçagem. "A Prefeitura vem umas duas vezes no ano, mas o mato cresce mais rápido. Contratei um vizinho que é jardineiro para limpar o terreno".

Com a chegada da pandemia e com as regras de isolamento social, o aposentado passou a se dedicar cada vez mais no local. "Comprei alguns paletes e comecei a construir umas estruturas". Além das construções, o espaço também tem troncos de árvores decorativos e comedouros para pássaros. Ele reforça que não realizou o corte de nenhuma árvore e que os troncos foram encontrados em uma fazenda, próximo de Tanabi.

O novo espaço começou a atrair atenção dos vizinhos. "Tem pessoa que vem pra cá só pra tirar foto", diz. A vida animal também começou a ser mais presente no espaço. "Escuto os passarinhos cantarem, era uma coisa que não tinha antes." Feliz com o resultado, ele diz ter sido essa a maneira encontrada para enfrentar o isolamento.

Júlio não é o único. Moradores de Rio Preto investem o próprio tempo e dinheiro para embelezar as regiões onde vivem.

Sair na calçada de casa e poder deparar com um jardim bonito e florido é o que motiva as vizinhas Rosemeire, Eliane e Maria, todas moradores do Jardim Gisete, região norte da cidade. Há cerca de um ano, as três se revezam em cuidar de um espaço de aproximadamente 65 metros de extensão, localizado em um terreno público.

Rosemeire lembra que o antigo proprietário de uma padaria foi quem deu início ao jardim, mas acabou deixando o projeto quando saiu do estabelecimento. "Era um matagal, quando ele deixou de cuidar nós adotamos a ideia. Compramos as primeiras mudas, depois fomo pedindo para outros vizinhos e clientes".

Rosemeire diz que as amigas já pensaram em desistir depois que diversas plantas foram furtadas e outras vandalizadas. O que motiva as amigas é poder proporcionar um pouco mais de beleza para o ambiente. "Poder ver as pessoas encantadas e parando para tirar foto é suficiente para nós", reforça. 

Projeto Viva Praça

O município possui o projeto Viva Praça, no qual moradores adotam espaços públicos e ficam, junto com o município, responsáveis pela manutenção dos espaços. De acordo com a secretaria de Serviços Gerais de Rio Preto, a gestão atual registrou 36 adoções públicas até o momento. Neste ano, apenas um acordo foi firmado. Em 2019 foram 7, em 2018 foram registrados 18 e em 2017 dez acordos foram firmados.

Apesar da boa intenção de muitos moradores que buscam pela melhoria de qualidade de vida e embelezamento da cidade, a coordenadoria de Manutenção de Áreas Públicas, Praças e Jardins da Secretaria Municipal de Serviços Gerais alerta a população sobre a importância de observar alguns critério técnicos e legais antes de investir em ações de plantio em áreas públicas.

Segundo o responsável pela pasta, Ulisses Ramalho, nem toda área pública é passível de receber jardins e árvores. "Existem critérios de padronização que devem ser seguidos para o plantio de qualquer espécie nas áreas públicas na sua totalidade, pois vários incidentes desagradáveis ocorrem devido ao plantio em locais indiscriminados".

Entre as causas que podem levar à erradicação de espécies plantadas por moradores estão acidentes causados pela visibilidade reduzida para manobras automobilísticas, instabilidade no fornecimento de energia elétrica pelo contato da árvore com rede energizada, raízes provocando danos a galerias, ramais de tubulações subterrâneas, dificuldade de locomoção de transeuntes, além dos riscos de possíveis danos às próprias árvores.

Ainda de acordo com o secretário, o projeto Viva Praça é uma parceria oficial entre a Prefeitura e o cidadão, que traz regras, critérios e diretrizes baseadas em projeto elaborado por técnicos especialistas, visando esforços mútuos para a manutenção criteriosa de áreas públicas aptas a receberem implantação de paisagismo. (FN)