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PANDEMIA

Posso deixar de usar máscara? Tire suas dúvidas após receber a vacina contra a Covid-19

Especialistas respondem hábitos que devemos adotar após a vacinação

por Rone Carvalho
Publicado em 24/07/2021 às 17:14Atualizado em 24/07/2021 às 20:53
Imagem de Frauke Riether por Pixabay (Imagem de Frauke Riether por Pixabay)
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Com expectativa que até o fim de agosto todos os paulistas com mais de 18 anos estejam vacinados contra a Covid-19 nas 645 cidades do Estado de São Paulo surge o questionamento: o que muda na vida dos brasileiros depois de receber as duas doses dos imunizantes contra a doença que parou o mundo?

Segundo o professor de medicina da UFMG, Vandack Nobre, o Brasil deve se inspirar nos exemplos de países que já estão com boa parte da população imunizada. "É muito provável que o Brasil se beneficie de experiências de outros países. Ou seja, na Europa, eles estão tirando a obrigatoriedade da máscara em espaços públicos, o que também devemos adotar aqui quando boa parte da população estiver imunizada, mas se lá observarem um aumento de casos, podemos recuar dessa decisão”.

E com o objetivo de ajudar a você tirar suas dúvidas sobre a vida pós-vacina, o Diário apresenta um guia com as principais incertezas das pessoas sobre o que muda após receber os imunizantes contra o coronavírus. Tire suas dúvidas na arte ao lado.

Tire suas dúvidas depois de receber a vacina

Quando vamos deixar de usar máscaras?

Especialistas garantem que somente quando a maior parte da população estiver imunizada, ou seja, ter recebido as duas doses dos imunizantes contra a Covid-19 ou a dose única da Janssen.

Entretanto, alguns países que já atingiram boa cobertura vacinal e retiraram o uso obrigatório do uso de máscara, voltaram atrás diante do aumento de casos de coronavírus mediante o surgimento de novas variantes da doença.

De fato, mesmo que a máscara deixe de ser obrigatória após toda a população com mais de 18 anos do país estiver imunizada por completo, em espaços fechados, a recomendação é que as pessoas continuem usando. Além disso, dependendo do número de infectados pela doença, a máscara pode, no futuro, mesmo com toda população vacinada voltar a ser adotada.

Depois que tomar as duas doses das vacinas contra a Covid-19 posso deixar de usar a máscara?

Não. Especialistas recomendam que todas as medidas de proteção ainda devem ser mantidas, como uso de máscara e higienização das mãos com álcool em gel, principalmente, em espaços fechados. Além disso, o uso de máscara continua sendo obrigatório nas 645 cidades do Estado de São Paulo.

Estou vacinado com duas doses; posso me encontrar com outras pessoas também totalmente imunizadas e realizarmos um churrasco em casa?

O decreto estadual que proíbe aglomerações de pessoas em qualquer local continua valendo no Estado de São Paulo. Contudo, caso o evento seja familiar e com poucas pessoas (todas vacinas), é possível realizar, mas deve ocorrer em um local com boa ventilação e com distanciamento entre os participantes.

Estou vacinado com duas doses ou dose única; posso me encontrar com pessoas não vacinadas?

Sim, mas caso seja possível, o recomendado é evitar encontros desnecessários. Em todos os casos, a visita deve acontecer com respeito ao distanciamento social e uso de máscara, dê preferência do tipo PFF2 ou N95.

Não estou vacinado, tenho mais risco ao me encontrar com outras pessoas vacinadas?

Sim, isso porque o vírus continua circulando e você não está imunizado, o que aumento os riscos de ser infectado pelo coronavírus. Além disso, se todos do grupo pegarem a doença, provavelmente, a pessoa sem ter sido imunizada terá um quadro de saúde mais grave que as pessoas imunizadas.

Posso consumir bebida alcoólica antes ou depois de receber a vacina?

Não existe nenhuma contraindicação das farmacèuticas ou do Ministério da Saúde com relação à ingestão de álcool antes ou depois de receber o imunizante. Porém, especialistas alertam para que as pessoas evitem o consumo. Isso porque o álcool pode trazer sintomas que serão confundidos pelas pessoas como efeitos da vacina, dificultando a identificação em casos mais graves.

Quando estarei protegido após tomar a vacina?

Especialistas dizem que a proteção se estabelece no corpo após 15 dias depois da imunização completa, ou seja, duas semanas depois de receber a segunda dose da vacina ou da dose única da Janssen.

Entretanto, esse dado não é preciso, visto que cada organismo pode agir de uma forma a vacina. Dessa forma, algumas pessoas podem formam o ciclo de proteção contra Covid-19 antes de 15 dias e outras mais. Por isso, da importância de manter os cuidados sanitários mesmo depois de vacinado.

Posso morrer depois de receber a vacina?

Sim, nenhuma vacina é 100% capaz de evitar mortes por doenças. O que acontece é que as vacinas reduzem as chances de uma pessoa se infectar com o vírus e desenvolver quadros graves. Por isso, pode acontecer, de forma rara, que vacinados não consiga sobreviver aos efeitos do vírus.

Além disso, é possível que pessoas vacinadas sejam infectadas pelo vírus antes de ter a formação de uma resposta imunológica, no período de aproximadamente 15 dias após ter recebido a vacinação completa.

Esqueci de tomar a segunda dose dentro do prazo, minha imunização perdeu a eficácia?

O prazo de 28 dias, entre as doses da Coronavac; e de três meses, para as vacinas da Astrazeneca e Pfizer foram estabelecidos por pesquisadores junto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse é o tempo ideal, para que os imunizantes tenham o efeito desejado, por isso, da importância de cumprir corretamento o calendário de vacinação. Entretanto, caso não tenha recebido a segunda dose no prazo, não se preocupe. Pesquisadores dizem que o tempo pode ser estendido. O recomendado é procurar o ponto de vacinação o mais rápido possível para regularizar a situação, visto que caso o intervalo seja grande, existe a possibilidade de caso a pessoa ser infectado acabar por ajudar a disseminar novas variantes da Covid-19.

Posso ter reação alérgica grave após a vacina Covid-19?

Reações alérgicas graves (anafilaxia), em que a pessoa precisa ir a um hospital ou receber imediatamente injeção de adrenalina, podem acontecer com qualquer substância, incluindo as vacinas. Mas isso é muito raro.

Dessa forma, é importante sempre ser imunizado, com qualquer vacina, em local com estrutura para atendimento de emergência e com profissionais capacitados para rapidamente reconhecer e tratar a reação.

Eu já tive ou estou com Covid-19. Posso ou devo ser vacinado?

Como a duração da proteção gerada pela própria doença é desconhecida, e por existir a possibilidade de reinfecção, ainda que rara, a vacinação é indicada independentemente de histórico de doença ou infecção pelo SARs-Cov2.

Mas para vacinar é necessário aguardar o completo restabelecimento e no mínimo quatro semanas após o início dos sintomas (ou do primeiro resultado positivo no exame de RT-PCR).

As novas variantes do SARS-CoV-2 são cobertas pelas vacinas?

A julgar pelo conhecimento atual, provavelmente sim. Mas essa questão vem sendo e continuará sendo acompanhada de perto pela ciência. Caso surja alguma variante que interfira na resposta vacinal, os fabricantes rapidamente poderão adaptar suas vacinas.

Posso tomar outra vacina junto com a vacina contra a Covid-19? Se não, qual é o intervalo que é preciso respeitar?

Não pode. A recomendação atual é a de que seja respeitado um intervalo de no mínimo 14 dias (antes e depois) entre a administração da vacina contra a Covid-19 e outras vacinas. Se, por engano, isso acontecer, a secretaria de saúde do município deve ser notificada, pois trata-se de erro de imunização.

A orientação pode ser alterada caso dados futuros demonstrem mais segurança e eficácia da aplicação com outros intervalos ou simultaneamente.

O que acontece se eu tomar só uma dose da vacina? Posso me considerar protegido? Preciso recomeçar o esquema vacinal?

Os dados de eficácia conhecidos e comprovados referem-se a esquemas com duas doses, portanto, não podemos nos considerar protegidos com apenas uma dose. A exceção vale para a vacina da Janssen que é dose única.

Fonte: Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e reportagem.