Diário da Região
SAÚDE

Hoje é o Dia do AVC; atenção aos sinais pode salvar vidas

Hoje é dia mundial de alerta contra o Acidente Vascular Cerebral

por Ingrid Bicker
Publicado em 28/10/2020 às 21:04Atualizado em 06/06/2021 às 18:19
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Enquanto dirigia a caminho da casa da mãe, Denize Vessani, na época com 42 anos, passou mal e colidiu com um coqueiro no canteiro central da avenida em que estava. Apesar de ter sido socorrida como vítima de acidente de trânsito, ao chegar ao hospital os médicos descobriram que Denize, anteriormente, tinha sido vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Tudo isso aconteceu há sete anos, em 2013, e ela vive com sequelas até hoje.

Esta quinta-feira, 29, é Dia Mundial do AVC, doença para a qual há prevenção, porém, é necessário rapidez ao identificar qualquer sinal de alerta. Popularmente conhecido como derrame cerebral, o problema é a segunda maior causa de morte no Brasil, ficando atrás apenas das doenças cardíacas.

Existem dois tipos de AVC: o isquêmico, devido à obstrução de uma artéria no cérebro, e o hemorrágico, devido ao rompimento da artéria, causando sangramento. Para o tratamento do problema, segundo o médico cardiovascular Sthefano Atique Gabriel, é necessário identificar através de exame de tomografia qual foi o tipo. "Se houve sangramento, o paciente deve ser operado. Se for de origem isquêmica, pode receber o procedimento trombolítico ou anticoagulante, de acordo com a avaliação médica", menciona.

Depois de ficar dez dias em coma e passar por duas cirurgias no crânio, Denize acordou, mas com sequelas da doença, perdendo todos os movimentos do lado esquerdo do corpo. "Tive que reaprender a fazer tudo com uma mão só. Não deixo de fazer nada e nem de sair por causa da sequela. Sempre gostei de fazer artesanato e hoje me especializei em fazer santas com apenas uma mão", conta.

Para garantir rapidez e eficácia, é importante que os hospitais tenham um protocolo de atendimento específico para pacientes com sintomas de AVC e equipe especializada. "Cada segundo é muito importante, pois quanto antes o paciente receber atendimento menores serão as riscos de sequelas ou, se as tiver, menor será a gravidade", destaca a neurologista Marina Mamede Pozo, do Austa hospital.

No Complexo de Saúde Unimed, em Rio Preto, está disponível um procedimento chamado Trombólise. Nele, o paciente recebe substâncias fibrinolíticas ou trombolíticas que, em muitos casos, têm a capacidade de dissolver o coágulo que estava impedindo a passagem do sangue pela artéria e recanalizar este vaso.

Mas é preciso ser rápido. Segundo o neurologista Daniel Mazzo José, da Unimed, o prazo máximo para administração do medicamento é de quatro horas e meia após o início dos sintomas. "O paciente chega no pronto-atendimento, passa pelo neurologista e faz exames de tomografia ou ressonância. Se for constatado o AVC agudo e o início dos sintomas dentro desse período de quatro horas e meia, é possível iniciar o procedimento."

Ainda de acordo com o especialista, para identificar os sintomas é necessário perceber se houve alterações na fala, movimentação e orientação da pessoa. "Ao perceber um desses fatores, deve-se imediatamente buscar ajuda médica", afirma. O hospital Austa também utiliza trombolíticos como medicação.

(Colaborou Ingrid Bicker)

Sinais do AVC

Assimetria facial (boca torta é um exemplo) Vertigem (tontura) súbita intensa Dificuldade na fala e para movimentação da língua Alteração da força muscular ou formigamento, principalmente dos braços, pernas ou de um lado do corpo Desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente Perda da visão de um olho ou dos dois

Tipos

AVC isquêmico

Quando há o entupimento de um vaso sanguíneo

AVC hemorrágico

Quando se rompe um vaso no cérebro

Fatores de risco

Pressão alta Arritmias e outras doenças cardíacas Diabetes Colesterol alto Obesidade Tabagismo e uso de drogas Estresse e depressão

Como reduzir o risco

Praticar atividade física regularmente Ter uma dieta saudável rica em frutas, vegetais, fibras e com pouco sal Manter a pressão arterial baixa Evitar fumar