Dono de motel e três mulheres viram réus por pornografia infantil em Rio Preto
Segundo as investigações, as acusadas - mãe, tia e babá das vítimas, filmavam crianças em troca de contas pagas e convites para churrasco em condomínio

O Ministério Público de Rio Preto denunciou o empresário Marcos Roberto Orsi e três mulheres por associação criminosa e estupro de vulnerável contra, pelo menos, duas crianças filmadas e fotografadas com o objetivo de produção de conteúdo pornográfico infantil. A Justiça já aceitou a denúncia e os quatro acusados se tornaram réus em ação penal.
As mulheres são mãe, tia e babá das vítimas – elas não serão identificadas para preservar a identidade das crianças.
O juiz ainda acatou pedido do MP para instauração de novo inquérito policial após a investigação levantar indícios de que possam haver outras vítimas.
De acordo com a denúncia, os crimes aconteceram entre novembro de 2025 e janeiro 2026.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), apontam que Marcos mantinha relacionamento com uma profissional do sexo, de 40 anos, a qual conheceu no motel em que ele é proprietário. Essa mulher contava com o auxílio de uma babá, de 27 anos, para cuidar da filha dela, de 9 anos.
Durante o período em que se relacionou com a profissional, Marcos passou demonstrar interesse sexual pela criança, segundo a denúncia.
Perícia em aparelhos eletrônicos revelaram que o empresário pediu para a mulher uma calcinha usada da criança, com a exigência de que tivesse estampa de bichinho. Ela também chegou a levar a filha na casa dele.
Ainda segundo a denúncia, a babá da criança também foi orientada a produzir imagens, seguindo as orientações do empresário sobre quais regiões do corpo deveriam ser evidenciadas.
Em um vídeo obtido pela Polícia Civil, o homem faz elogios sobre partes do corpo da vítima. As mulheres afirmavam à criança que as imagens tinham finalidade médica.
De acordo com a denúncia, em troca das filmagens, Marcos oferecia vantagens à mãe e à babá, como festas em sua casa, regadas a álcool e drogas, bem como auxílio financeiro, chegando a pagar contas pessoais da mãe.
A outra mulher presa, de 20 anos, é filha de uma mulher que fez entrevista de emprego no motel. O empresário se aproximou dela, oferecendo ajuda financeira, em troca de imagens da sobrinha, também de 9 anos. Controle de acesso do condomínio aponta que a jovem frequentou a casa do empresário diversas vezes.
Segundo a denúncia, em uma das ocasiões, enquanto participavam de um churrasco, a acusada chamou a sobrinha para tomar banho e filmou a criança totalmente despida e, na sequência, transmitiu a ele a imagem. A menina teria dormido na residência, juntamente com a tia. A mãe da vítima afirmou que nada sabia.
O empresário e as três mulheres seguem presos preventivamente.
“Recebo a denúncia, pois presentes os requisitos legais. Citem-se os acusados para que, no prazo legal, respondam à acusação por escrito. Por fim, nos termos da manifestação do Órgão Ministerial, que acolho, determino a extração de cópias dos documentos e envio à Autoridade Policial para instauração de outro inquérito policial para apuração dos supostos fatos envolvendo outras vítimas”, escreveu o juiz da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
"A defesa está certa de que poderá, no curso do processo, desmistificar as ilações da acusação e esclarecer os fatos", respondeu Eduardo Kuntz, advogado do empresário.
A reportagem tenta identificar os advogados das mulheres. O espaço está aberto para manifestação.