SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
ANDAR DE BIKE

Áreas rurais região de Rio Preto conquistam mais ciclistas a cada dia

Série do Diário destaca hoje algumas das principais rotas, que saem de Rio Preto e vão até cidades próximas

Bruno FerroPublicado em 19/12/2020 às 00:30Atualizado há 06/06/2021 às 15:29
Série do Diário destaca hoje algumas das principais rotas, que saem de Rio Preto e vão até cidades próximas (Arquivo Pessoal)

Série do Diário destaca hoje algumas das principais rotas, que saem de Rio Preto e vão até cidades próximas (Arquivo Pessoal)

A rotina cansativa de trabalho, o estresse gerado pela pandemia da Covid-19 e o isolamento social podem ser quebrados com um passeio de bicicleta de tirar o fôlego pelas estradas de terra da área rural de Rio Preto e pequenas cidades da região. Esse é o tema da quarta reportagem da série "Aprendendo a andar de bicicleta".

Pedalar em trilhas em meio à natureza traz diversos benefícios como respirar ar puro, conhecer lugares que de carro dificilmente você chegaria, como linhas férreas, pequenas igrejas localizadas no interior de fazendas, canaviais, áreas de mata e até nascentes e pequenas cachoeiras. Tudo isso aliado a outros benefícios que já conhecemos como fazer novos amigos e a queima calórica que o ciclismo proporciona, que chega a até 500 calorias em uma hora de pedalada.

Na região de Rio Preto, há opções de trilhas para todos os gostos e fôlegos e a cada mês novos trajetos vão surgindo com a presença de mais praticantes da atividade. Os trajetos mais conhecidos e frequentados variam de 30 a 80 quilômetros de percurso, e vão de Rio Preto até algumas cidades da região como Mirassol, Guapiaçu, Nova Aliança e Bálsamo.

Ao contrário do que muita gente imagina, pedalar pelas estradas rurais pode ser mais seguro do que pedalar pelas ruas da cidade, devido ao baixo número de carros que trafegam por esses locais. Porém, o ciclista precisa ficar atento a alguns cuidados antes de pegar a magrela e ir para a terra, como conhecer o trajeto e sempre que possível levar o celular.

"O ciclista deve conhecer o trajeto que vai fazer ou levar um GPS para que não se perca. Estar equipado com os principais itens de segurança como capacete, óculos, luvas, roupas adequadas, água e ter farol na bicicleta também é fundamental. Além disso, é sempre importante avisar alguém sobre o trajeto que pretende percorrer e o horário de retorno", explica o personal trainer Leonardo Oliani.

Pedalando há pouco mais de três meses, a supervisora de comunicação Tatiane Bernardine, de 31 anos, começou no esporte percorrendo as trilhas da região de Rio Preto e logo se apaixonou pela modalidade. O pouco movimento de carros e o contato direto com a natureza foram dois dos atrativos que a fizeram optar por essa modalidade do ciclismo.

"Acho mais seguro e também me desconecto do estresse do dia a dia e do trabalho. Além de que nas rotas rurais é possível ter mais contato com a natureza já que você encontra diversas paisagens pelos caminhos", diz.

A paisagem e os diversos cenários foram os atrativos que também chamaram a atenção da educadora física Nathanny Santos Oliani. Ela relata que mesmo passando pelo mesmo trajetos algumas vezes, o cenário nunca se repete.

"Pedalar na terra tem suas vantagens. É menos perigoso em relação ao trânsito e podemos contemplar cada dia uma paisagem. Por mais que seja um caminho que a gente passa quase sempre, todo dia a gente vê algo diferente, um nascer ou um pôr do sol, encontramos vários amigos pelas trilhas, e o melhor de tudo que é poder tirar fotos lindas nas árvores, nas cercas e nas porteiras", comenta.

Para quem está começando no esporte e não tem muita familiaridade com os trajetos rurais, a dica é pedalar em grupos ou utilizar aplicativos que traçam rotas e oferecem mapas para ciclistas, como o Strava, por exemplo.

Aumento de ciclistas movimenta economia de pequenos estabelecimentos

O interesse em descobrir novos trajetos em meio à natureza ganhou um reforço com a estruturação e criação de diversos locais conhecidos como ponto de parada e apoio aos ciclistas. A proposta, além de criar alternativas de lazer para os praticantes do esporte fora dos centros urbanos, também fomenta a economia desses pontos de parada.

Um dos pontos mais tradicionais é o Bar do Bida, em Mirassol, a cerca de 400 metros da estrada de terra que liga o município a Rio Preto partindo da vicinal José Arroyo.

Criado há cerca de cinco anos, o estabelecimento viu seu público triplicar durante a pandemia, chegando a receber até dois mil ciclistas semanalmente. "Sempre tivemos a presença muito grande de ciclistas, mas nos últimos meses aumentou bastante. Já estamos com projeto de aumentar para melhorar o atendimento e oferecer mais serviços a eles como melhorias nos banheiros e quiosques para que possam descansar", explica o empresário Jorcino Gonçalves Junior, o Bida.

Já quem pedala uma distância um pouco maior e decide ir até a cidade de Bálsamo pode aproveitar as delícias de um café colonial servido no Cantinho da Roça. O local, que foi criado há seis meses, recebe dezenas de ciclistas todos os dias. "Há um ano fiquei doente e comprei o sítio para morar. Eu sempre via as bicicletas passando e resolvi abrir um espaço para oferecer água para os ciclistas. A ideia era fazer algo pequeno, mas o movimento foi aumentando e já precisamos dobrar o tamanho para atender a todos. Aos finais de semana, chego a vender 140 pães com ovo por dia, esse é o prato mais pedido. E recebemos ciclistas de diversas cidades como Tanabi, Monte Aprazível, Jaci, Guapiaçu, Rio Preto, Uchoa e Votuporanga", conta a empresária Rosimeire Tobias.

E foi pensando nesse movimento crescente que o ciclista e agora empresário Paulo Roberto Salles Júnior, o Pejota, inaugurou na semana passada a Toca do Pejota, um ponto de apoio ao ciclista em Rio Preto. O estabelecimento fica próximo à Represa Municipal, na estrada de terra comumente usada por ciclistas que vão até Cedral.

"Esse lado da cidade era carente de local de apoio para o ciclista. Não tinha nenhum estabelecimento que vende água ou comida. Além disso, disponibilizamos banheiros e ducha grátis para os ciclistas lavarem as bikes", explica. "A gente sempre espera que o negócio tenha movimento, mas me surpreendi com a resposta que tivemos nessa primeira semana de funcionamento. Foi muito além do que imaginávamos", acrescenta. (SM)

Principais trajetos

Rio Preto x Mirassol - É considerado um dos lugares mais "famosos" de se fazer trilha em Rio Preto. Devido à facilidade do trajeto, que é em sua maior parte plano, o percurso se torna um dos mais procurados por quem está iniciando no esporte. Normalmente você encontrará dezenas de ciclista ao longo do percurso.

Nível: iniciante

Extensão: 25 km

Rio Preto x Guapiaçu - Com uma paisagem que vai de plantação de eucaliptos até um pequeno rio em meio a muito verde, a rota que liga Rio Preto a Guapiaçu é uma das preferidas dos ciclistas. Com algumas subidas e trechos de "areião", é preciso um fôlego a mais para terminar o trajeto. Por ser um trecho curto é procurado por muitos ciclistas iniciantes e também de nível intermediário.

Nível: iniciante/ intermediário

Extensão: 25 km

Rio Preto x Nova Aliança - O trecho é mais longo, porém tem pouquíssimas subidas. O ciclista terá pouca dificuldade para fazer o trajeto que é em sua maior parte plano e por isso é usado por atletas iniciantes, que querem um trecho um pouco mais longo, ou de nível intermediário.

Nível: iniciante/ intermediário

Extensão: 45 km

Rio Preto x Bálsamo - Vários ciclistas gostam de fazer esse trecho pela beleza do trajeto. O percurso segue ao lado da linha férrea, e um de seus destinos é uma pequena cachoeira. A dificuldade fica por conta de algumas subidas, mas há opções de trajetos onde as subidas são mais suaves. Devido à distância, é preciso ter bastante fôlego!

Nível: intermediário/ difícil

Extensão: 70 km

Cedral - Um dos trajetos mais procurados pelos rio-pretenses que estão iniciando no pedal é o que liga o município a Cedral. Com poucas subidas, o trecho é bastante arborizado, o que proporciona um pedal agradável e com intenso contato com a natureza.

Nível: iniciante

Extensão: 25 km

Supervisora de comunicação, Tatiane Bernardine, de 31 anos, é apaixonada por pedalar nas trilhas rurais (Arquivo Pessoal)
Educadora física Nathanny Santos Oliani destaca o cenário como um dos pontos positivos das trilhas (Arquivo Pessoal)
Ciclista lava a bike rna Toca do Pejota (Arquivo Pessoal)
 
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