SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEXTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2021
JUSTIÇA

Júri condena dupla por matar advogado em Rio Preto

Julgamento começou na manhã de quinta e terminou na madrugada de sexta

Marco SantosPublicado em 16/10/2020 às 20:57Atualizado há 06/06/2021 às 18:49
Julgamento começou na manhã de quinta e terminou na madrugada de sexta (Guilherme Baffi 15/10/2020)

Julgamento começou na manhã de quinta e terminou na madrugada de sexta (Guilherme Baffi 15/10/2020)

O Tribunal do Júri condenou o administrador de empresas Cláudio Yuri Baptista a 21 anos de prisão e o peão de rodeios Keyssel Eduardo de Oliveira a 27 anos pelo assassinato do advogado José Arthur Vanzella Seba, aos 32 anos, em 2017. O julgamento começou às 10h de quinta-feira, 15, e terminou às 5h30 desta sexta-feira, 16.

Conhecido como Thui Seba, o advogado foi assassinado em 19 de julho de 2017, no loteamento Parque dos Buritis, zona norte de Rio Preto.

Na primeira versão dada à polícia, Cláudio, que era sócio de Thui, disse que ele e a vítima tinham ido até o loteamento para encontrar uma pessoa em uma negociação de terreno, mas foram surpreendidos por um assaltante e o advogado acabou morto a tiros. O administrador de empresa teria escapado sem ferimentos.

Desconfiado da versão, o delegado da Deic Wander Solgon conseguiu autorização da Justiça para quebra de sigilos telefônico e bancário de Cláudio, e descobriu diversas ligações telefônicas dias antes do crime e um depósito bancário no valor de R$ 50 mil em favor de Keyssel. A quantia seria como pagamento pela morte de Thui Seba.

Conforme denúncia do Ministério Público, Cláudio teria mandado matar o sócio para ficar com R$ 1 milhão de apólices de seguro. Logo que a trama foi descoberta, Claudio e Keyssel foram presos.

A juíza Gláucia Véspoli dos Santos Ramos de Oliveira acatou a decisão dos sete jurados após 18 horas de julgamento no Fórum de Rio Preto. Na sentença, a juíza ressalta o comportamento dos réu Cláudio.

"As circunstâncias que envolveram a prática do crime demonstram possuir o réu uma personalidade absolutamente deturpada de valores morais, vez que sentenciou à morte seu sócio, pessoa que o tinha como amigo, com quem convivia diariamente", diz a juíza na decisão.

Ainda na sentença, a juíza também ressalta que o assassinato do advogado afetou a vida da mulher com quem a vítima estava casado há 14 anos e fez com que a filha de seis meses do casal perdesse o pai de forma prematura.

A juíza aplicou pena maior para Keyssel pelo agravante de ele já ter tido outra condenação - já havia sido condenado por furto. A Justiça desconsiderou o fato do réu ter confessado a autoria do homicídio, o que daria direito à redução de pena.

Claudio e Keyssel tiveram negados os direitos de aguardar em liberdade a análise do recurso da decisão em segunda instância. "A gravidade do crime, a natureza e a quantidade da pena aplicada justificam a fixação do regime fechado", escreveu a juíza.

Durante o julgamento, Keyssel admitiu a culpa do crime, o que poderia inocentar Cláudio Yuri, mas isto foi visto pelo Ministério Público como estratégia para livrar a pena de um dos dois acusados.

O promotor de Justiça do caso, José Marcio Rossetto Leite, afirma que além das 18 horas de julgamento trabalhou por uma semana para se preparar para o Tribunal do Júri. "Foi uma batalha árdua em um processo muito complicado, com quatro mil páginas. Me empenhei o máximo que pude pela memória da vítima e pela sociedade. O Ministério Público está satisfeito com sentença", diz o promotor, que ressaltou o trabalho feito pelo delegado Wander, que foi uma das testemunhas de acusação durante o julgamento.

Os advogados de defesa de Cláudio e Keyssel não foram encontrados para comentar a sentença do júri e nem informar se pretendem entrar com recurso.

Keyssel de Oliveira foi o autor do homicídio, ocorrido em 2017
Cláudio Yuri era sócio do advogado e foi apontado como mandante do crime
Advogado José Arthur Vanzella Seba foi morto a tiros aos 32 anos em loteamento de Rio Preto (Reprodução Internet)
 
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