Comerciantes 'decretam' saideira e até apagam as luzes para controlar clientes em Rio Preto

À RISCA

Comerciantes 'decretam' saideira e até apagam as luzes para controlar clientes em Rio Preto

Donos de bares, por exemplo, recorrem a cartazes e outras medidas para garantir o cumprimento do horário de funcionamento e evitar autuações


Cleuza Helena, que comanda o Bar do Cidinho ao lado do pai, cola novo aviso sobre as restrições de atendimento no local; antigo foi rasgado por cliente que não aceitava ir embora
Cleuza Helena, que comanda o Bar do Cidinho ao lado do pai, cola novo aviso sobre as restrições de atendimento no local; antigo foi rasgado por cliente que não aceitava ir embora - Johnny Torres 9/10/2020

Com a flexibilização das regras de isolamento social e a reabertura de diversos setores da economia, funcionários e donos de estabelecimentos comerciais depararam com um novo desafio: lidar com clientes que não respeitam as regras sanitárias. Em muitos locais, virou rotina implorar para que o cliente use a máscara corretamente e não se aglomere. Mas nem sempre o jogo de cintura tem surtido efeito.

Em lojas e restaurantes os funcionários têm conseguido lidar melhor com a situação. "Eles [clientes] entendem quando a gente orienta o uso certo da máscara. Mas ainda insistem em usar o provador", comenta Mateus Cândido, dono de uma loja de roupas.

A maior dificuldade ocorre em estabelecimentos que servem bebidas alcoólicas. Nos bares, o principal obstáculo é convencer os clientes a manterem o distanciamento social e a respeitarem o horário de fechamento do estabelecimento. Os empresários temem ser flagrados pela fiscalização e sofrer penalizações devido à falta de cooperação dos consumidores.

Desde o dia 5 de setembro - quando Rio Preto entrou na fase amarela - até o dia 7 de outubro, a Vigilância Sanitária lavrou 196 autos de notificação.

Os bares são os estabelecimentos mais vulneráveis e sofre quem está na linha de frente como os atendentes e os garçons, afirma Alexandre Anbar, diretor do Núcleo de Serviços da Acirp e que está à frente do núcleo de bares e restaurantes, criado durante a pandemia para fortalecer empreendedores do setor. "É uma dificuldade lidar com algumas situações. Soubemos do caso do proprietário de um bar que contratou um segurança para ficar no estabelecimento para cobrar os clientes para respeitarem as normas de segurança. Ou seja, é um custo adicional", comenta.

"Quando chega o horário, os clientes não querem ir embora. É aí que ocorrem os confrontos", conta o empresário Geraldo Nunes da Silveira, proprietário do Camarote do Gê. O estabelecimento dele funciona como restaurante na hora do almoço e como bar no período noturno. Durante o dia, os clientes respeitam as regras. O problema maior é quando a noite cai.

Quem chega no local é recepcionado com um o aviso do novo horário de funcionamento, das 17h às 22h. "Mas, quando dá oito e meia, nove horas, começam a chegar novos clientes na casa. Às dez horas eu encosto o portão e levo a conta para a mesa, mas eles continuam sentados e não querem levantar. Eles acham que é a gente que está expulsando eles da casa", diz.

No Bar do Cidinho, os funcionários colaram diversos avisos sobre as novas regras que devem ser seguidas pelos clientes, como o número máximo de pessoas por mesa e o horário de funcionamento da cozinha. Mas nem todos aceitam. "Tivemos um cliente que não concordava com o horário do fechamento e rasgou um desses avisos na nossa frente", conta Cleuza Helena Adami, que comanda o bar ao lado do pai.

Para conseguir fechar a casa no horário determinado, os pedidos de porção podem ser feitos até as 20h30. Depois das 19h, o estabelecimento passa a vender apenas uma ficha de bebida por vez, para não correr o risco de o consumidor pedir por mais uma saideira em cima da hora. Quando chega a hora de fechar, os funcionários começam a recolher as coisas e as luzes são apagadas. "Mas, cada dia é um desafio diferente", comenta Cidinho, que comanda o estabelecimento há 34 anos. Nessas três semanas desde a reabertura, foram várias situações constrangedoras. Na última delas, uma cliente se irritou depois de ser proibida a juntar mesas. Segundo os proprietários, ela queria acomodar dez pessoas juntas, o que vai contra as regras do Plano São Paulo - que permite o máximo de seis pessoas por mesa. Inconformada, ela chegou a ligar para a polícia. "Ela disse queria acabar com a festa de todo mundo e denunciou que o lugar estava tendo aglomeração. Mas não estava. É uma inversão de valores", diz Helena.

No bar do Fidelis, todas as mesas ficam do lado externo do estabelecimento. Por isso, convencer os consumidores a deixarem o local no horário determinado é difícil. "Um deles chegou a ligar para outro bar perguntando se ainda estava aberto dizendo que eu não queria mais atender. No final eles foram para lá", conta Marco Fideles, dono do local.

A estratégia está sendo parar de servir as mesas e levar a conta até o cliente para que ele tenha a iniciativa de deixar o local.

"Se acontecer novamente de fecharem bares e restaurantes que trabalham a noite, nós seríamos prejudicados por aqueles que não estão obedecendo as regras", lamenta Geraldo.

Mudanças

Nesta sexta-feira, 9, o Governo do Estado de São Paulo estendeu de 8h para 10h diárias o horário de funcionamento do comércio em municípios da fase amarela do Plano São Paulo. Outra mudança anunciada é de que, em bares e restaurantes, o consumo local deve encerrar no máximo às 22h e a permanência no estabelecimento deve ser no máximo até às 23h.

O que muda

  • Estabelecimentos comerciais passam a funcionar de 8h para 10h diárias.
  • Em bares e restaurantes, o consumo local deve encerrar no máximo às 22h e a permanência no estabelecimento deve ser no máximo até as 23h.

O que permanece igual

  • Prevenção de aglomerações
  • Acesso limitado de até seis pessoas por grupo
  • Restrição a seis pessoas, no máximo, para ocupação de mesas, inclusive crianças
  • Reservas de mesas e ou assentos antecipadamente
  • Priorização de sistema de entrega (delivery)

Distanciamento

  • Mesas mantidas com distanciamento mínimo de 2,5 metros umas das outras
  • Distanciamento mínimo de 1,5 metro entre assentos eventualmente existentes em balcão
  • Distanciamento mínimo de 1,5 metro entre funcionários e clientes
  • Manutenção de distância mínima segura entre funcionários dentro da cozinha, reduzida para um metro, desde que todos estejam fazendo uso de máscara
  • Quando não for possível durante o atendimento a manutenção do distanciamento deverá ser providenciado anteparo de proteção fixo nos balcões de atendimento e recomendado uso de protetor facial nos demais casos
  • Ambientes de espera eventualmente existentes devem garantir o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre cada pessoa (ou grupo) em todas as direções.

Prevenção de Transmissão Direta

  • Garantia de entrada de pessoas com uso de máscara de proteção respiratória com cobertura total do nariz e boca
  • As máscaras deverão ser utilizadas pelos clientes nos momentos de circulação pelo ambiente e somente poderão ser retiradas quando acomodados nas mesas (sentados) durante o período de consumação
  • Durante a consumação, as máscaras devem ser acondicionadas adequadamente, não devendo permanecer diretamente sobre a mesa.

Outras determinações do Plano São Paulo

  • Funcionamento somente ao ar livre ou em áreas arejadas
  • Ocupação máxima de 40% da capacidade do local

Fonte: Prefeitura de Rio Preto e governo do Estado