Hospital de Base testa novo medicamento para Covid em Rio Preto

REQUISITOS

Hospital de Base testa novo medicamento para Covid em Rio Preto

Hospital de Base recruta pacientes do grupo de risco e com coronavírus confirmado para testar eficácia de um medicamento contra a Covid. Meta é encontrar de 40 a 80 voluntários


Hospital de Base vai divulgar em breve como vai reunir os voluntários
Hospital de Base vai divulgar em breve como vai reunir os voluntários - Gilberto Marques/Divulgação/Governo SP

O Centro Integrado de Pesquisa (CIP) do Hospital de Base de Rio Preto está recrutando voluntários para participar de um estudo sobre a eficácia do medicamento ABX464, contra o coronavírus. Para participar, é preciso ter a doença confirmada recentemente e fazer parte de algum dos grupos de risco.

De acordo com Maurício Lacerda Nogueira, responsável clínico pelos estudos no CIP, a meta é recrutar de 40 a 80 pessoas. "De preferência moradores de Rio Preto, mas pode ser da região, desde que estejam dispostos a vir para Rio Preto uma vez por semana nesse primeiro mês", afirma. Os pacientes tomarão um comprimido por dia, durante 28 dias, e depois serão acompanhados por dois meses.

O Hospital de Base havia sido convidado a participar da pesquisa desde setembro, e a questão foi analisada pelo Conselho de Ética. O estudo miR-AGE incluirá 1.034 pessoas na Europa e na América Latina. Como forma de controle, parte dos voluntários tomará placebo (comprimido sem efeito algum), pois assim é possível determinar qual a diferença que o ABX464 fez no tratamento daqueles que tomaram o remédio.

O estudo foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância sanitária (Anvisa), bem como pelas agências sanitárias da França, Alemanha, Reino Unido e Itália. A aprovação pelas autoridades do México, Chile e Peru está em andamento. Pelo menos 300 pessoas com coronavírus já foram tratadas com o remédio.

O medicamento está sendo testado pela Abivax, empresa francesa de tecnologia - segundo ela, o ABX464 apresenta potencial efeito benéfico triplo no tratamento de participantes com Covid-19: antiviral, anti-inflamatório e reparador de tecidos.

O antiviral inibe a multiplicação do vírus SARS-CoV-2, causador da doença; o anti-inflamatório previne e trata a síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que requer tratamento intensivo e terapia com oxigênio; e a propriedade de reparação de tecidos previne problemas pulmonares a longo prazo, após a cura da Covid-19.

Segundo Nogueira, é necessário que, ao iniciar o tratamento, o paciente voluntário com coronavírus confirmado não esteja em estado grave, pois o objetivo da substância é justamente impedir o agravamento do quadro, reduzindo o número de pacientes que precisam de hospitalização e diminuindo o tempo de internação daqueles que necessitem. Por isso, o grupo selecionado para participar do estudo é o de risco: idosos com mais de 65 anos ou adultos com menos de 65 anos que tenham alguma doença de base (como obesidade, diabetes, hipertensão e doença cardíaca).

"Esse é um tratamento precoce que é feito imediatamente após o diagnóstico com o objetivo de prevenir uma doença grave, por isso que a gente procura essas pessoas que foram numa emergência, foi feito PCR (exame do cotonete), deu positivo, mas ainda não tem sintomas graves", afirma Nogueira.

"Esse é um estudo fase dois/três de reposicionamento de droga. Ela é utilizada em colites, em doenças inflamatórias, já foi utilizada em HIV. Já se tem conhecimento tanto das eventuais toxicidades, que são poucas, quanto dos benefícios, como anti-inflamatório sistêmico que funciona muito bem no pulmão", explica o responsável pela pesquisa, que também coordena o estudo da vacina Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac - cerca de 450 profissionais de saúde voluntários participarão dos testes.

Para se inscrever, o voluntário pode entrar em contato pelo telefone (17) 3201-5054, que é do Centro Integrado de Pesquisa. É preciso ter resultado recente para coronavírus, estar em situação estável e ser idoso e/ou ter alguma doença de base. A enfermeira Gabriela Taparo será responsável por fazer as entrevistas para determinar se o candidato está apto a participar. Mais informações podem ser obtidas no site http://estudocovid.com.br/

O ABX464 é produzido pela Abivax, companhia francesa de biotecnologia

  • Segundo a empresa, o remédio tem três objetivos:
  • Efeito antiviral para inibir a multiplicação do vírus
  • Efeito anti-inflamatório para prevenir e tratar a síndrome respiratória aguda grave
  • Propriedade de reparação de tecidos, que previne problemas pulmonares a longo prazo, após a cura da Covid-19
  • O objetivo é diminuir o número de pacientes que precisam de internação hospitalar e também o período que passam internados
  • Serão 1.034 voluntários entre Europa e América Latina
  • No Brasil, o estudo será em quatro centros de estudo - incluindo a Funfarme, em Rio Preto

O estudo mira pessoas com confirmação de Covid e de grupos de risco:

  • 65 anos ou mais
  • obesidade
  • pressão alta
  • diabetes
  • doença cardiovascular

Como o estudo funciona

  • Os participantes devem tomar uma cápsula do medicamento em estudo por via oral, uma vez por dia, durante 28 dias.
  • O tratamento pode ser feito em casa, sendo desnecessária a hospitalização do participante.

Fonte: Abivax

 

As imagens de uma senhora sendo atendida no banheiro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tangará, em Rio Preto, foram compartilhadas centenas de vezes nesta quarta-feira, 7, pelas redes sociais. Nas fotos, a paciente aparece em uma maca e a seu lado está outra mulher. A cena foi flagrada pelo acompanhante de outra paciente, que afirma que no banheiro estava ainda uma outra pessoa, com suspeita de coronavírus.

Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que o tratamento de pacientes com Covid-19 deve ser realizado em local separado dos pacientes com outros agravos. "Em Rio Preto, seguindo as normas da OMS, existem unidades respiratórias que atendem exclusivamente casos de síndromes respiratórias leves enquanto as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) Norte, Tangará, e os prontos socorros Santo Antônio e Vila Toninho são mistas, recebendo tanto pacientes não Covid como suspeitos de Covid, com alas específicas para esses casos", disse.

Com relação à paciente, a Saúde alegou que, depois de colocada na maca e passado o soro, ela tinha que passar por uma lavagem intestinal, então optou-se por colocá-la no banheiro "até que pudesse obter o efeito. Após melhora, foi reavaliada e liberada de alta", informou a pasta. (MG)

Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto até 7/10/2020 (inclui 102 cidades)

Ocupação de leitos na DRS

  • Enfermaria: 51,2%
  • UTI: 59,9%
  • 113 novas internações

no dia 7/10 Ocupação de leitos no Estado

  • Enfermaria: 33,5%
  • UTI: 43,4%

Internações de pacientes de Rio Preto em 7/10

  • 360 pacientes
  • Enfermaria: 227
  • UTI: 133

Hospitais de Rio Preto

Hospital de Base (inclui pacientes da região)

  • Enfermaria (195 vagas): 121 pacientes (62,0% de ocupação)
  • UTI (145 vagas): 99 pacientes (68,2% da ocupação)

Hospital da Criança

  • Enfermaria (30 vagas): 5 pacientes
  • UTI (14 vagas): 1

Santa Casa

  • Enfermaria (59 vagas): 47 pacientes (79,6%)
  • UTI (51 vagas): 42 pacientes (82,3%)

Hospital de Jaci

  • UTI (dez vagas): 5 pacientes
  • Enfermaria (22 vagas): 9 pacientes

UPA Jaguaré

  • UTI (30 vagas): 18 pacientes
  • Enfermaria (15 vagas): 15 pacientes

UPA Santo Antônio

  • UTI (8 vagas): 2 pacientes

UBS Anchieta

  • Enfermaria (20 vagas): 14 pacientes

A quantidade de rio-pretenses internados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) voltou a crescer - de 346 na terça-feira, 6, para 360 na quarta, 7. Desses, 227 estavam em enfermaria e 133 em unidade de terapia intensiva (UTI).

A Saúde não informou quantos dos pacientes com doença pulmonar grave estavam com coronavírus confirmado. O nível de ocupação é uma preocupação para a pasta, que inclusive desistiu de desativar alguns leitos exclusivos para Covid-19 porque percebeu que os índices estavam novamente se elevando - essas vagas poderiam ser destinadas ao tratamento de outras doenças, parcialmente interrompido por causa da pandemia.

Na região, a tendência também é de aumento. Na quarta-feira, foram 113 novas internações, o terceiro maior número em 24 horas desde o início da pandemia.

Neste quinta, a Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou mais 229 casos de coronavírus, totalizando 23.622, e mais um óbito, somando 638.

Do total de contaminados, 20.601 são considerados recuperados e já não podem mais transmitir a doença. Houve 2.506 (10,6%) pacientes que precisaram de internação em algum momento, pois desenvolveram problemas pulmonares.

Outras quatro cidades da região também confirmaram óbitos pela Covid-19. Mirassol registrou o 49º em uma idosa de 77 anos. Em Jales, dois idosos de 66 anos não resistiram à doença, totalizando 48 mortes na cidade. Novo Horizonte teve mais dois registros, chegando a 16. Guapiaçu confirmou o 29º óbito.

(MG e Ingrid Bicker)