Região de Rio Preto sob fumaça do Pantanal

QUEIMADAS

Região de Rio Preto sob fumaça do Pantanal

Poluentes e uma "nuvem" de fumaça vindos do Pantanal encobriram o Noroeste paulista nesta quinta. Número de incêndios neste ano é maior do que em todo o ano passado em Rio Preto e região


Névoa encobre Rio Preto na
manhã desta quinta-feira, 8
Névoa encobre Rio Preto na manhã desta quinta-feira, 8 - Johnny Torres 8/10/2020

Rio Preto amanheceu coberta de fumaça nessa quinta-feira, dia 8. Poluentes e uma "nuvem" de fumaça vindos do Pantanal se juntaram com a poluição das queimadas da região, deixando o céu da cidade encoberto durante todo o dia. Pela manhã, era difícil até ver os prédios no Centro da cidade, devido à grande quantidade de poluentes no ar.

Para prejudicar ainda mais, incêndios foram registrados na região nesta quinta-feira: um em Catanduva, outro em Uchoa e um terceiro em Mirassol. Esse último, no Parque Natural da Grota, que começou a ter focos de fogo no início da noite de terça-feira, 6, e só foi controlado nessa quinta-feira, 8.

Dados do Corpo de Bombeiros mostram que, de janeiro a 7 de outubro, 4.218 focos de incêndio foram registrados no Noroeste Paulista, em contrapartida, durante todo o ano passado, foram 3.452. O número também é maior em Rio Preto, que teve 774 incêndios em 2019, contra 1.055 em cerca de 11 meses de 2020 - um aumento de 36% dos registros de queimadas.

Segundo o chefe da divisão de incêndio da Defesa Civil de Rio Preto, Marcio Garcia de Albuquerque, três fatores contribuíram para o maior número de registros neste ano. "A baixa umidade do ar, temperaturas muito altas e ventos fortes são os fatores principais, mas sabemos que muitos desses incêndios são fruto da ação humana, como bituca de cigarro jogada na vegetação seca devido a estiagem", disse.

Para chegar até a região, a fumaça do Pantanal percorreu aproximadamente mil quilômetros. No Centro-Oeste, os focos de incêndios lançam produtos da queima no ar, como fuligem e gases como CO2 e monóxido de carbono. Como o vento se intensificou, houve o deslocamento da fumaça para a região Noroeste do Estado de São Paulo. "Se viesse uma chuva seria ótimo para essa fumaça passar, mas isso vai alguns dias. Eu creio que mais uns três dias para ela poder se dissipar por completo", destacou Albuquerque.

Devido ao alto grau de poluentes causados pela fumaça, Rio Preto teve a qualidade do ar classificada em "muito ruim" - uma das piores do Estado, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros de Rio Preto Rafael Fantini, a poluição do ar atmosférico, através das fuligens e fumaça, pode acarretar problemas de saúde. "Causando transtornos respiratórios, dermatológicos e oftalmológicos, afetando principalmente pessoas idosas e crianças", destacou.

Especialista em poluição e qualidade do ar, José Mário Ferreira de Andrade, explica que as incessantes queimadas no Pantanal mato-grossense geram emissões de gases, de fumaça e de material particulado. "No momento os aerossóis gerados pelas queimadas do Pantanal mato-grossense e de outras queimadas estão estacionados sobre o Noroeste Paulista".

Entre as recomendações para os moradores da região lidar com o alto grau de poluentes estão manter portas e janelas das edificações fechadas; tapar as frestas com pano úmido; utilizar umidificadores de ar ou toalhas molhadas nos ambientes e soro fisiológico nas narinas e olhos; utilizar máscara dentro e fora de casa e não realizar práticas esportivas ao ar livre. "Recomendamos também se hidratar bastante", aconselhou Albuquerque.

Para os próximos dias, meteorologistas garantem que existe possibilidade de chuva, mas sem data confirmada. Nessa quinta-feira, foram registrados pontos de chuva isolados na região de Catanduva e em Pereira Barreto. A expectativa para essa sexta-feira, 9, é que os termômetros registrem máxima de 39 graus e mínima de 21 graus em Rio Preto.

(Colaboraram Luna Kfouri e Marco Antonio dos Santos)

As incessantes queimadas no Pantanal mato-grossense geram emissões de gases, de fumaça e de material particulado. Essa mistura de gases atinge 4 a 5 mil metros de altitude e formam os aerossóis. Esses aerossóis em temperatura baixa são transportados a milhares de quilômetros pela ação dos ventos.

No momento, os aerossóis gerados pelas queimadas do Pantanal mato-grossense e de outras queimadas estão estacionados sobre o Noroeste Paulista.

A direção predominante dos ventos está agindo da direção Sul, aumentou a umidade relativa do ar e as temperaturas estão diminuindo, o que provocou o adensamento de intensa camada de fumaça nas regiões de Araçatuba, Rio Preto, Votuporanga, Catanduva, Araraquara, Ribeirão Preto, Marília conforme os últimos dados das estações meteorológicas e da qualidade do ar.

José Mário Ferreira de Andrade, engenheiro sanitarista, especialista em poluição e qualidade do ar