ONG promove encontros virtuais entre familiares e pacientes da Santa Casa de Rio Preto

AMOR E SORRISOS EM IMAGEM

ONG promove encontros virtuais entre familiares e pacientes da Santa Casa de Rio Preto

Santa Casa de Rio Preto recebe o trabalho da ONG ImageMagica, que promove encontros virtuais entre pacientes e familiares e garante que todos possam ver quem é o colaborador por trás da máscara


José não pode falar por causa da traqueostomia, mas se comunicou por gestos com a família
José não pode falar por causa da traqueostomia, mas se comunicou por gestos com a família - Divulgação

Sebastiana Lourdes de Lucca, auxiliar de farmácia de 62 anos, trabalha na Santa Casa há 13. Atuante no setor do centro cirúrgico, quando soube que teria que tirar uma foto sorrindo, para um novo crachá, não gostou muito. "Sou muito tímida e não gosto de tirar foto. Mas depois, quando vi, fiquei apaixonada. Deu muito certo e eu fiquei apaixonada pela minha fotografia. Foi uma descontração e a gente esqueceu da Covid, a gente precisa muito disso", diz.

A foto que foi tirada de Sebastiana faz parte do projeto Conexões do Cuidar, da ONG ImageMagica, que utiliza a fotografia como ferramenta de humanização dentro de hospitais. Na Santa Casa de Rio Preto, o trabalho começou no fim de setembro e se estende até o fim de outubro.

O projeto inclui videochamadas entre pacientes e suas famílias e a produção de crachás com foto dos colaboradores sorrindo, com uma mensagem motivacional - essa é uma identificação importante, já que os pacientes não conseguem mais ver o rosto dos funcionários, por causa dos equipamentos de proteção contra o coronavírus.

José Roberto Novais, pedreiro de 54 anos, foi um dos pacientes que puderam se comunicar com a família. Há 25 dias internado com tumor e enfisema pulmonar, os enfermeiros, a pedido dele, chegaram a fazer algumas chamadas de vídeo com a família, mas sempre era algo rápido. "Ontem [terça] foi legal que deu para falar mais com ele. A gente ficou muito feliz, todo mundo fica emocionado, são 25 dias sem se ver", diz a filha, a cabeleireira Beatriz Cristina Prates de Novais.

José não pode se comunicar falando porque está traqueostomizado, então às vezes escreve bilhetes. Nesta terça, expressou-se por meio de gestos, como o sinal de "joia" e um coração feito com as mãos. "A gente perguntou se ele queria que levasse Gatorade e água de coco, que é o que ele pode tomar, e ele fez que sim. Já levamos", conta Beatriz. Da chamada de vídeo, participaram três dos cinco filhos, a esposa, a enteada e uma prima de Sud Mennucci.

Valdir Furlan, administrador da Santa Casa, conta que o hospital foi procurado pela ONG ImageMagica, que já realiza esse trabalho em outras instituições - pelo menos outras 20 no Estado de São Paulo. "(A pandemia) Restringiu um monte de coisa, esse paciente está isolado, não vê família. (A ação) é uma oportunidade do profissional estar ali ao lado dele, para ele expressar o que está sentindo. A gente até fazia, a enfermeira pegava o celular dela, mas não tem o profissionalismo que eles têm, é diferente."

Já foram realizados oito atendimentos de pacientes internados, mas que impactaram 29 familiares em dois dias. Os fotógrafos Levi Fanan e Danielle Leon já fizeram em média 70% das fotos dos crachás, que estão em produção e começam a chegar nesta semana.

Os profissionais da ImageMagica estão capacitados a se paramentar para evitar a transmissão de coronavírus e levaram seus próprios equipamentos de proteção.

Segundo Isabela Viterbo Fraga, psicóloga da Santa Casa, essa conexão a distância beneficia não só o paciente, mas também sua família, que está ansiosa e preocupada. "Os profissionais da ONG são preparados para interligar o paciente com a família de forma muito humana."

A profissional destaca que o fortalecimento do vínculo familiar, por meio de imagem ou vídeo, ajuda na melhora do paciente. "Estamos muito encantados e felizes por esta parceria e poder proporcionar momentos de alívio a muitos pacientes e familiares, isso vem muito de encontro ao nosso propósito e missão aqui na Santa Casa: cuidar, acolher e humanizar", afirma a psicóloga Isabela.

Segundo ela, hoje a Santa Casa tem 1.259 colaboradores e todos os sorrisos estarão estampados em crachás. "Os colaboradores estão participando da ação de fotos que servirão para estampar seus crachás com sorriso, o que não podemos demostrar hoje em função das máscaras de proteção. É imprescindível que os pacientes e os demais colegas de trabalho se reconheçam sem o uso da máscara", pontua.