Prefeitura vai à polícia por incêndio

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Prefeitura vai à polícia por incêndio

Queimada entre segunda e terça destruiu cerca de 60 hectares


Área devastada pelo fogo é equivalente a 60 campos de futebol; acima chamas na noite de segunda-feira
Área devastada pelo fogo é equivalente a 60 campos de futebol; acima chamas na noite de segunda-feira - Guilherme Baffi 06/10/20

A Prefeitura de Rio Preto quer investigação policial para checar a possibilidade de o incêndio na região do do antigo Instituto Penal Agrícola (IPA), nesta segunda-feira, 5, ter sido criminoso. Uma câmera de monitoramento da Guarda Civil Municipal (GCM) flagrou um carro sair do local minutos antes de uma grande queimada começar. Entre segunda e terça-feira, o fogo consumiu 60 hectares.

Nesta quarta-feira, 7, Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, junto com a Unesp e o Instituto Florestal devem registrar boletim de ocorrência sobre os dois incêndios. A comunicação só será feita depois de um levantamento da área destruída, para que conste nos registros policiais.

As imagens da câmera de monitoramento foram repassados para o coordenador operacional da GCM, Vitor Cornachioni. Pelo vídeo é possível ver um veículo sair de uma área que pega fogo momentos depois no final da tarde de segunda-feira, 5. Os bombeiros levaram mais de três horas para controlar as chamas. Mesmo assim, 50,3 hectares foram destruídos pelas queimadas.

Menos de 24 horas depois, outro foco de incêndio, na manhã de terça-feira, em outro ponto da floresta, destruiu mais 9,8 hectares.

"Colocamos câmeras em pontos estratégicos da floresta, para tentar flagrar invasões, porque a entrada é controlada e existe risco de incêndio. Desta vez, registramos uma pessoa saindo do IPA justamente após o começo das chamas, mas infelizmente não dá para visualizar a placa do veículo", diz o coordenador.

A expectativa é que o Instituto de Criminalística possa por meio da imagem obter uma pista da autoria do incêndio. "Vamos entregar a filmagem para Polícia Civil, para que seja investigado, o que aquela pessoa fazia naquele trecho naquele momento e se tem relação com o grande incêndio que ocorreu logo em seguida," diz Cornachioni.

O coordenador da Defesa Civil, coronel Carlos Lamin, afirma que há desconfiança de que os incêndios não ocorreram de forma espontânea. "Sempre há o risco de um foco começar com uma bituca de cigarro jogada no meio da vegetação seca, mas, como vemos na imagem, há uma pessoa saindo de um ponto que logo em seguida pega fogo. O que ela estava fazendo naquele ponto?", questiona.

Segundo Lamin, a ideia de procurar a polícia também tem como objetivo tentar evitar novas invasões na área do antigo IPA. "Mesmo que neste momento não consiga identificar quem entrou na área verde, vai desencorajar outras pessoas a fazerem isto, porque sabem que podem ser flagradas", afirma o coordenador.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente teria perdido na área queimada árvores que fazem parte do plano municipal de reflorestamento - cerca de três hectares.

Nesta quarta-feira está prevista a vinda para Rio Preto de um representante da Secretaria Estadual de Meio ambiente para fazer uma vistoria, ao lado de funcionários do Instituto Florestal, de toda a área destruída por estas duas queimadas. Logo em seguida, estes dados serão entregues à Polícia Civil por meio do registro do boletim de ocorrência.

A Unesp também tem interesse na apuração policial porque a área verde do antigo IPA é ponto de pesquisa da universidade paulista.

O delegado do 5º Distrito Policial, João Lafayette Sanches Fernandes, que já investiga o incêndio na área ocorrido em setembro, vai também apurar estas duas queimadas. "Esta imagem pode ser uma pista importante para ver se há relação entre os três incêndios. Estamos fazendo apuração destes casos, mas ainda não temos suspeitos de autoria", diz o delegado.

Relatório da Polícia Militar Ambiental de Rio Preto mostrou que o incêndio de setembro devastou uma área de 691,80 hectares, o que equivale a 691 campos de futebol, sendo 454,65 em áreas da Estação Ecológica Noroeste Paulista e da Floresta Estadual do Noroeste Paulista.