Semae amplia racionamento de água e vai multar desperdício em Rio Preto

PUNIÇÃO AO DESPERDÍCIO

Semae amplia racionamento de água e vai multar desperdício em Rio Preto

Sem chuvas e com aumento de consumo, Semae vai notificar e depois multar em R$ 2,1 mil quem for flagrado desperdiçando água em Rio Preto. Período de racionamento é ampliado e vai das 12h às 22h


Com baixo nível no lago 1 da Represa Municipal, moradores pescam de dentro da água
Com baixo nível no lago 1 da Represa Municipal, moradores pescam de dentro da água - Guilherme Baffi 6/10/2020

Quem for pego desperdiçando água em Rio Preto poderá ser autuado em R$ 2.168,64. A punição começou a valer nessa terça-feira, dia 6, junto com a ampliação do horário de racionamento de água, que passou a acontecer das 12h às 22h, nas 18 regiões abastecidas pela Represa Municipal. O racionamento começou na cidade em 17 de setembro e não tem data para terminar.

Serão os fiscais do Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) que ficarão responsáveis pela fiscalização e vão multar quem for pego desperdiçando água em Rio Preto. A multa prevista é de 36 Unidades Fiscais do Município (UFMs), que equivale a R$ 2.168,64. Entretanto, segundo a autarquia, em caso de flagrante, inicialmente o infrator será notificado. A multa será em caso de reincidência. "O nosso objetivo é orientar as pessoas, mas quem insistir no desperdício será penalizado", explica a gerente de Operação e Manutenção de Água do Semae, Jaqueline Reis.

Dados do Semae, apontam que o consumo de água aumentou 13% em relação à semana passada. Por causa da estiagem e das altas temperaturas, com termômetros nesta terça-feira chegando ao sétimo dia consecutivo acima dos 40 graus na cidade, outras regiões de Rio Preto além das que já estão enfrentando racionamento de água também poderão sofrer interrupções no fornecimento de água nos próximos dias. Isso porque o aquífero Bauru, que abastece 50% de Rio Preto, teve um rebaixamento de até 10 metros em alguns pontos da cidade.

"Precisamos da colaboração da população. A produção de água vem caindo dia a dia em Rio Preto, e o consumo não para de aumentar. Não chove há 110 dias. Tanto a Represa Municipal quanto os aquíferos Bauru e Guarani estão fornecendo água no limite", disse Jaqueline.

Atualmente, estão sendo consumidos 280 litros de água por pessoa por dia. O ideal para Rio Preto são de 180 a 200 litros, segundo o Semae. A situação dos reservatórios de água de Rio Preto é uma das piores dos últimos seis anos. Desde 2014, o município não passa por uma situação semelhante, informou a autarquia.

A Represa Municipal, que fornece água para a Estação de Tratamento de Água (ETA), no Palácio das Águas, está 10 centímetros abaixo do nível do vertedouro. A produção do lago 1 caiu de 450 litros/segundo para 300 litros/segundo e, agora, está em 250 litros/segundo.

Entre as formas consideradas como desperdício está lavar o quintal, calçadas e veículos com mangueira, deixar regadores de plantas ligados durante o dia, além de trocar a água da piscina.

Ainda segundo Jaqueline, o período do racionamento poderá voltar a ser das 13h às 20 h, caso o consumo caia novamente. "Tudo vai depender do comportamento dos nossos usuários. Sei que é difícil, mas agora é hora de sacrifício para que todos possam ter água", falou.

Região

Pelo menos outras sete cidades do Noroeste paulista também estão fazendo racionamento. Votuporanga, Barretos, Bebedouro, Tabapuã, Uchoa, Pereira Barreto e Suzanápolis estão sentindo a estiagem prolongada e estão racionando a água como forma de manter o abastecimento.

Em Tabapuã, a prefeitura ampliou na segunda-feira, dia 5, o racionamento em uma hora, passando para das 13h às 17h. Enquanto isso, outras cidades da região também já alertam a população para um possível racionamento caso o consumo não seja consciente. Mirassol é uma delas. A Sanessol, responsável pelo abastecimento, anunciou que fechou o mês de setembro com uma alta no consumo de aproximadamente 27,5 milhões de litros de água em comparação ao mesmo período do ano passado. A represa do rio São José dos Dourados, responsável pelo abastecimento de 40% da cidade, está operando com apenas 30% da sua capacidade.

Regiões afetadas com o racionamento de água Clique aqui

Divulgação

Além do racionamento de água, duas cidades da região também enfrentaram problemas de energia que geraram interrupção no fornecimento de água para parte dos moradores. Os casos foram em Catanduva e Américo de Campos.

Em Catanduva, o abastecimento de água está sendo controlado, das 22h até as 6h, ao longo desta semana. A medida é emergencial e foi tomada depois de uma queda de energia elétrica no último domingo, dia 4, queimar a bomba da Unidade de Reservação da avenida São Vicente. O equipamento é responsável pelo abastecimento de boa parte da cidade.

Por conta da manutenção, a empresa responsável pelo fornecimento de água informou que haverá interrupção na distribuição de água na região central da cidade e nos bairros Higienópolis, Juliatti de Carvalho, Parque Glória (1 ao 6), Conjunto Euclides, Parque José Curi, Santa Paula, Martani, Del Rey Flamingo, Mestrinelli, Cidade Jardim, Alpino.

No período estipulado, o bombeamento dos poços que abastecem essas regiões da cidade será destinado a poupar e a recuperar os níveis de água dos reservatórios.

Já em Américo de Campos, após criminosos furtarem os fios de um dos poços de captação de água da cidade, a região central chegou a ficar quase 24 horas sem água. Um gerador foi colocado no local e a manutenção deve terminar nesta quarta-feira, dia 7, segundo a Prefeitura.

Devido ao furto, um boletim de ocorrência foi registrado e a Polícia Civil da cidade tenta identificar os autores do crime que causou o desabastecimento. (RC)