Área devastada em incêndio em Rio Preto equivale a 650 campos de futebol

TRAGÉDIA

Área devastada em incêndio em Rio Preto equivale a 650 campos de futebol

Pesquisador cobra mais investimentos para impedir novos casos do tipo


Fogo consumiu área de 650 hectares do antigo IPA, segundo Defesa Civil; no detalhe, avião ajuda em combate a queimada na região do Quinta do Golfe
Fogo consumiu área de 650 hectares do antigo IPA, segundo Defesa Civil; no detalhe, avião ajuda em combate a queimada na região do Quinta do Golfe - Johnny Torres

Seiscentos e cinquenta campos de futebol. Esse é o tamanho do prejuízo do incêndio que começou na quarta-feira, 9, nas margens da avenida Abelardo Menezes, e avançou sobre a área do antigo Instituto Penal Agrícola (IPA). Áreas de vegetação, floresta, replantio, preservação ambiental e pesquisa científica dos institutos Florestal e de Pesca, da Unesp, da Fatec e da Prefeitura arderam em fogo por três dias seguidos. Chamas que ainda queimavam áreas vizinhas até o fechamento deste texto.

A tragédia ocorre no pico da estiagem, já que Rio Preto está sem chuvas consideráveis desde o dia 28 de junho. Condições meteorológicas que, somadas a uma faísca com origem desconhecida e à oferta de palha seca, destruíram reservas da Floresta Estadual do Noroeste Paulista e da Estação Ecológica. "Uma série de situações que mesmo com recursos ficaria difícil. Agora a gente precisa sentar e pensar o que pode ser melhorado", disse o vice-diretor da Unesp, Fernando Noll.

Em diversas frentes, as chamas pularam aceiros feitos para proteção da área e foram apagadas dia a dia por um batalhão de homens do Corpo de Bombeiros - todas as cinco viaturas da cidade empenhadas -, do Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae), da Defesa Civil Municipal, da Usina Cofco, do Águia da Polícia Militar, da Polícia Militar Ambiental, das secretarias de Serviços Gerais e Meio Ambiente e de pesquisadores do Instituto Florestal e Unesp.

Mesmo com todo o esforço, o fogo chegou até a Fundação Casa de Mirassol, pulou para uma área particular do município e desceu até margear os campos de golfe do condomínio Quinta do Golfe. "Toda essa área queimada era habitada por seres que têm um papel importante como polinizadores, dispersores, detritívoros e quando você acaba com eles, todo o meio ambiente perde", explicou Noll.

Para o doutor e pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas de São Paulo e do Smithsonian Institute, de Washington, Rafael Chiaravalott, a primeira coisa que deve ser pensada agora é a necessidade de mecanismos para evitar esse tipo de tragédia. "Precisa ter meios, recursos e infraestrutura", disse. "Rio Preto é um dos municípios mais desmatados, sobrou menos de 5% de floresta. Isso tem consequência na secura, chuvas e extinção de espécies".

Segundo o pesquisador, que é de Rio Preto, para manter a preservação da área é necessário que tenha no local brigadistas e equipamentos, sistemas de monitoramento por câmeras e alarmes e vigilância. "O tempo seco cria um ambiente vulnerável, mas isso não elimina o que precisa ser feito. É importante ter mecanismo de proteção, gente tomando conta, brigadistas e dinheiro", ressaltou.

O que é feito

A Prefeitura informou que desde 2017 vem reforçando esforços para proteger a área, como a criação do Comitê Gestor de Prevenção às Queimadas. "O trabalho preventivo continuará, com reforço das campanhas educativas", informou. O Estado não respondeu aos questionamentos sobre investimentos para o local. Em nota, afirmou que o governo comprou viaturas e drones para a Polícia Ambiental e capacitou agentes da Defesa Civil. "A Unesp obteve a aprovação do plano de manejo da estação ecológica, incluindo ações pontuais para a preservação da área", completa a nota.