Maioria dos pais da rede municipal de Rio Preto são contra volta às aulas

RETORNO PRESENCIAL

Maioria dos pais da rede municipal de Rio Preto são contra volta às aulas

Pesquisa da Secretaria Municipal de Educação de Rio Preto também mostrou que a maioria dos pais é contra volta às aulas na cidade


Fernanda Bastos do Nascimento ajuda a filha, Valentina, de 7 anos: ela não pretende mandar a filha pra escola neste ano
Fernanda Bastos do Nascimento ajuda a filha, Valentina, de 7 anos: ela não pretende mandar a filha pra escola neste ano - Johnny Torres 11/9/2020

A maioria dos pais de Rio Preto é contra a volta às aulas presenciais neste ano na cidade. É o que mostra uma pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Educação. Segundo os dados, os pais de 14.680 alunos (74,9% dos que participaram da enquete) disseram que não levarão os filhos em um possível retorno, mesmo respeitando-se as orientações dos órgãos de saúde. Outros 4.911 (25,1%) votaram a favor do retorno das atividades.

Ao todo, 15.446 pais e responsáveis pelos estudantes responderam a pesquisa, que foi feita em agosto de forma online, na plataforma Google Formulário. Cerca de 80% dos que votaram contra afirmaram ter medo de contaminação por coronavírus.

O estudo do município também mostra que um em cada dez alunos da rede municipal de ensino da cidade teve familiares com Covid-19. Do total de participantes, 12,9% disseram que na sua casa teve algum caso confirmado de Covid-19.

Segundo a secretária da Educação de Rio Preto, Sueli Amâncio Costa, a decisão dos pais será levada em consideração na semana que vem, quando o Comitê de Enfrentamento do Coronavírus e a Procuradoria Geral do Município decidirão sobre o retorno ou não das atividades presenciais nas escolas esse ano. "Nós estamos encaminhando para o Comitê, porque são eles que vão fazer um posicionamento para que possamos sentar com o prefeito sobre essa volta ou não das atividades presenciais."

Sueli diz que diferentemente do Estado, onde a maior parte dos estudantes estão no ensino fundamental 2 ou no ensino médio, a rede municipal de ensino atende as etapas iniciais, com um público predominantemente de crianças de 0 a 10 anos. "Por mais organização que se fizer, torna-se mais difícil de você manter o distanciamento necessário, por isso a precaução muito grande, por conta dos alunos estarem nessa faixa etária. Nossas especificidades precisam ser levadas em conta, são crianças muito pequenas", acrescentou a secretária.

A pesquisa também perguntou aos pais sobre como estava a participação das crianças nas atividades remotas oferecidas pelo município. A maior parte, 67,9%, disse que estava conseguindo acompanhar as aulas. Entretanto, 27,7% disseram estar conseguindo acompanhar parcialmente as atividades e 4,4% não estavam conseguindo. Questionados sobre os motivos pelos quais os estudantes não estavam participando, a maior parte dos pais disse que era por conta de falta de tempo da família para auxiliar as crianças.

Depois de pensar muito no assunto, a cuidadora Fernanda Bastos do Nascimento, de 37 anos, decidiu que, apesar das saudades da rotina, não vai permitir que a filha, Ana Valentina dos Santos, de 7 anos, que está no 2º ano do ensino fundamental, volte à escola neste momento. Ela avalia que ainda existe risco de contaminação. "Todo mundo sabe que é uma doença perigosa, mesmo a gente que tem os cuidados está sujeito a ser contaminado. No momento ela está fazendo as aulas em casa, está acompanhando direitinho, sempre que posso ajudo ela, filmo e mando foto das tarefas feitas", conta a mãe. "É bom ir para a sala de aula, mas com segurança."

A empregada doméstica Fláviane Félix Bispo, de 37 anos, é mãe de Leandro e Thiago, de 6 e 14 anos, respectivamente, e também decidiu que os dois não irão à escola por enquanto. Eles estão no 1º e no 9º ano do ensino fundamental. "Eu não vou mandar não, só no ano que vem. Acho melhor. Tenho duas senhoras em casa, não posso arriscar a vida delas. Minha mãe tem 59 anos e minha sogra tem 63", considera.

Para a professora do departamento de educação do Ibilce Ana Maria Klein, uma outra questão também precisa ser pensada: em relação ao professor. "Na educação infantil, é impossível você querer guardar distâncias, as crianças são muito de contato e você precisa muito de contato físico o tempo inteiro, por mais que você tente, é impossível. Muitas vezes os pais não conseguem, imagina um professor com várias crianças na sala", afirmou.

(Colaborou Millena Grigoleti)

Segundo o estudo da Secretaria de Educação, 31% dos pais e responsáveis responderam que durante o isolamento social apresentaram algum sintoma de depressão, ansiedade, alcoolismo ou outros transtornos mentais.

A professora Ana Maria Klein aponta desafios aos educadores em caso de retorno. "O professor está tendo que se desdobrar para atender aluno, gravar aula. Se ele tiver que fazer aula presencial e a distância dobra o trabalho dele, porque ele vai ter que continuar mantendo todas as atividades via internet e manter o atendimento presencial na sala de aula", opinou Ana Maria.

Dos 15.446 pais que responderam a pesquisa, 316 responderam que possuem filho com deficiência, ou seja, que está no grupo de risco para doença e provavelmente não poderá voltar as atividades presenciais, caso as aulas retornem esse ano, outros 15.130 pais disseram que as crianças não possuem deficiência. A pesquisa não perguntou se fora deficiência se a criança tinha alguma doença preexistente, ou seja, no grupo de risco para Covid-19.

Enquete feita pelo Diário na tarde desta sexta-feira, 11, também mostrou que a maioria das pessoas são contrárias a volta às aulas presenciais neste ano. Dos 1.567 votos, 1.239 votaram contra o retorno, enquanto 328 votaram a favor do retorno. (RC)

Foram ouvidos 15.446 pais ou responsáveis de alunos da rede municipal de Rio Preto, compreendendo um total de 19.591 estudantes

Perguntas

Considerando a possibilidade de retorno às aulas presenciais, respeitando-se as orientações dos órgãos de saúde, seu filho retornaria à escola?

  • Não: 74,9% (14.680)
  • Sim: 25,1% (4.911)

Selecione os motivos que justificam essa decisão (permitido mais de uma resposta):

  • Risco de contágio: 82,2%
  • Possui algum problema de saúde: 24,4%
  • Está gestante (mãe do aluno): 1,5%
  • Está temporariamente morando em outro lugar: 1,3%

Tendo em vista as atividades remotas propostas pela escola, seu filho conseguiu participar?

  • Não: 4,4% (673)
  • Sim: 67,9% (10.494)
  • Parcialmente: 27,7% (4.279)

Selecione os motivos pelos quais o estudante não participou das atividades:

  • Problemas ou falta de equipamento: 17,4%
  • Não recebeu o material impresso: 4,8%
  • Não conseguiu realizar as atividades: 8,2%
  • Falta de um adulto para auxiliar: 14,7%
  • Falta de tempo da família para auxiliar: 58,8%
  • Os adultos não sentem seguros/preparados para auxiliar: 24,4%

O estudante tem com quem ficar em casa?

  • Não: 2.332 (15,1%)
  • Sim: 13.114 (84,9%)

Na sua casa, teve algum caso confirmado de Covid-19?

  • Não: 87,1% (13.446)
  • Sim, mas não precisou de internação: 11,4% (1.754)
  • Sim e precisou de internação: 1,5% (246)

Durante o período de isolamento social e pandemia, alguém da família ou a criança apresentou algum sintoma como depressão, tristeza súbita, alcoolismo, ansiedade, entre outros?

  • Não: 69% (10.659)
  • Sim: 31% (4.787)